Revista "MUNDO e MISSÃO"

Igreja no Mundo - África

Camarões: construindo a Igreja local

Luis F. Machado da Silva

Irmão Luiz Fernandes Machado da Silva, brasileiro de Petrópolis e membro do P.I.M.E., já trabalhou vários anos nos Camarões. Após uma pausa de merecido descanso com sua família e uns anos para se formar em pedagogia catequética, está de volta à África, sua terra de missão, de onde nos fala de sua experiência como diretor do Centro catequético

Depois de dois anos (97-98), entre os meninos de rua em Yaoundé, fui enviado ao extremo norte dos Camarões, no assim chamado "bico do pato", a 16 quilômetros do Chade. Lá a temperatura chega constantemente aos 45 graus e a falta de chuva regulares já provoca fome entre as pessoas tão sofridas pela pobreza.

Nessa região Tupuri, o P.I.M.E. está presente com duas paróquias, cujas características são os grupos de catecumenato e a tradução da Bíblia e dos livros litúrgicos para as línguas locais. O maior trabalho nessa região é a formação de uma Igreja local sólida e preparada para os desafios. De fato, os primeiros missionários chegaram à região somente 50 anos atrás e encontraram uma enorme dificuldade em lidar com 45 etnias diferentes e outras tantas línguas. Por isso, o serviço escolhido foi a formação de catequistas para que eles fossem os responsáveis das diferentes comunidades espalhadas na imensa estepe dessa região. Em 1977, o P.I.M.E. assumiu, em nome da diocese, a formação de um Centro de catequese em Doubane.

Uma Igreja jovem

Por ser uma Igreja jovem no meio de uma grande maioria de muçulmanos e animistas, o batismo é administrado somente a maiores de 15 anos, na noite de Páscoa, após 4 anos de séria preparação. Além disso, o enorme pedido de batismos da gente daqui (249 pessoas receberam o batismo neste ano, nas duas paróquias), a distância, a quantidade de comunidades e a impossibilidade de atingi-las no período das chuvas fazem com que a formação de catequistas seja de importância vital para a Igreja local. São eles os verdadeiros líderes formadores dessas comunidades, não somente pela catequese dada, mas pela formação humana integral. São os missionários da primeira linha, pois são eles que fazem chegar às aldeias mais remotas, junto com a catequese, a alfabetização, a formação agrícola, as noções de higiene, a necessidade de vacinação e as melhorias em geral.
É nesse contexto que me encontro atualmente, após minha primeira experiência dos anos 97/98, quando dirigi este mesmo Centro Catequético por alguns meses, nas férias do então diretor, pe. Zoccarato. Agora, a região dos Camarões pediu-me que assumisse definitivamente esse trabalho, devido a minha preparação teológica e ao aperfeiçoamento que fiz, em Milão, em pedagogia catequética. Por isso, já estou aqui para assumir esse serviço.

O centro catequético

Mas o que é e qual a importância de um centro catequético nas missões? É um lugar entre escola e fazenda. Aqui no nosso Centro estão reunidos 16 catequistas selecionados de toda a diocese e de etnias diferentes. A preparação dura três anos e os catequistas moram aqui com esposa e filhos, estudando, plantando, trabalhando, vivendo em comunidade. A formação básica divide-se em três pontos: família, trabalho e formação catequética.

A jornada começa às 5h30, com a missa ou culto e termina com as orações da noite, em família ou por etnia. O dia é dividido em trabalho no campo, na carpintaria (artesanato e escultura) para se manter, aulas de catequese, litúrgica e bíblica, aulas de alfabetização nas línguas tribais e francesa, prática de agricultura, criação de animais, normas de higiene e saúde, economia doméstica e corte e costura. Em poucas palavras, tenta-se dar uma educação mais completa para a vida e para que eles, depois, a transmitam, quando estiverem em suas aldeias.

O objetivo do Centro é, portanto, a formação integral das pessoas, baseada na família, no trabalho e na formação espiritual, religiosa e humana. Assim, esses catequistas poderão ser verdadeiros cristãos em suas comunidades, preparar novos catecúmenos e, uma vez de volta aos lugares de origem, serão capazes de prover o próprio sustento e de suas famílias, além de ajudar os outros a serem cristãos, melhorarem as condições de vida de toda a aldeia.

Este trabalho é um desafio para a minha nova missão e para a Igreja local: formar cristãos apóstolos, para que sejam o sinal da Igreja num ambiente pouco favorável, animista ou islâmico.

Republica dos Camarões

  • Localização: centro oeste da África
  • Capital: Iaundé
  • População: 15,1 milhões formadas de dezenas de etnias e sub-etnias
  • Idiomas: Francês Inglês e Línguas locais
  • Mortalidade infantil: 74 por 1000
  • Fecundidade da mulher: 5 filho para cada mulher no período fértil
  • Vida média: 57/58 anos
  • Analfabetismo: 25%
  • Religião: Cristianismo 52% dos quais 35% católicos e 17% protestantes Animismo 26% Islamismo 22 %

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