Revista "MUNDO e MISSÃO"

Igreja no Brasil

e 13 a 15 de março, na Sede Nacional das POM, em Brasília, DF, realizou-se o Encontro anual de Coordenadores dos Conselhos Missionários Regionais (Comires). Estiveram presentes 15 representantes dos 17 Regionais da CNBB e membros do Conselho Missionário Nacional (Comina).

O núcleo da pauta foi a animação e a formação missionárias das comunidades no Brasil. Estava presente também o secretário-geral da Pontifícia União Missionária (PUM), Pe. Vito Del Prete, do PIME, que veio de Roma especialmente para este encontro. O tema de aprofundamento foi acerca do episódio dos Discípulos de Emaús (Lc 24,13-35), no sentido de escolher Jesus como companheiro nos caminhos da Missão.


Pe. Vito Del Prete

Leia, a seguir, a entrevista concedida pelo Pe. Vito Del Prete ao secretário nacional da Pontifícia União Missionária, Pe. Sávio Corinaldesi:

Pe. Vito, quem foi o padre Paulo Manna?

– Pe. Manna foi missionário do Pontifício Instituto das Missões Estrangeiras (PIME) e trabalhou entre as tribos da Birmânia (hoje chamada de Mianmar, na Ásia), durante 12 anos.

Por motivo de doença, teve de voltar muitas vezes à Itália, sua terra, até que seus superiores lhe proibiram de continuar. Não desanimou.

Tornou-se “missionário da Missão”, na animação missionária, escrevendo inúmeros livros (entre os quais:

- Virtudes Apostólicas, A União Missionária do Clero, Nós e os Irmãos Separados, Os Operários são poucos, A Nossa Igreja e a Propagação do Evangelho) e inúmeros artigos (sobretudo, na revista Missões Católicas).

Seu lema era: - Todos Missionários.

Deu também essencial contribuição à “metodologia” missionária com seu livro Observações sobre o método moderno de evangelização, uma das obras publicadas depois da sua morte e que influenciou os trabalhos do Concílio Vaticano II.

Qual a idéia que levou Pe. Manna a fundar a União Missionária do Clero? – Simples.

Se os padres e os bispos não estiverem embebidos do espírito apostólico, o trabalho missionário será sempre entregue a um número restrito de pessoas. Assim, torna-se necessário que padres e bispos recebam animação e formação missionárias. Somente deste modo, eles poderão transmitir a seu rebanho o espírito e a consciência da responsabilidade missionária.

Como se deu a passagem da União Missionária do Clero para Pontifícia União Missionária?

– Aos poucos, Pe. Manna foi percebendo que a vocação missionária, mesmo sendo de todos os cristãos, compromete, de modo particular, religiosos, religiosas e leigos consagrados, que devem ser modelos da comunidade cristã.

Em 28 de outubro de 1956, o papa Pio XII atribuiu o título de ‘pontifícia’ à Obra, que passou a se chamar Pontifícia União Missionária do Clero, dos Religiosos e dos Leigos Consagrados ou, mais simplesmente, Pontifícia União Missionária (PUM).


Encontro anual de Coordenadores dos Conselhos Missionários Regionais (Comires)

Quais os momentos fortes da PUM?

– Certamente nos primeiros anos, até o Vaticano II, houve grande desenvolvimento.

Graças ao trabalho da União, nasceram muitas vocações missionárias. Surgiram nova mentalidade e espiritualidade apostólicas, maior conhecimento sobre as Missões, renovado sentido de pertença. Muitos associados eram verdadeiramente apaixonados pelas Missões. As pessoas mais velhas ainda se lembram daqueles tempos.

Tendo que implantar a União Missionária em um país como o Brasil, por onde começaria?

– Trata-se de um trabalho paciente.

Antes de tudo, é preciso fazer a síntese entre o anúncio e o envolvimento na promoção humana.
É preciso que voltemos ao centro de nossa fé.
A evangelização é experiência do amor de Deus (“Deus caritas est”).
É necessário tomar consciência de que a Missão não é projeto nosso, iniciativa nossa, mas projeto de Deus,
que há de ser realizado do jeito de Deus, seguindo o caminho de seu Filho, no Espírito Santo.

Quais os instrumentos mais eficazes para alcançar seus objetivos?

– Animação missionária nos seminários e nas estruturas de formação de religiosos e religiosas.
O envio de missionários em nome da Conferência Episcopal. Visita aos seminários.
– Congressos missionários nacionais e regionais para estudantes dos seminários maiores.
– Congressos missionários nacionais e regionais de religiosas.
– Dia Missionário Sacerdotal (03 de dezembro, dia de São Francisco Xavier).
– Dia Missionário das Consagradas (1.º de outubro, dia de Santa Teresinha do Menino Jesus).
– Assinatura de revista missionária com um encarte da União Missionária.
– Promoção da Obra: filiação dos padres na União Missionária, recolhendo pequena taxa de inscrição.
Envio da revista (e de outros subsídios que vão sendo produzidos) aos filiados.
A mesma coisa para as comunidades das religiosas.
– Assinatura da revista internacional da União Missionária, Omnis Terra.
– Participação em cursos de Missiologia.

E os obstáculos mais freqüentes?

– Ao invés de obstáculos, eu diria que faltam:

- conhecimento sobre a Obra e dificuldade de tempo que os padres enfrentam para rezar e se organizar.

Por isso, é necessário que toda diocese tenha um encarregado da União Missionária, que promova iniciativas para a formação permanente. Pelo menos um dos retiros do clero, durante o ano, deveria ter como tema a Missão ad gentes.

Qual é, no momento, a situação da Obra no mundo?

– A União Missionária está presente em quase todos os países, porém é pouco conhecida explicitamente.
Oferece subsídios e estímulos, mas não possui identidade precisa.

Pessoalmente, o que o secretário-geral da Obra espera do Brasil?

– O Brasil tem um cristianismo efervescente e cheio de iniciativas.

Se for seguida certa programação (visita aos seminários, congressos...) e forem criados núcleos da União (inclusive com algum sinal de identificação) a Obra tomará pé e irá se expandir.

Bom trabalho!

PE. MANNA: Um homem para além do seu tempo

Pe.Manna foi um inteligente e corajoso pensador sobre a missão. Depois de uma visita aos missionários do PIME, durante seu mandato de Superior Geral, escreveu um documento avançado para a época:

- “Observações sobre o método moderno de evangelização”,(1929), ainda de grande atualidade, como se pode notar nos breves trechos que reproduzimos:

- “Eu vejo, na civilização levada pelos ocidentais, um grande obstáculo à penetração de nossa fé nos povos infiéis, sobretudo aqueles que se gloriam de uma civilização própria.

(Devemos) despojar, quanto for possível, o Catolicismo de suas formas ocidentais não necessárias e revesti-lo, em cada país, de formas indígenas; acelerar a formação do clero local[...]

O que sabem tais padres, formados no estilo europeu, da sabedoria de seus países de origem:

Índia, China, Japão, etc?

Eles se tornam quase estranhos no seu próprio país:

- esqueceram-se de ser indianos, chineses, japoneses, e, educados na forma européia, não se tornaram europeus.

Se, com o latim, as ciências e o celibato, vocês conseguirão manter fechadas as portas do Paraíso a tantas almas, quem ganha? Nem Deus, nem a Igreja, nem as almas. Os missionários, em lugar de gastar tantas energias em obras materiais, educativas, sociais, de assistência sanitária [...] ocupar-se-iam mais utilmente, e conseguiriam frutos mais abundantes de almas, se se apoiassem mais na Cruz de Jesus Cristo.”

POM
Pontifícias Obras Missionárias
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