Revista "MUNDO e MISSÃO"

História

 

Este conto chileno faz parte da tradição
oral desse país sul-americano brindado pela
fantástica beleza dos Andes e traz a história
de um menino muito esperto, com mil truques
e artimanhas para escapar das
malandragens alheias.

eu nome era Antônio e sua vida era brincar e brincar. Brincava de tudo, com todos e em qualquer lugar. Sua alegria era contagiante e sua esperteza causava admiração entre as pessoas do pequeno povoado em que vivia.

Mas, naquele dia, a situação não foi fácil...

A mãe de Antônio pediu-lhe que fosse à aldeia vizinha para comprar manteiga e farinha. Deu-lhe algumas moedas e recomendou rapidez e cuidado, porque os caminhos podiam ser perigosos.

E lá foi Antônio, com as moedas no bolso, brincando de perseguir pedrinhas pelo chão. Ia caminhando, quando num rodopio, viu que um homem ia atrás dele, com ares muito suspeitos. Assim, ao aparecer uma curva, aproveitou para tirar o chapéu e colocá-lo no chão, com uma pedra embaixo. Ficou ali parado, com uma cara preocupada, segurando o chapéu firmemente.

E já foi chegando o homem e perguntando o que havia sob o chapéu. E Antônio explicou que era uma galinha e pediu-lhe que ficasse um pouco tomando conta, enquanto ele ia buscar uma gaiola para colocar a ave. O bandido ficou e Antônio escapou.

E lá foi Antônio, contente, sem seu chapéu.

E já foi chegando o homem, com muita raiva mesmo por ter sido iludido.

Antônio, então, tratou de arrumar outra artimanha: tirou o poncho que vestia, dobrou e colocou-o sobre o ombro e fingiu que sustentava uma pedra do barranco. O bandido aproximou-se inquieto e queria saber do que se tratava. O menino explicou que a enorme pedra estava para cair sobre ele e todo o povoado e pediu-lhe que ficasse ali segurando um pouco, enquanto ele ia buscar uma estaca para escorá-la. O bandido ficou e Antônio escapou.

E lá se foi Antônio, contente, contente, sem seu chapéu e seu poncho.

E já foi chegando o homem, furioso por ter sido mais uma vez enganado.

Antônio, então, tratou de arrumar outra armadilha. Sentou-se ao lado de uma frondosa árvore e com as fibras de seu tronco foi trançando uma corda. O bandido aproximou-se e queria saber do que se tratava. O menino explicou que o mundo ia cair, menos as árvores daquela espécie, à qual ele ia se amarrar. Com medo do que poderia acontecer, o homem intimou Antônio a amarrá-lo primeiro e com toda a força. O bandido ficou e Antônio escapou.

E lá foi Antônio, contente, com seu chapéu e seu poncho, comprar manteiga e farinha.

E lá ficou o bandido, sem as moedas, sem a galinha, sem chapéu, sem poncho... esperando o mundo cair.

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