Revista "MUNDO e MISSÃO"
Igreja no Mundo - Ásia
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Carlo Torriani
Mas tais símbolos são mais ostensivos no sul da Índia. Em Vailankanny, além da imagem característica de Nossa Senhora local, há estátuas de Nossa Senhora de Lurdes, de Fátima, de Santo Antônio, São Roque, São Miguel e São Jorge. Em Eluru, onde está a casa regional do Pime e onde a diocese existe apenas há 25 anos, encontramos uma espécie de torre, em três andares, com escadas, utilizadas pelos devotos, repletas de estátuas em cada pavimento. Em um deles, chegamos a contar seguramente dezesseis: - Sagrado Coração, Cristo Rei, Jesus Ressuscitado, Nossa Senhora de Fátima, de Lurdes, de Vailankanny, São Francisco de Assis, São Francisco Xavier, Santo Antônio de Pádua, Santa Terezinha e outros santos não bem identificáveis, como várias estátuas de anjos. Na entrada do térreo havia uma estátua de madre Teresa de Calcutá. Mais tarde, um missionário nos confirmou que, também nas capelinhas das aldeias, os fiéis gostam de ter muitas estátuas, assim como os hinduístas as têm em seus templos. Estátuas de animais Na estrada de Bhadrachalam, visitamos um templo hinduísta, multicolorido e repleto de estátuas. Aí, porém, predominavam estátuas de animais: - tigre, pavão, touro, elefante, macacos, gazelas, serpentes. “Como se faz para adorar estas criaturas?”, quis saber o meu companheiro de viagem. Expliquei-lhe que não se trata de adorar tais animais, mas que esses templos celebram a emergência da vida, que procede do caos do mundo. Ou seja, representam a elevação do humano do meio de muitas vidas animais e a ascensão do divino no interior de cada ser vivo. A deusa Kali, no dorso de um tigre, representa o domínio e a supremacia da vida humana. Ganapati (divindade popular hindu), com a cabeça de elefante, significa a domesticação da força imponente do elefante com o intuito de obter benefício. Hanuman, o deus macaco com feições humanas, celebra o processo de humanização do mundo animal. O homem da floresta sempre admirou e temeu a força do elefante e a agilidade dos macacos. Sempre desejou possuir tais qualidades e, assim, acabou obtendo-as ao inventar Ganapati e Hanuman. Para o indiano, Deus não se revelou de fora, da sua transcendência. Os Upanishad (livros sagrados) dos videntes evidenciam uma transcendência, mas o deus do povo simples vem de dentro de cada ser humano e de todo ser vivo. Ganapati e Hanuman são a celebração dessa emergência do humano e do divino no interior de cada criatura. Este processo merece, por si mesmo, respeito e veneração. Muitos cristãos se esquecem que também temos bom número de animais na nossa simbologia religiosa: - pomba, peixe e pelicano, águia, touro e leão e até serpente, como símbolo da salvação. “Como Moisés levantou no deserto a serpente, assim também importa que seja levantado o Filho do Homem, a fim de que todo o que nele crê, não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3, 14). |
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