Revista "MUNDO e MISSÃO"

Testemunhos da Vida Missionária

Redação


Pe. Lúcio Espíndola Santos

Pe. diocesano Lúcio Espíndola Santos parte, como associado do Pime, para as missões além-fronteiras.

Faça um retrospecto de sua vida.

– Meu nome é Lúcio. Sou natural de Palhoça – SC, onde fui ordenado sacerdote diocesano aos 26 anos. Trabalho na arquidiocese de Florianópolis há 28 anos. Ocupei-me em paróquias, seminários e, durante 6 anos, trabalhei na diocese de Barra – BA, através do projeto Igrejas Irmãs, que mantém uma paróquia conveniada com minha arquidiocese.

Como chegou ao PIME?

– Conheço o Pime desde quando ele mantinha o seminário de Palhoça. Meu primeiro contato foi com o Pe. José Negri, hoje bispo auxiliar em Florianópolis. Entendi melhor o Instituto através do padre Paulo De Coppi, do Conselho Missionário Diocesano (COMIDI), do qual ele ainda está à frente. Na condição de diretor espiritual no seminário de Azambuja mantive inúmeros contatos com seminaristas do Pime, em Brusque. Quando o Pime completou 150 anos de fundação (em 2000), foi-me concedida uma placa comemorativa e, ao receber a comenda, uni-me mais afetuosamente aos missionários.

Mas, e o despertar para as missões...


Guiné-Bissau precisa de ajuda com urgência

– O desejo veio lentamente. Aos 13 anos, senti o impulso missionário durante um retiro no seminário. Depois que o pregador falou das missões, fui procurá-lo. “Calma! – ele disse – com o tempo Deus vai te mostrar o caminho”. Bem mais tarde, no tempo em que trabalhava na Bahia, participei do Congresso Missionário Latino-Americano, em Belo Horizonte, o COMLA 5. Durante o Congresso amadureceu-me, finalmente, a idéia de ir para as missões ad gentes. Entretanto, era só uma bela idéia.

Depois, retornando a Santa Catarina, reiniciei o contato com o padre De Coppi. Estudei mais profundamente as origens da Igreja e a Redemptoris Missio. Concluí que a arquidiocese deveria se abrir às missões ad gentes. Coloquei-me à disposição do arcebispo, até por escrito, para representar a diocese em missões além-fronteiras. Sugeri que o Pime seria a melhor forma de nos lançarmos a essa ação, porque a arquidiocese ainda não tem estrutura própria para esse tipo de trabalho. O Conselho Presbiterial aceitou a proposta e estou, no momento, me encaminhando para isto.

Por tempo indeterminado?

– Por 5 anos. Quero acentuar que a missão não é de um padre, é da arquidiocese. É ela que se abre às missões além-fronteiras. O importante não é o padre Lúcio estar partindo, mas a arquidiocese estar enviando um sacerdote às missões. Então, durante os próximos 5 anos estarei associado ao Pime, mas ligado à arquidiocese, conforme o contrato assumido.

E então...?

– Então eu sonho, a partir da experiência feita, em abrir uma frente missionária que, devagarzinho, a arquidiocese assuma, porque não tem mais retorno. Todo mundo pede, a Igreja pede, Cristo pede. A idéia é criarmos tradição entre as dioceses irmãs, porque é um sinal da maturidade da Igreja diocesana.

Afinal, o senhor está de partida para onde?

– Meu desejo inicial era a China, mas ela não aceita missionários. Aí, pensei no Japão. Eu deveria, porém, aprender inglês, para, depois, aprender o japonês e percebi que, em 5 anos, isso não teria lógica.

Sei também que meu amigo dom Pedro Zilli, bispo brasileiro do Pime em Bafatá, na Guiné Bissau, precisa com urgência de ajuda. Naquela diocese, onde só 7% da população é cristã, não falta trabalho. Então, é para lá que estou indo. Assim mesmo, serei obrigado a falar, além do português, que é a língua oficial, o italiano, o francês, o criollo e uma ou outra língua local.

Saindo do país, a gente enriquece nossas dioceses e elas se despertam às missões além-fronteiras. A de Florianópolis toma consciência do trabalho que se faz fora dela. Quando a gente conhece a fundo um trabalho missionário, enriquece-se cada vez mais.

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