Revista "MUNDO e MISSÃO"
Igreja no Brasil
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Um grupo de voluntários e benfeitores articula-se para sustentar a obra, a partir da estruturação do Banco da Misericórdia, responsável por receber e distribuir os recursos financeiros e profissionais, necessários para manter a associação. Faz parte da Aliança da Misericórdia um movimento de leigos, chamado Grupos Arco-Íris, presentes em dezesseis cidades brasileiras e em Cagliari, na Itália. Os leigos dos Grupos Arco-Íris são hoje mais de 500 pessoas, que “sentem o mesmo desejo de doar sua vida para o próximo, realizando trabalhos sociais e de evangelização, para resgatar a dignidade humana, moral e cultural daqueles que se encontram em situação de exclusão social”, informa o Pe. Antonello. UM NOVO SENTIDO A jovem Associação é um fermento na massa, que não pára de se expandir. O segredo do sucesso é a âncora em que os fundadores baseiam sua ação: o Evangelho. Não é à toa que a chave do movimento é a expressão: “Evangelizar para transformar”. “Nenhum projeto humanitário puramente social e humano pode vencer a barreira da exclusão se também não evangelizar”, afirma padre Giampietro. Ele continua: “é preciso evangelizar em cada canto, em cada situação, lutando contra qualquer barreira. É para isso que Jesus nos chama! Evangelizar, sentir o amor misericordioso de Jesus, o calor de sua Palavra criadora, que infunde em tudo um novo sentido”. O novo sentido é o que se percebe quando se vive apenas o momento presente, lembra padre Antonello. Ele diz que é preciso “viver o agora como uma oportunidade única de fazer alguma coisa nova para nos tornarmos santos. Cada momento deve ser cheio, embebido, de uma nova vida.
E a disciplina do momento presente é a oração. Escutar atentamente aquilo que Ele fala agora conosco. Ele tem compaixão de nós, cuida de nós”. Imbuída do Espírito, a Comunidade abraça o excluído, conforme as palavras do sorridente padre Enrico, que escreveu: “Consagrando-nos ao Pai para servir aos irmãos, conformando-nos a Cristo na vida do Espírito. Preguemos nossos braços na cruz, a fim de que a nossa vida seja o abraço da misericórdia sobre a humanidade toda. (...) Do pobre aprendemos o sabor do pão e o valor da migalha. (...) Pediremos lugar no coração do homem, para que ele possa novamente ocupar seu espaço no coração de Deus” (do livro: “No oceano da Misericórdia Infinita”, Palavra e Prece Editora Ltda, pág. 107). Todos os membros das várias casas fazem da oração, da Eucaristia e da adoração ao Santíssimo o alimento freqüente para sua jornada de trabalho. E seguem os ensinamentos de Santa Teresa de Ávila, que disse: “A santidade ainda não é o fim, mas o meio de voltarmos a ser imagem e semelhança de Deus, conforme saímos de suas mãos”. Eis porque o trabalho se torna uma festa.
O RESGATE DA DIGNIDADE HUMANA Pe. Antonello diz que a associação, nascida do seio de Maria Santíssima, trabalha para o resgate e a restauração dos irmãos mais necessitados: moradores de rua, presidiários, drogados, prostitutas. “Por isso somos chamados a ser ‘Pontes de Misericórdia’ entre pobres e ricos, pequenos e grandes, marginais e policiais, centro e periferia”. Os eixos do carisma da Associação são: caridade e evangelização. Por isso, “vivemos sete diferentes expressões do amor, como cores de um arco-íris de Misericórdia”, afirma padre Antonello. A seguir, ele vai elencando cada cor desse arco-íris, conforme o carisma dos seus membros: – Os Servos da Misericórdia
atuam como pobres, no meio dos pobres e a serviço deles; Os membros e voluntários destas pastorais atuam em colégios, presídios, Febem, teatros, paróquias, favelas, em dezenas de cidades, nos vários Estados da Federação, após longo período de preparação espiritual e técnica nos Centros de Irradiação. Além dos Centros de Irradiação, a Aliança da Misericórdia mantém creches, oficinas de aprendizado, centros de convivência, escola de alfabetização e telecursos, casas de acolhida para crianças, jovens, adultos, idosos, etc. Projetos sociais estão inseridos nas pastorais, como o convívio permanente com os drogados, explorados e prostituídos moradores de rua, carentes de alguém que lhes resgate a dignidade e a inserção social. Projetos de reciclagem de descartáveis e oficinas de trabalhos artesanais geram empregos, em forma de cooperativa para o povo excluído. E OS FRUTOS COMEÇAM A APARECER Mais de trezentas pessoas já foram assistidas, recuperadas ou inseridas, nas 18 Casas de Acolhida (6 para adultos, 11 para crianças e uma para meninas e mães solteiras com seus filhos). Oitenta por cento dos que chegam drogados recuperam-se definitivamente, segundo pesquisa da própria instituição. E muitos deles pedem para se consagrar. Entre crianças e adolescentes, 460 pessoas são atendidas nas três creches e no espaço de convivência. Duzentas e cinqüenta pessoas são atendidas diariamente no Centro Social de Taipas (SP), através do Reforço Escolar, Alfabetização de adultos, Telecurso de 1o e 2o graus. A pastoral da Caridade dá assistência a 550 famílias, a cada mês. A Casa Restaura-me oferece assistência médica, odontológica, psicológica, jurídica, alimentação e higiene para moradores de rua, a uma média de 1.200 pessoas por mês. O Mutirão Internacional Restaura-me (MIR) planeja grandes encontros com jovens do mundo inteiro para desenvolver-lhes a amizade, o convívio e a oração fraterna. Tudo é radical nesta Associação: os problemas de sobrevivência, pois ela vive da Providência e da solidariedade humana; a esperança de construir uma sociedade mais justa e cristã; mas, sobretudo, a misericórdia e o amor de Deus, que nunca abandonou seus idealizadores e colaboradores. CONTATO Fraternidade
de Aliança
Na época, ansioso pela vivência do carisma franciscano, ele explicava: “A ‘Toca’ é o lugar em que o coração de cada membro da Fraternidade acolherá os pobres irmãos de rua. O lugar onde eles encontrarão o amor de Deus, por serem amados e acolhidos”. A Toca de Assis é uma fraternidade católica, que se inspira nos ensinamentos de São Francisco de Assis (1181-1224), em seu zelo eucarístico e amor pelos pobres. As casas da Toca acolhem mendigos, aos quais fornecem assistência médica, psicológica, alimento, fé e oração. E lá há adoração perpétua ao Santíssimo Sacramento. O nome “Toca de Assis” é uma referência à cabana abandonada ou toca, perto de Assis, na Itália, onde São Francisco e seus primeiros seguidores acotovelavam-se em oração e silêncio, privados de conforto, alimentos e tudo o mais. Francisco transformou a toca em local de acolhimento de pobres e leprosos. Quando Roberto foi ordenado padre, em dezembro de 1996, a obra já contava com a ajuda de 80 jovens que, entre a pastoral de rua e a primeira casa de acolhimento, prestavam atendimento aos sofredores de rua. Hoje, ele afirma que “onde está o pobre está a Toca e onde está a Toca está o pobre, unindo os pobres à Eucaristia de Nosso Deus!”. CARISMA “A Toca é uma associação pública de fiéis – explica o fundador – que se firma sobre três pilares.
Eles formam o seu carisma:
A Família Toca de Assis é formada por religiosos, os Filhos e Filhas da Pobreza do Santíssimo Sacramento e por leigos. Os religiosos assumem a vida consagrada não-clerical, com os votos de obediência, pobreza e castidade. Os leigos não aspiram à vida religiosa, mas vivem o carisma da instituição.Entre eles, estão os servidores, auxiliando os guardiões nas casas fraternas. Existe também um grande número de benfeitores, que se comprometem mensalmente com doações para o sustento das mais de cem casas espalhadas por vários Estados brasileiros. “No centro desta grande família, está Jesus no Santíssimo Sacramento e nos amados acolhidos!”, declara o Pe. Roberto. O fundador explica porque Filhos e Filhas da Pobreza do Santíssimo Sacramento: “Filhos e Filhas porque nascemos da adoração a Nosso Senhor Jesus Cristo. Da Pobreza porque a nossa alegria é sermos pobres e encontrar Jesus nos sofredores de rua. Do Santíssimo porque é com Ele, por Ele e para Ele que queremos consumir nossa vida através da Igreja Católica”. Além de São Francisco de Assis, são também patronos da Toca São Pio de Pietrelcina (1887-1968), sacerdote capuchinho, e Santa Catarina de Sena (1347-1380), leiga da Ordem Terceira de São Domingos e Doutora da Igreja. “E assim, a Toca de Assis é formada: de consagrados e leigos”, esclarece padre Roberto. A VIDA CONSAGRADA Samuel, um irmão consagrado, explica para MUNDO e MISSÃO os passos para a vida consagrada: “Nossa formação enxerta-se na nossa espiritualidade, cujo centro é o Santíssimo Sacramento. O primeiro passo é o retiro vocacional. Terminado o retiro, o postulante entra numa fase de vocacionado interno, que dura seis meses. Torna-se aspirante, postulante de primeiro e, depois, de segundo ano, quando se torna noviço. Então, faz os votos de obediência, pobreza e castidade diante do bispo. Esses são, basicamente, os principais passos para a vida consagrada”. Samuel fala com paixão de sua opção: “a grande alegria para nós é o grande tesouro da Igreja católica, o Santíssimo Sacramento. Ele é o carisma da Toca de Assis. O carisma da adoração perpétua, do amor, do zelo, do mistério mesmo da Santa Missa. E a conseqüência do mistério, que é a Eucaristia. Ela nos leva à ação, ao cuidado com os mais pobres. Oração e ação, amor aos menores, aos abandonados, aos sofridos, aos caídos, aos excluídos”.
“No começo foi um pouco difícil, porque meus pais não aceitavam minha vida de pobreza. Eu tinha 17 anos na época. Meu pai veio com a polícia atrás de mim. Vendo a minha perseverança, a minha oração, hoje toda a família aceita a minha opção. Ela percebeu que aquilo era mais do que empolgação. Que foi realmente o chamado de Deus. A alegria de ser um consagrado é maravilhosa porque tenho a certeza que, hoje, vivendo na fraternidade, posso alegrar o coração de Nosso Senhor”. Uma jovem consagrada assim se expressou: “Eu era de uma comunidade religiosa das irmãs de Maria de Schoenstatt, em Atibaia, SP, onde fiquei seis anos. Vi que aqueles anos foram de preparação para algo diferente, a Toca de Assis. Hoje, a Fraternidade me faz reviver o amor, a cada dia. Principalmente àqueles que mais precisam, os irmãos da rua. Depois da adoração, a gente tem a força e a alegria de ir ao encontro de nossos irmãos que, para nós, são o Cristo sofredor, presente neles. É uma alegria muito grande fazer parte da Fraternidade, e de ser, pelo menos um pouquinho, Jesus para os irmãos que sofrem”. ONZE ANOS DE TOCA
Mais de 50 casais de aliança completam a grande família. DEPOIMENTOS Em 2004,
a Toca completou dez anos. Cardeais, bispos, sacerdotes “Quando me perguntam o que é a Toca de Assis, respondo: é um lugar onde as pessoas são capazes de fazer coisas pelo pobre que nem eu tenho coragem de fazer. Esse oásis da Toca em meio à Igreja anuncia que Jesus vive no pobre” (Dom Serafim Fernandes de Araújo, Cardeal de Belo Horizonte / MG). “A nossa convivência tem me tornado mais humano e fraterno e me ajudado a aprofundar o mistério da vida e do Amor” (Pe. Júlio Lancellotti, do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente, São Paulo / SP). “Eu era uma pessoa nervosa, não acreditava em Deus, em nada. Nunca acreditei que existissem pessoas tão jovens que largassem tudo para cuidar dos pobres e nos dessem atenção. Eu fui vendo e meu coração foi mudando, acreditando que Deus existe. A Toca é hoje a minha família. Ela me trouxe Jesus, que é tudo para mim” (Maria Aparecida, acolhida em Cotia / SP). “Quando fui dormir na praça do Carmo, em Campinas, estava muito louco de pinga. O (seminarista) Roberto chegou e dormiu comigo em uma caixa de geladeira. Isso já faz doze anos. Ele me levava para tomar banho na rodoviária, comprava roupas e bandeco (marmitex) prá mim. Aí nasceu a Toca de Assis e também a primeira casa no Bairro Castelo...” (José Eloi, acolhido em Campinas / SP). “Eles trabalham muito, dormem no chão. Mesmo ocupados, quando é preciso, largam o que estão fazendo e voltam-se ao acolhido. Eles cuidam de acamados e não acamados. Os acamados dão mais trabalho, pois têm que dar banho, café, levar para tomar sol, cuidar dos ferimentos. O que a Toca faz, faz com uma alegria que me deixa bobo”. (Paulo Freitas, acolhido em São Paulo / SP). “Aqueles que nós, sociedade, rejeitamos são aqueles que a Toca vai e abraça!” (Myriam Rios, atriz). contato: |
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