Revista "MUNDO e MISSÃO"
Testemunhos da Vida Missionária
- fazer o bem a todos, comunicar Deus. A congregação vem à luz, também como decorrência da cultura. Alberione participara de um congresso no qual o sociólogo italiano, Giuseppe Toniolo, ao descrever a realidade social e eclesial do século que estava para nascer, enfatizava a necessidade de novos apóstolos que atuassem no “hoje” da História, com os meios também usados nem sempre para o bem. Nesse tempo, embora de forma incipiente, iniciavam-se as invenções das tecnologias de comunicação, a forte expansão da imprensa e o início das transmissões radiofônicas. Alberione se inquieta! Com suas angústias e alegrias, mas também com o seu coração de apóstolo, analisa, reflete, contempla a humanidade. Ele se acerca de pessoas que igualmente se preocupam com as idéias do modernismo, que dialogam sobre a crescente falta de sentido, de Deus, na sociedade, e com a situação eclesial bastante despreparada para ser e indicar rumos de esperança para a sociedade da época. O que fazer pela humanidade que nascia com o “novo século”?. O Espírito leva Alberione ao encontro do maior desafio cultural da época – utilizar as novas tecnologias da comunicação a serviço do Evangelho. Bem antes mesmo que a própria Igreja se apercebesse, pois oficializa o uso dos meios de comunicação para a evangelização somente em 1963, Alberione funda, já em 1915, uma congregação de religiosas, as Irmãs Paulinas, para evangelizar através das tecnologias da comunicação.
Deus é a finalidade de tal missão, confiada às Paulinas. Para isso, é preciso apresentar a Palavra de Deus e falar de “forma cristã” às pessoas do tempo atual, usando as linguagens da comunicação, e entrar, decisivamente, na cultura da comunicação. Alberione deixa à Igreja um carisma profético, desafiante e santificador, fruto do espírito e de sua criatividade, que continua nas Paulinas espalhadas em 52 países. Elas são mulheres consagradas a Deus para o anúncio do Evangelho, com as novas formas, linguagens e meios de comunicação. Tiveram como mãe a co-fundadora Tecla Merlo, na qual as Paulinas também se inspiram para seguir o Mestre Jesus e Alberione. É significativo o nome “Paulinas”, que vem do apóstolo Paulo, inspirador desse carisma na Igreja. De Paulo, as Paulinas aprendem o amor ao Evangelho, a abertura a todos os povos, a audácia para atuar em situações sempre novas e desafiadoras, próprias dos meios de comunicação social.
MISSIONARIEDADE PAULINA Do Oriente ao Ocidente, a qualquer hora, irmãs e leigos trabalham, em alguma parte do mundo, na evangelização pelos meios de comunicação. Adaptando esse carisma a diferentes culturas, vocações nativas e missionárias seguem o conselho do fundador, o bem-aventurado Padre Tiago Alberione: - “Não se apressem em fazer muita coisa, mas em fazer bem”. A primeira Paulina a adentrar em outra cultura foi a irmã Dolores Baldi, que chegou a São Paulo, em 1931. Em dezembro do mesmo ano chegava a irmã Estefanina Cillario, e em 1932, a irmã Marcelina Bertero. Hoje, a missionariedade paulina tem mão dupla. Com cerca de 250 irmãs no Brasil, 25 atuam como missionárias em 12 países. A expansão das Paulinas pelo mundo recebeu um novo impulso no início dos anos 1990, com a implantação do projeto Novas fundações que “consistia na abertura de comunidades Paulinas em vários países, nos quais a presença religiosa se sentia necessária, principalmente com o objetivo de divulgar a mensagem cristã com os meios de comunicação social” – afirma a irmã brasileira Natália Maccari, coordenadora do SIA (Secretariado Internacional do Apostolado), sediado em Roma (Itália). Na época (1992) em que o projeto começou a ser colocado em prática, de 14 países escolhidos para abrigar uma nova missão paulina, em apenas dois, Coréia do Norte e Vietnã, não foi possível implantá-la devido a impedimentos religiosos e políticos. Hoje, porém, já existe uma missão no Vietnã. “Conheço algumas nações em cada continente onde estamos e constato que há dois traços característicos: em todas somos nós mesmas e em cada cultura somos diferentes. Ou seja, em cada cultura as Paulinas têm o seu próprio rosto e o jeito do povo do lugar onde estão” – testemunha irmã Élide Pulita, responsável pela direção-geral do Apostolado no Brasil. MISTURAR-SE AO POVO O segredo do bom desenvolvimento da missão paulina é a inculturação. “Sem se misturar ao povo e conhecer seus hábitos não é possível evangelizar. O missionário precisa aprender a língua local, saber ouvir, para depois apresentar a mensagem de Cristo” – orienta irmã Maria Ema Tomasi, que trabalhou oito anos em Madagascar (África) e há dois está em Moçambique. “O maior desafio é a inculturação. De repente você fica sem raízes, sem história. E, para conviver em espírito de diálogo e respeito às diferenças, é preciso um longo aprendizado. É como nascer de novo. Aprender a soletrar a língua, incorporar os gestos, aceitar os comportamentos culturais” – completa irmã Carmen Pulga, que de 1972 a 1977 trabalhou na Austrália. “O meu testemunho de viver onde o cristianismo se assemelha a uma semente de mostarda, o que fala alto para milhões de budistas, xintoístas, hindus, ateus e demais crenças, é a nossa solidariedade, acolhimento e renúncia” – afirma irmã Miriam Rotta, missionária em Macau, na China. “Tudo é desconhecido, menos a Palavra e a Eucaristia. A solidão se desfaz na medida em que nasce um novo relacionamento” – lembra irmã Jesualda Liberali, que viveu 18 anos na África. “Quando a gente vai por terras estranhas, o segredo é deixar as pessoas entrarem em nossos corações e ver no outro o coração de Cristo” – descreve irmã Maria Pedrina, que viveu 42 de seus 79 anos como missionária na Venezuela e em Porto Rico. “Cheguei com 5 dólares no bolso e Jesus Cristo no coração. Hoje a missão está consolidada” – alegra-se. Conviver com diferentes culturas é uma característica da missão paulina, incutida desde o início na formação das jovens que desejam viver esse carisma. Irmã Rosa Maria de Jesus, de 92 anos, a terceira vocação surgida em terras brasileiras, é testemunha disso: “Fui missionária no Congo durante quase seis anos, de 1960 a 1965, e depois parti para a Itália, onde fiquei até 1970. O crescimento da missão pelo mundo foi fruto do trabalho de todas nós,” – garante irmã Rosa. Irmã Estefanina Cillario, missionária italiana que deu início a vários trabalhos das Paulinas no Brasil, com seus 93 anos, diz: “A Irmã Paulina, inspirando-se em São Paulo, ama o mundo e em qualquer parte dele, como São Paulo, sabe viver” * Ivonete Kurten é irmã paulina, jornalista e atualmente exerce sua missão apostólica na Redação das revistas Família Cristã e Diálogo – revista de Ensino Religioso. |
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