Revista "MUNDO e MISSÃO"
Igreja no Brasil
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O núcleo da pauta foi a animação e a formação missionárias das comunidades no Brasil. Estava presente também o secretário-geral da Pontifícia União Missionária (PUM), Pe. Vito Del Prete, do PIME, que veio de Roma especialmente para este encontro. O tema de aprofundamento foi acerca do episódio dos Discípulos de Emaús (Lc 24,13-35), no sentido de escolher Jesus como companheiro nos caminhos da Missão.
Leia, a seguir, a entrevista concedida pelo Pe. Vito Del Prete ao secretário nacional da Pontifícia União Missionária, Pe. Sávio Corinaldesi: Pe. Vito, quem foi o padre Paulo Manna? – Pe. Manna foi missionário do Pontifício Instituto das Missões Estrangeiras (PIME) e trabalhou entre as tribos da Birmânia (hoje chamada de Mianmar, na Ásia), durante 12 anos. Por motivo de doença, teve de voltar muitas vezes à Itália, sua terra, até que seus superiores lhe proibiram de continuar. Não desanimou. Tornou-se “missionário da Missão”, na animação missionária, escrevendo inúmeros livros (entre os quais: - Virtudes Apostólicas, A União Missionária do Clero, Nós e os Irmãos Separados, Os Operários são poucos, A Nossa Igreja e a Propagação do Evangelho) e inúmeros artigos (sobretudo, na revista Missões Católicas). Seu lema era: - Todos Missionários. Deu também essencial contribuição à “metodologia” missionária com seu livro Observações sobre o método moderno de evangelização, uma das obras publicadas depois da sua morte e que influenciou os trabalhos do Concílio Vaticano II. Qual a idéia que levou Pe. Manna a fundar a União Missionária do Clero? – Simples. Se os padres e os bispos não estiverem embebidos do espírito apostólico, o trabalho missionário será sempre entregue a um número restrito de pessoas. Assim, torna-se necessário que padres e bispos recebam animação e formação missionárias. Somente deste modo, eles poderão transmitir a seu rebanho o espírito e a consciência da responsabilidade missionária. Como se deu a passagem da União Missionária do Clero para Pontifícia União Missionária? – Aos poucos, Pe. Manna foi percebendo que a vocação missionária, mesmo sendo de todos os cristãos, compromete, de modo particular, religiosos, religiosas e leigos consagrados, que devem ser modelos da comunidade cristã. Em 28 de outubro de 1956, o papa Pio XII atribuiu o título de ‘pontifícia’ à Obra, que passou a se chamar Pontifícia União Missionária do Clero, dos Religiosos e dos Leigos Consagrados ou, mais simplesmente, Pontifícia União Missionária (PUM).
Quais os momentos fortes da PUM? – Certamente nos primeiros anos, até o Vaticano II, houve grande desenvolvimento. Graças ao trabalho da União, nasceram muitas vocações missionárias. Surgiram nova mentalidade e espiritualidade apostólicas, maior conhecimento sobre as Missões, renovado sentido de pertença. Muitos associados eram verdadeiramente apaixonados pelas Missões. As pessoas mais velhas ainda se lembram daqueles tempos. Tendo que implantar a União Missionária em um país como o Brasil, por onde começaria? – Trata-se de um trabalho paciente. Antes de tudo, é preciso fazer a síntese
entre o anúncio e o envolvimento na promoção humana. Quais os instrumentos mais eficazes para alcançar seus objetivos? – Animação missionária nos
seminários e nas estruturas de formação de religiosos
e religiosas. E os obstáculos mais freqüentes? – Ao invés de obstáculos, eu diria que faltam: - conhecimento sobre a Obra e dificuldade de tempo que os padres enfrentam para rezar e se organizar. Por isso, é necessário que toda diocese tenha um encarregado da União Missionária, que promova iniciativas para a formação permanente. Pelo menos um dos retiros do clero, durante o ano, deveria ter como tema a Missão ad gentes. Qual é, no momento, a situação da Obra no mundo? – A União Missionária está
presente em quase todos os países, porém é pouco
conhecida explicitamente. Pessoalmente, o que o secretário-geral da Obra espera do Brasil? – O Brasil tem um cristianismo efervescente e cheio de iniciativas. Se for seguida certa programação (visita aos seminários, congressos...) e forem criados núcleos da União (inclusive com algum sinal de identificação) a Obra tomará pé e irá se expandir. Bom trabalho! PE. MANNA: Um homem para além do seu tempo Pe.Manna foi um inteligente e corajoso pensador sobre a missão. Depois de uma visita aos missionários do PIME, durante seu mandato de Superior Geral, escreveu um documento avançado para a época:
- “Eu vejo, na civilização levada pelos ocidentais, um grande obstáculo à penetração de nossa fé nos povos infiéis, sobretudo aqueles que se gloriam de uma civilização própria. (Devemos) despojar, quanto for possível, o Catolicismo de suas formas ocidentais não necessárias e revesti-lo, em cada país, de formas indígenas; acelerar a formação do clero local[...] O que sabem tais padres, formados no estilo europeu, da sabedoria de seus países de origem: Índia, China, Japão, etc? Eles se tornam quase estranhos no seu próprio país: - esqueceram-se de ser indianos, chineses, japoneses, e, educados na forma européia, não se tornaram europeus. Se, com o latim, as ciências e o celibato, vocês conseguirão manter fechadas as portas do Paraíso a tantas almas, quem ganha? Nem Deus, nem a Igreja, nem as almas. Os missionários, em lugar de gastar tantas energias em obras materiais, educativas, sociais, de assistência sanitária [...] ocupar-se-iam mais utilmente, e conseguiriam frutos mais abundantes de almas, se se apoiassem mais na Cruz de Jesus Cristo.” POM |
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