Revista "MUNDO e MISSÃO"

Leigos

A PALAVRA gera a missão

Líbero Zappone, Odete, Edna e Osmarina

Uma paróquia viva, missionária, formada pela Palavra de Deus e anunciadora da Boa Nova

Nossa paróquia tem a Bíblia como centro de sua vida cristã. Começamos montando uma escola da fé, estudando os Atos dos Apóstolos e fazendo propostas de vida: se os primeiros cristãos viviam assim, nós não poderíamos reproduzir o mesmo estilo dentro da realidade do mundo de hoje? Foi assim que, aos poucos, construímos a paróquia-comunidade, na qual todos se sentem como numa família, participantes e co-responsáveis.

Paróquia-comunidade

Começamos a criar as equipes, os ministérios e os serviços que assumem uma atividade, de acordo com as necessidades. Assim, incentivamos os catequistas e os ministros da Eucaristia: hoje, são respectivamente 224 e 113 entre a cidade e a zona rural.
O município de Socorro, SP, tem cerca de 32 mil habitantes, metade na cidade e a outra na zona rural. Dividimos a cidade em setores e na zona rural temos 32 capelas, cada uma com seus ministros da Eucaristia, catequistas, organização do dízimo e culto dominical.
Na base de tudo, há a formação permanente que é dada no centro e depois repassada nos setores e capelas. No centro, temos, quinzenalmente, a escola da liderança, que reúne todos os líderes, dando formação sobre a Bíblia ou os documentos da Igreja. Os líderes levam para frente, cada um em seu lugar, a escola da Palavra sobre os textos da liturgia dominical. Os agentes, de uma maneira ou outra, reúnem-se periodicamente para uma avaliação, um aprofundamento, um retiro espiritual. Tem havido muita receptividade e nossa comunidade está se tornando viva, dinâmica, missionária, na linha da nova evangelização.
Valorizamos os momentos fortes, como a Campanha da Fraternidade, a novena de Natal em família, que envolvem todo mundo e suscitam novas lideranças. A administração dos sacramentos é muito cuidadosa: não fazemos às pressas, mas exigimos sempre um tempo de preparo. Para isso tem o catecumenato de noivos e do batismo. Nós não negamos os sacramentos a ninguém, mas pedimos como condição que haja uma fé proclamada, celebrada, testemunhada e que se transforme em oração. Nesse sentido, temos certo rigor, mas conseguimos recuperar muitas pessoas e houve até algumas que se tornaram líderes dentro da comunidade.

Missões populares

Uma experiência que estamos levando para frente, nos últimos dois anos, é a missão popular. Até agora já fizemos em sete setores da cidade e em duas capelas rurais e pretendemos chegar a todos os outros setores e capelas. No primeiro ano, usamos material criado por nós, mas, no ano passado, aproveitamos aquele preparado pela CNBB e as Pontifícias Obras Missionárias ("Santas Missões Populares"), adaptando-o à nossa realidade. Todas as pastorais são envolvidas.
O espírito das missões é criar comunidades e fazer discípulos, de maneira que eles façam novos discípulos. Temos a preocupação de valorizar, ao máximo, o trabalho dos leigos, dando-lhes todo o espaço, pois o leigo não é ajudante e sim co-responsável da missão evangelizadora e, em nossa comunidade, esta idéia foi assimilada.
A responsável pelas missões populares é a equipe do Comipa (Conselho missionário paroquial), composto por membros de todas as pastorais e grupos. A eles se juntam os líderes do bairro em que se faz a missão e os voluntários. São feitas duas ou três reuniões - com todos - para explicar e dividir o bairro em setores a fim de organizar as visitas às casas. Em cada grupo há um da equipe do Comipa para acompanhar. Nas visitas, não deixamos ninguém de fora, seja católico ou de outra fé. Nossa preparação parte de um estudo do ecumenismo e das outras religiões para termos um diálogo amigável; com isso, fizemos muitas amizades. A formação permanente que recebemos na comunidade nos dá uma base para explicar e responder às pessoas: muitas famílias não conhecem Jesus Cristo e é importante que possamos levar sua mensagem. Notamos que, muitas vezes, as pessoas deixam o catolicismo por causa do nosso contra-testemunho e porque não são firmes na Palavra. Muitas pessoas meio afastadas voltam à Igreja, porque há muita sede de Deus; é só despertar um pouco esse sentimento que as pessoas respondem espontaneamente e assumem a responsabilidade, valorizando-se.
Depois da visita, faz-se uma semana forte de oração e de meditação sobre a Bíblia, com um tema para cada dia: todos são convidados (família, jovens, idosos, crianças). Os encontros acontecem na capela, quando tem, senão, em pontos estratégicos do bairro, para dar uma maior oportunidade ao povo. Encerra-se a semana com a Missa.
No momento da missão, não são ministrados sacramentos; só encaminhamos as pessoas ao pe. Líbero depois de uma conversa séria e, a partir daí, são ministrados os sacramentos (casamento, batismo...).

Casas para os pobres

Há também um trabalho social, como palestras de conscientização sobre câncer de mama, de colo de útero, aleitamento materno, AIDS e droga, vida familiar, globalização, desemprego. Contamos com o apoio da prefeitura e da comunidade. O prefeito, que é de outra religião, empresta o odontomóvel com toda a aparelhagem odontológica e um grupo de profissionais doa seu tempo e sua competência, ficando de plantão durante toda a semana. A prefeitura doa também o material odontológico. A pastoral da criança também faz plantão. Depois, encaminhamos as pessoas aos órgãos competentes, porque a nossa é uma ajuda momentânea, para as necessidades mais urgentes.
A continuidade ainda deixa a desejar: temos que organizá-la melhor. Durante as missões é aquele entusiasmo, a participação é até boa, mas depois há quem persevere, mas outros não. Pretendemos estudar melhor uma maneira para continuar acompanhando. Como primeiro passo, fizemos um levantamento, nos bairros em que passamos, de pessoas que poderiam formar as comissões missionárias comunitárias locais, para que haja equipes de visitação permanente no lugar, continuando o trabalho da missão.
Em geral, na comunidade, incentivamos ao máximo a visita às famílias. Por exemplo, as catequistas da Primeira Comunhão visitam os pais das crianças, os agentes de pastoral do matrimônio e do batismo visitam as famílias e há muito retorno.
Temos consciência de que nossa paróquia é missionária, mas deve crescer mais, sobretudo na abertura à dimensão universal que, na comunidade, é ainda um embrião, embora estejamos tentando passar essa idéia.
Um aspecto que dá alegria é o despertar vocacional: temos uma jovem de uma comunidade rural que vai fazer em breve os primeiros votos como religiosa; dois teólogos no seminário da nossa diocese de Bragança Paulista e um seminarista franciscano. Existe uma pequena equipe para incentivar a dimensão vocacional e aqui pode entrar a vocação missionária universal que lembramos nas pregações e nos encontros.
Quando, no início, estudamos os Atos dos Apóstolos, uma das propostas foi o dízimo e algumas pessoas, espontaneamente, abriram uma conta que começou a crescer e, sem dificuldade, pudemos cobrir as despesas ordinárias da comunidade. Na nossa reflexão, o dízimo é conseqüência de uma vida comunitária, na qual todos são co-responsáveis. Como fruto disso, nasceu, em 1996, o Projeto Betânia, expressão da dimensão social do dízimo: são casas construídas pela comunidade e dadas em uso a famílias pobres com renda de até 3 salários mínimos. Há uma seleção entre as famílias que fazem o pedido e a escolha final acontece por sorteio, dado o número elevado de pretendentes. Os primeiros 6 meses são de experiência e, se der certo, assinam um contrato de 3 anos, renovável até um máximo de 6. Nesse período, devem se esforçar para sair da indigência e até abrir uma poupança. Até agora construímos 7 casas geminadas, mas confortáveis, que hospedam 14 famílias. Outras estão previstas a curto prazo. Uma comissão e várias sub-comissões da paróquia acompanham as famílias nas questões de educação, espiritualidade, trabalho e saúde.

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