Revista "MUNDO e MISSÃO"

Saúde


Redação - mundomissao@terra.com.br

O homem se considera senhor da criação e se dá o direito de moldá-la conforme as ambições e posses das instituições que ele representa. Entretanto, vê-se cercado por vírus insaciáveis, sempre mais letais, provenientes do habitat ou de manipulações genéticas.

pesar dos incríveis avanços em todos os ramos das ciências e com tantas conquistas tecnológicas, o homem é ainda um animal amedrontado. Amedrontado com o semelhante, mas não com o vírus, que pode derrubar a ambos.

Veja:

1.º Em 2007, o total dos gastos militares mundiais, segundo dados do Instituto Internacional de Pesquisa de Paz de Estocolmo, somou 1,339 trilhão de dólares. O orçamento militar aprovado pelos EUA para 2009 é de 606,5 bilhões de dólares. Os valores brutos do Brasil para o setor somam 21,6 bilhões de dólares.

2.º Aproximadamente ¼ do orçamento da Coreia do Norte é consumido em investimentos bélicos. Outros países em desenvolvimento também se refugiam atrás de arsenais cada vez mais agressivos.

3.º “As estimativas dos custos em longo prazo da guerra do Iraque, incluindo benefícios aos veteranos que se estenderão ao futuro distante, variam de entre US$ 1 trilhão e US$ 2 trilhões, nos cálculos do Serviço Orçamentário do Congresso, a até US$ 4,5 trilhões, nas contas dos economistas Joseph Stiglitz e Linda Bilmes” (Folha de São Paulo, 01/10/2008, Tom Engelhardt, tradução de Paulo Migliacci).

Corrupção: um vírus insidioso

“A má gestão é um acontecimento recorrente no Judiciário, má gestão no sentido de má aplicação das verbas públicas, de concentração de cargos de confiança em demasia, principalmente localizados nos tribunais” (Gilson Dipp, corregedor nacional da Justiça, para o jornal Estado de S. Paulo (07/06/2009). É desnecessário citar outras varetas do leque público que leva o dinheiro do contribuinte para o ralo nacional.

Nuvens pesadas

Laurie Garret fala, no seu The betrayal of Public Health, que “a saúde pública ficou desleixada em todos os lugares, abrangendo os EUA e, seguramente, o Brasil. A população é bem maior do que em 1918; muitos locais defrontam-se com atendimento precário e não se afigura factível levar à grande parte da comunidade o que a Medicina pode proporcionar.

Não devemos nos enganar: não estamos — e nem os países mais desenvolvidos estão — capacitados a enfrentar uma pandemia de gripe com P maiúsculo” (Vicente Amato Neto e Jacyr Pasternack, médicos - Revista do Biomédico - n.º 72).

Se também você está preocupado, envie-nos suas reflexões.
Provavelmente, elas nada mudarão ao seu redor,
neste momento, mas demonstrarão um coração
legitimamente indignado.
E é de lá que surgirá um novo tempo.

Semelhanças e diferenças

Endemia: É uma doença de duração contínua que ocorre em área determinada de uma região. É ocasionada por um ou mais agentes patogênicos locais. Sua incidência é constante, sem grandes oscilações. Diz-se, por exemplo, que a febre amarela é uma doença endêmica, sempre presente em áreas equatoriais úmidas, como na Amazônia.

Epidemia: É uma doença infecciosa, transmissível, que pode se espalhar rapidamente por várias regiões, originando um surto. A incidência ocorre devido a uma mutação do agente transmissor ou ao surgimento de uma causa até então desconhecida. Ao contrário da endemia, a epidemia ocorre em picos, o que exige das autoridades sanitárias e da sociedade contínua vigilância, para que ela não se transforme em pandemia. As gripes são exemplos de doenças sazonais.

Pandemia: É uma epidemia que atinge grandes proporções, sem controle, com a tendência a se espalhar por um ou mais continentes ou por todo o mundo, e pode causar inúmeras mortes ou destruição de cidades e regiões inteiras. Durante o século XIV, a “peste negra”, trazida por ratos do Oriente e disseminada por pulgas, ceifou milhares de vidas em inúmeras cidades européias. Atualmente, várias viroses (ebola, HIV, influenza A H1N1, febres de Lassa e de Marburg,...) têm o potencial para se tornar pandemias.

Como ondas

Inúmeras pandemias têm acompanhado os passos dos povos.

As mais virulentas, a partir do século 20, foram as seguintes:

Gripe Espanhola

- Deixou o maior rastro de mortes ao infectar, em 1918, 40% da população mundial, principalmente adultos jovens. Matou entre 30 e 50 milhões de pessoas. Gripe asiática. Privou da vida dois milhões de indivíduos, em geral idosos. Foi causada por um vírus humano em contato com vírus de patos selvagens.

Gripe de Hong Kong

Um subtipo de vírus, diagnosticado em Hong Kong em 1958, espalhou-se pelo planeta e matou 1 milhão de pessoas.

Sars (Severe Acute Respiratory Syndrome)

Não é vírus influenza (gripe), mas apresentou sintomas equivalentes. Oitocentas pessoas morreram em decorrência da síndrome.

Gripe suína (A H1N1)

A grande vilã do momento surgiu no México, infectou milhares de pessoas, muitas das quais morreram em consequência do contágio, transmitido pelo ar ou pelo contato com as secreções dos doentes.

Obs.: Em 1976, o Zaire foi surpreendido por uma febre hemorrágica proveniente do vírus ebola.
A febre atingiu 1.500 pessoas, das quais morreram 90%.

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