Revista "MUNDO e MISSÃO"
Testemunhos da Vida Missionária
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por Maria De Giorgi
Por isso, é necessário que todas as religiões – em plena fidelidade à própria identidade e no respeito às diferenças de cada uma delas – dêem-se as mãos e trabalhem unidas para promover a dignidade de todos os homens e as mulheres do mundo. Depois de dois anos de estudo da língua japonesa, comecei o meu serviço missionário no Centro de Espiritualidade e Diálogo Inter-religioso, chamado Shinmeizan, que estava nascendo, naquele momento, num pequeno vilarejo da província de Kumamoto, na ilha meridional de Kyushu. Fundado em 1987 pelo Pe. Franco Sottocornola, xaveriano, com a colaboração do Venerável Tairyu Furukawa, chefe do templo budista Seimeizan Schweizer, o Centro Shinmeizan, que em japonês significa “a montanha da verdadeira vida”, é um lugar de encontro e de diálogo aberto aos fiéis de todas as religiões. Aqui no Japão, aprofundei minha fé, minha vocação e vi amadurecer meu caminho missionário, graças também ao relacionamento com pessoas de cultura, religião e sensibilidade muito diferentes das minhas. O contato com o mundo japonês, e particularmente com a religião budista, não mais me deixou ser a mesma. Senti que a visão que eu tinha desse mundo, tão diferente do meu, precisava de uma profunda transformação. Tomei consciência da relatividade de cada experiência humana e, ao mesmo tempo, da sua unicidade. O esforço para entender o Budismo, a partir de seu interior, sem ceder aos preconceitos e às interpretações já feitas, precisou de uma ascese rígida e difícil. Gosto de chamar de “ascese” o caminho do diálogo inter-religioso, porque aceitar sair de si, para ir ao encontro do “outro, diferente de si próprio” é um processo de progressivo despojamento dos referenciais pessoais. Contudo, este caminho levou-me a tomar consciência, de maneira mais profunda e rica, do cristianismo e da sua novidade irreduzível. Pessoalmente, nunca percebi contradições entre o compromisso missionário de anunciar o Evangelho e o engajamento no diálogo inter-religioso. Acredito que o primeiro é condição indispensável para o segundo: é na minha identidade cristã mais profunda que encontro as razões para dialogar com o outro, completamente diferente de mim mesma. São as exigências de ser discípula de Jesus que me empurraram para além de meus confins culturais e religiosos, para me colocar à escuta e acolher o outro, mas também para oferecer o bem maior que eu mesma recebi: Jesus Cristo e o seu Evangelho. Posso dizer que, em todos estes anos, minha identidade cristã e missionária nunca foi obstáculo para o encontro e o diálogo com o crente de outra tradição religiosa. Melhor ainda, pois eu diria que foi a premissa e a condição. Pude experimentar quão atuais e profundas foram as palavras de Paulo VI, o grande mestre do diálogo, na encíclica Ecclesiam Suam: “A Igreja deve entrar em diálogo com o mundo em que vive. A Igreja faz-se palavra; a Igreja faz-se mensagem; a Igreja faz-se colóquio” (ES 67). Testemunho e Diálogo
A missão encontra, no imenso continente asiático, seu maior desafio. Nós afirmamos, juntamente com outros, que a proclamação de Jesus Cristo constitui o centro e o principal elemento da evangelização. A proclamação de Jesus Cristo na Ásia significa, antes de tudo, o testemunho dos cristãos e das suas comunidades sobre os valores do Reino de Deus: uma proclamação que se efetua através do comportamento e do testemunho cristão. Para os cristãos da Ásia, proclamar Cristo significa, principalmente, viver como ele, em meio ao próximo de outra fé e de outras crenças, agindo com a força da Graça. Proclamar o Evangelho através do testemunho e do diálogo: é esta a primordial tarefa da Igreja na Ásia. Os bispos asiáticos “Rumo ao terceiro milênio” (1990) contato |
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