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Ultimamente, a FAO, da ONU, departamento humanitário que trabalha
em beneficio das populações mais pobres, passa por uma crise,
recebendo uma saraivada de ataques à má gestão pelo
mau uso do dinheiro, apesar das boas intenções do atual
presidente, o senegalês Jacques Diouf. Desde sua precedente gestão,
ele não esconde o firme desejo de que, nos programas humanitários,
haja, cada vez mais, o envolvimento dos governos nacionais na luta contra
a fome. O fato parece mais que natural, visto que são os governos
locais que deveriam estar mais interessados em tirar seu povo da fome
crônica.
| A FAO pela melhoria da qualidade
de vida
A Organização para a Alimentação
e a Agricultura FAO (Food and Agriculture Organization)
é um departamento da ONU, fundado em 1945, no Quebec, Canadá,
que desde 1951, tem sua sede em Roma. Trata-se de uma organização
internacional à qual pertencem 180 países, além
da União Européia. Desde seus primórdios, teve
como finalidade a melhoria da qualidade de vida, através
de uma alimentação mais adequada e saudável,
assim como o incremento da produtividade agrícola e das condições
das populações rurais.
A FAO trabalha em programas a longo prazo, para
aprimorar a produção e a segurança alimentar,
promovendo a conservação dos recursos naturais, dentro
da filosofia de um desenvolvimento sustentável.
O órgão diretivo é formado
pela Conferência de representantes de todos os países
membros; há um conselho executivo eleito a cada três
anos, composto de 49 membros e um diretor geral, atualmente, o senegalês
Jacques Diouf, reeleito em 2000.
A Organização emprega 4.000 funcionários
e, a cada cinco anos, promove uma Conferência mundial com
todos os chefes de governo dos países membros.
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A FAO tem à sua disposição para o biênio 2000-2001,
650 milhões de dólares. Na realidade, não é
uma grande quantia de dinheiro diante do que se gasta em armas em muitos
países, mas é preciso lembrar que a prioridade da FAO é
estudar, sugerir e fornecer planos para desen-volver os meios de sustento
e não repassar dinheiro para atender, de imediato, as necessidades
locais. A dinâmica é a clássica: ensinar a pescar
e não fornecer o peixe. De fato, dos 650 milhões de dólares,
290 seriam para programas de desenvolvimento técnico e econômico;
118 em favor de serviços de desenvolvimento dos países membros;
92 para programas de cooperação técnica; 51 para
as políticas gerais e 99 para manter as estruturas e os funcionários.
Este último número seria a pedra de escândalo, porque
supera 15% do total, o que é considerado um exagero: os técnicos
em orçamentos estimam que 7-8% seriam mais que suficientes para
a estrutura e o funcionalismo.
Outra crítica seria que seus 1.550 funcionários de primeira
linha, mais 2.450 subalternos e um número indefinido de técnicos
são excessivamente remune-rados, além de gozarem de outros
grandes benefícios. O diretor geral recebe 30 mil dólares
mensais; as secretárias começam com um salário de
3 mil dólares, sem contar as inúmeras vantagens e regalias,
como acesso aos duty free e tratamento de luxo durante as missões,
num contundente contraste com a situação de miséria
dos países assistidos.
A FAO justifica esses salários, afirmando que todo o pessoal é
altamente especializado, mas vários técnicos que nela já
trabalharam denunciaram que, muitas vezes, os projetos (e o dinheiro a
eles destinado), elaborados com técnicas especializadas, perdem-se
nos meandros da burocracia local ou são trocados por pseudo projetos
mais baratos, porém ineficientes.
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AS ONGS
Gino Strada é um cirurgião de guerra, fundador
da Ong Emercency. Numa entrevista ao jornal italiano Corriere della
Sera, fala de Terceiro Mundo, fome e guerra, assuntos que fazem
parte de sua própria vida. Como todas as pessoas que experimentam
na pele os problemas mundiais de emergência, ele discute os
números e as declarações oficiais dos organismos
humanitários que qualifica de grotescos e incompetentes.
Na entrevista publicada no dia 26
de agosto, o
dr. Gino constata que mais eficientes que os organis-mos da Onu
são as centenas de organizações humani-tárias
de voluntariado que realizam os projetos sociais no mundo. Estas
formam uma massa heterogênea, às vezes, constituída
de poucos operadores, mas de um impacto muito superior ao dos organismos
interna-cionais que ele compara a grandes elefantes burocrático-administrativos.
Cita também como exemplo de mau uso de ajuda aquela que
aconteceu após a guerra do Iraque de 1991, quando a ONU enviou
arroz para o povo pobre, mas este foi distribuído indiscriminadamente,
até para as pessoas que possuíam carros de luxo. Além
do mais, era um arroz de tão baixa qualidade que ninguém
comeu e foi usado como ração para animais. Todavia,
gastou-se um grande quantia de dinheiro que chegou a arruinar produtores
(curdos, por exemplo) que não podiam competir com o baixo
preço do arroz distribuído, embora seu produto fosse
de qualidade superior.
Outra falha denunciada é a falta de profissionalismo dos
funcionários escolhidos para esses serviços: muitas
vezes, são apenas pessoas inseridas nos movimentos humanitários
por motivos de clientelismo, favoritismo e nepotismo dos governantes.
Perdeu-se a mística do humanitarismo e predomina a prática
da corrupção política.
Os movimentos humanitários que lutam contra a fome e a miséria
sugerem que as ajudas sejam repassadas diretamente para os organismos
que trabalham com os problemas dos povos necessitados. Isso agilizaria
e otimizaria os recursos, fugindo da burocracia inútil e
dispendiosa.
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Mais protagonismo na assistência
Talvez a Conferência Mundial, em novembro, traga algumas mudanças
positivas. Diouf já anunciou uma reunião técnica
com os chefes de governo, para que a FAO esteja mais presente nos trabalhos
humanitários; além disso, pretende criar escritórios
nos lugares onde se realizam os projetos, redimensionar o pessoal, especialmente
o que foi contratado apenas para satisfazer interesses pessoais dos governos
locais. Isso, sem dúvida, tornaria sua ação, que
depende de financiamento dos países ricos, mais eficiente para
resolver os problemas da humanidade.
A reunião de novembro pode ser o início de uma nova maneira
de gerir o dinheiro em favor dos mais pobres. Certamente, em cinqüenta
anos, muito mais e melhor poderia ter sido feito.
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UNDP
dfO
Programa de Desenvolvimen-
to das Nações Unidas UNDP (United Nations
Development Program) é um outro departamento da ONU para
o coordenação das atividades mundiais de desenvolvimento
dos povos. Algumas atividades são realizadas há mais
de cinqüenta anos.
vbNo seu conjunto das atividades, este
programa da ONU para combater a pobreza no mundo colabora ou já
colaborou com mais de 170 países, coordenando projetos de
desenvolvimento, assessorando os governos locais no campo da saúde,
proteção social, meio ambiente, luta contra fome e
a exclusão e sustentando a paridade entre homem e mulher.
dfO pessoal e as estruturas são
apresentados pelo governos locais, assessorados pelas Ongs, enquanto
o UNDP fornece a competência dos técnicos (85% trabalham
no campo), organiza programas de formação profissional
e colabora com empréstimos a países pobres, cujo PNL
não chegue a 750 dólares per capita por ano.
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