Revista "MUNDO e MISSÃO"

Igreja no Brasil

os 15 anos, senti um chamado muito forte para ser padre, mas queria ser religioso e franciscano, porque conhecia os franciscanos capuchinhos. Assim, aos quinze anos entrei para o convento na Itália. Um ano e pouco depois, em 1958, um missionário do Amazonas deu seu testemunho a nós, seminaristas. Senti uma alegria tão grande na alma, pensando em ser missionário no Amazonas que, se tivesse possibilidade, iria para lá na mesma hora. Mas... precisei esperar mais 10 anos para terminar meus estudos no seminário.

Após o término, meu superior, depois de três dias, me perguntou:

– Muito bem! Você terminou os estudos.

Onde gostaria de trabalhar, o que gostaria de fazer, de qual atividade se ocupar?

Respondi imediatamente:

– Onde o senhor quiser! Estou disponível! Estou pronto para ir não importa aonde.
– Bom! Temos um empenho no Amazonas. Vá para lá!

Fiquei feliz da vida, porque me lembrei daquilo que sentira no dia do testemunho do missionário. Já haviam se passado onze anos, desde que sentira aquela vontade imensa de ir para a Amazônia, e então o superior me oferecia assim, espontaneamente, a oportunidade para eu ir para lá como missionário! Aí descobri que, realmente, aquela era a vontade de Deus para mim e fiquei muito feliz e, graças a Ele, estou aqui há trinta e quatro anos”, diz com os olhos brilhando frei Gino Alberati.

O endereço de Gino Alberati

A diocese de Alto Solimões está localizada no extremo-oeste do Amazonas, na fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru. A densidade demográfica da região é de apenas um habitante por quilômetro quadrado, e é lá que frei Gino ajuda o próprio Cristo em cada pessoa, sem se deixar impedir pelos desafios ou pelas distâncias que existem nas imensidões da região amazônica.

Graças à oração e à ajuda financeira de nossos benfeitores, a Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) doou um barco para a diocese do Alto Solimões, para que o missionário possa evangelizar também as suas comunidades ribeirinhas, marcadas por distâncias enormes, onde é possível chegar apenas de barco, com muita coragem e disposição. Tais valores não faltam ao frei Gino.

Os dias em que a equipe da “AIS” acompanhou o capuchinho em seu trabalho missionário, foram de exemplo da gratuidade do Amor, que transparece na alma desse missionário corajoso.

O barco “Fraternidade Itinerante” partiu de Tabatinga rumo a Amaturá, através do rio Solimões, a uma distância correspondente a mais de 250 quilômetros.

Passando por Amaturá para o pernoite, e depois seguindo para a comunidade São Pedro, que tem apenas seis famílias (e onde seu animador, também chamado Pedro, é o único que já recebeu a Primeira Eucaristia), frei Gino mostrou seu verdadeiro espírito missionário, não se importando com o número de membros da comunidade. Lá, fez uma brilhante celebração, como se milhares de pessoas participassem da Missa.

Partindo daquela comunidade, o “Fraternidade Itinerante” rumou para a aldeia dos índios Ticunas, em Canimari, onde a recepção ficou por conta das crianças que, rapidamente, ofereceram-se para ajudar a ancorar o barco e subiram a bordo para receber o missionário. Da aldeia, frei Gino andou três quilômetros, mata adentro, para visitar o lugar onde ele auxilia os indígenas a construírem uma barragem, a fim de que também eles possam ter água potável.

Evangelho e promoção humana

“Com o apoio do bispo, atuamos também no lado social. As pessoas destas comunidades são muito carentes e, por falta de conhecimentos, não tiram proveito dos inúmeros recursos que poderiam usufruir daquelas terras. Por exemplo, a água. Mandei, para um exame de laboratório, a água de várias fontes cristalinas. Disseram-me que ela é de excelente qualidade, mas eles ainda bebem a água do rio Igapoque, uma água podre, mal cheirosa e causa de muitas doenças”.

“É possível dispor de água límpida, bonita, de primeira qualidade, com uma simples bomba, uma roda d’água, alguns canos e uma caixa d’água, ao invés de ingerir essa água suja do rio, verdadeira fonte de doenças. Então, é em pequenas coisas que a gente liga a parte religiosa ao contexto social. Incentivamos também, através da Pastoral da Criança, a horta comunitária para dar uma alimentação saudável para as crianças, às gestantes, enfim... educar o povo a comer mais verduras e frutas, pois a região é muito propícia a isto”, relatou o missionário.

A fé e a disposição deste capuchinho são impressionantes. É ele próprio quem cuida da manutenção do barco. Para isso, conta o tempo todo com a Providência. Nos dias de visitas às comunidades, muitas vezes seu alimento é “apenas” a Eucaristia. Quando a comunidade tem o que comer, ele também come; quando ela passa fome, o frei Gino também partilha da sua falta de recursos.

Há trinta e quatro anos, esse missionário dedica sua vida aos que mais necessitam e, graças ao amor dos benfeitores da AIS, agora ele pode chegar aos confins das tribos onde o Cristo está presente nos irmãos, perdidos no meio da imensa Amazônia.

“Só tenho a agradecer”

“Não tenho muita coisa a dizer, a não ser: muito obrigado, muito obrigado! Também estou particularmente feliz porque vejo, no íntimo desses benfeitores, que eles se sentem Igreja junto daqueles que estão longe. Esta união no corpo místico de Cristo, essa comunhão é muito bonita.

Ela vai além de raça, de cor, não importa! Realmente, estes nossos irmãos benfeitores vivem aquela parte do Evangelho que diz:

- “Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita; (...) que a tua esmola seja dada em segredo; e teu Pai, que vê em segredo, ele mesmo te recompensará” (Mt 6,3-4).

“Tais benfeitores doam generosamente e, muitas vezes, sem saber quem vai receber sua doação. O espírito que eles têm é realmente louvável; então, que Deus os abençoe e os faça ajudar sempre que possível. Muito obrigado! Através do meu agradecimento, deixo também a gratidão do povo que é beneficiado com este barco. Que Deus possa abençoar a todos, suas famílias, todos aqueles que trabalham. Deus os recompensará, porque nós não temos condições de recompensá-los”.

Enxugar as lágrimas de Cristo

Quão gratificante é perceber que podemos ajudar a “enxugar as lágrimas de Cristo, onde quer que Ele esteja”. Ele chora no Amazonas, escondido na pessoa de nossos irmãos mais carentes. Frei Gino pediu novamente auxílio à AIS. Como estudante de medicina que foi, muitas vezes ele mesmo socorre os enfermos em seu barco e os leva à cidade mais próxima, para serem atendidos em hospitais. Por isso, ele nos pediu para convocar todos os nossos benfeitores, a que colaborem – mais uma vez – para a compra de um novo motor para o barco doado pela AIS.

Além de poder prestar pronto-socorro às comunidades ribeirinhas, o nosso missionário economizará muito com combustível com esse novo motor. Você também não quer ajudar a “enxugar as lágrimas de Cristo”, que chora pelos olhos de nossos irmãos do Amazonas?

Colabore com a AIS

Se você ainda não é nosso colaborador, mas também se comove e quer “enxugar as lágrimas de Cristo”, onde quer que ele esteja, na África, na Ásia ou nos mais de 350 projetos de auxílio que a Ajuda à Igreja que Sofre patrocina aqui no Brasil, entre hoje mesmo em contato conosco pelo telefone 0800-7709927.

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