Revista "MUNDO e MISSÃO"
História
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UM RETRATO DO BRASIL Estudo do IBGE mostra que está sendo menos difícil para o Brasil combater a pobreza do que a desigualdade Edison Barbieri Na última década, o Brasil apresentou avanços sociais
significativos: o número de crianças na escola aumentou,
a taxa de mortalidade infantil caiu, há menos analfabetos, a renda
média cresceu e os idosos vivem mais. A má distribuição
de renda, contudo, está longe de ser vencida. Os 10% mais ricos
ganham em média 19 vezes mais que os 40% mais pobres. O que pode
parecer contra- O estudo compara dados de 1992 com os de 1999. O que o País tem a comemorar é a redução
da mortalidade infantil: de 44,3 bebês mortos por mil Também houve redução nas taxas de analfabetismo,
mas o número absoluto ainda é alto. O porcentual da população
analfabeta com 15 anos ou mais caiu de 17,2% para 13,3%. Há, portanto,
15 milhões de jovens, adultos e idosos que não sabem ler
ou escrever. O estudo destaca importantes avanços sociais obtidos pelo Brasil na última década do século 20, mas revela, também, realidades que todos os brasileiros gostariam de ver superadas, como é o caso, por exemplo, da elevada concentração de renda, característica que se mantém inalterada ao longo do tempo. Segundo o documento, os dados do final do último decênio mostram que o Brasil tem famílias menores, população com maior grau de escolaridade, menores taxas de mortalidade infantil e importantes alterações no mercado de trabalho. O tamanho das famílias brasileiras, que nos anos 80 era de 4,5
pessoas, em média, diminuiu para 3,4 pessoas no final dos anos
90. O número de famílias tradicionais (casal com filhos)
caiu de 60%, em 1992, para 55%, em 1999; cresceu o número de mulheres
sem cônjuge e com filhos (de 15,1% para 17,1%) e de casais sem filhos
(de 12,9% para 13,6%); e aumentou também o A principal causa da diminuição do tamanho da família
foi a queda da taxa de fecundidade, de 5,8 filhos, em 1970, para 2,3 filhos,
em 1999. O declínio da fertilidade foi maior entre mulheres com
nível elevado de instrução. Outras causas da diminuição
do número de filhos foram mudanças comportamentais dos brasileiros
e o ingresso maciço das mulheres no mercado de trabalho. O estudo do IBGE mostra ainda a persistência de desigualdades raciais
na sociedade brasileira. Por exemplo, a despeito do declínio na
taxa de analfabetismo, em 1999 ela continuava mais elevada para negros
e pardos (20%) do que para brancos (8,3%). Ao longo da última década,
houve queda do número de pessoas vivendo com até meio salário
mínimo per capita, mas em 1999 ainda estavam nessa situação
26,2% das famílias negras e 30,4% das pardas, em comparação
com 12,7% das brancas. Havia também mais negros e pardos no emprego
doméstico do que brancos. "Quase todos os indicadores sociais
melhoraram com exceção para a violência e o desemprego.
E há os que avançam rápido, como escolarização,
e os que avançam |
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