Revista "MUNDO e MISSÃO"
Testemunhos da Vida Missionária
Redação Ir. Ida se emociona ao se lembrar do apoio recebido do Pe. Bianchi, nos primeiros tempos, quando as irmãs não falavam inglês e nem a língua local, deviam obter documentos e, enfim, adaptar-se à realidade social e religiosa do novo ambiente de trabalho. “Jamais pensamos em voltar para a Itália. Estávamos convencidas que era o Senhor quem nos pedia aqueles sacrifícios e que deveríamos fazê-los com amor e alegria”, declara. O início Foi difícil adaptar-se ao consumo da água, mais amarga e, às vezes, salobra. Além disso, faltava força para bombeá-la para a caixa-d’água no telhado. Mas, Ir. Ida se habituou logo aos alimentos locais, a dormir no chão, a não ter horário de trabalho e ao clima, apesar do enorme calor que precede as monções (quando o termômetro chega a mais de 40 graus). Apesar da fragilidade física, ela se alimentava bem, o que evitou contrair doenças. Apostolado
É ela quem diz: - “Sou enfermeira-chefe. Estudei enfermagem em Milão. Era tempo de guerra e andávamos em cima de bombas. Na Índia, trabalhei em muitos locais de Andhra Pradesh (um estado da federação). Trabalhávamos dia e noite. Eu era chamada de ‘a noturna’ porque era sempre a escolhida para trabalhar à noite. Jamais me cansava”. E descreve: - “Trabalhei muito com mães e crianças. A maternidade do hospital não tinha recursos e, quando era preciso dar oxigênio a uma criança cianótica, fazíamos respiração boca-a-boca por muito tempo. Éramos pobres mesmo! Quanta oração fiz para que Deus salvasse a mãe e a criança, depois de ter feito todo o possível, com o pouco que tínhamos”. Ir. Ida sempre foi enfermeira. Trabalhou em ambulatórios, hospitais, leprosários. “Confesso que, no início, a lepra me dava medo, depois o perdi completamente”. Há 30 anos ela está em Vegavaram, onde se apaixonou de vez pelas crianças. Recolhe e acolhe filhos de hansenianos das redondezas. Recorda-se que alguns escapavam e lá ia ela, de bicicleta, atrás deles e os recolhia de novo. Quando um deles tinha febre alta, ela o levava para o próprio quarto e cuidava dele. Quando uma criança ficava doente, eram as irmãs que tudo faziam para curá-la; hoje, elas ficam em mãos de médicos. “Quantos salvamos da morte certa! Hoje, muitos reconhecem e vêm agradecer. Isso me alegra e me comove profundamente”. A lição de uma vida feliz Ir. Ida trabalha desde os 12 anos e, apesar da idade, continua na ativa. Afirma: - “Estou sempre entre as crianças, o que me parece viver uma segunda juventude. Nunca fico parada. Tricoto roupinhas de crianças, ando pra lá e pra cá e ajudo onde posso. Sou como a vovó das crianças que acolhemos. Se a gente se esquece de si mesmo, tudo bem, mas se a gente se preocupa consigo mesmo, então a vida missionária não vale mais nada. Se a uma jovem falta a vontade de se sacrificar e ela não pede a Deus essa graça, é melhor que não entre no nosso meio”. Cada vez que perguntam sobre sua vida longe da pátria, responde: - “Estou felicíssima. A Índia, e especialmente os indianos, são maravilhosos. Não posso deixar de desejar o seu bem. Todo dia eu agradeço o Senhor porque me chamou a ser missionária. E, na caminhada, encontrei muito mais alegria do que sofrimento. Tenho 91 anos, mas espero andar ainda um pouco mais, até que Deus queira”. |
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