Revista "MUNDO e MISSÃO"
Igreja no Mundo - África
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por Aurora Pellegrini
Ela teve uma grande história de testemunhos e de martírios até que, a partir dos séculos 12 e 13, começou declinar diante das invasões islâmicas que destruíram qualquer vestígio do cristianismo. Este, praticamente, desapareceu e os poucos cristãos que ficaram eram estrangeiros de passagem ou diplomatas. Uma Igreja, portanto, que não tinha vez, somente marcava sua presença e se dedicava especialmente aos necessitados: uma presença para transmitir uma esperança aos necessitados. Ainda hoje, essa Igreja, já provada pelo martírio de alguns membros, um bispo e monges, é chamada a sobreviver numa região marcada por conflitos étnicos e religiosos, com graves problemas econômicos que empurram milhares de pessoas a emigrarem, até clandestinamente, para a Europa. A Igreja é chamada a dar sua cooperação nesses países conturbados e, em primeiro lugar, deve favorecer uma cooperação no plano social. "A nossa presença no meio de uma população muçulmana"- explica mons Martinelli, vigário apostólico de Trípoli - "é um compromisso e uma responsabilidade. A nossa identidade não é uma bandeira para se contrapor às outras culturas, mas a ponte para construir uma cultura de amizade e de diálogo". O projeto é ambicioso e não pequeno, mas, apesar das múltiplas dificuldades, a Igreja do Magreb não parece se perder no desânimo ou arredar o pé. O arcebispo, dom Teissier, da Argélia, país devastado pelos confrontos entre fundamentalistas islâmicos e governo, evidencia esse fato: "Nós, católicos na Argélia, somos uma pequena minoria, porém, queremos construir uma Igreja de irmãos, que trabalhe no social, para que toda a população possa superar a crise e redescobrir uma sólida amizade". "No Marrocos" - explica dom Landucci - "temos mais ou menos 30 mil católicos, dos quais, 10 mil são idosos, estrangeiros que trabalham no país há várias gerações. Outros 10 mil são diplomatas e o resto são estudantes da África negra". Na Tunísia, os católicos são aproximadamente 20 mil, todos estrangeiros. A população local, todavia, pode ser um estímulo de trabalho. "As nossas celebrações" - sublinha mons. Martinelli - "são ricas de elementos locais. Os muçulmanos daqui são altivos, mas tolerantes. Parece que não há lugar para o fundamentalismo. Existe um islã que quer o diálogo e não podemos fugir desse anseio". Uma pequena semente num ambiente difícil, mas esperançoso de um futuro melhor. |
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