Revista "MUNDO e MISSÃO"
Fome
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Márcio Martins Nesta jornada, a AIS constatou a fundamental importância que a Igreja exerce para a manutenção de uma digna condição de vida para a população local, duramente castigada pela seca e pela péssima infra-estrutura oferecida pelo Estado: - desemprego, habitação, saneamento, saúde e, principalmente, educação. Por meio dos relatos registrados pela AIS, deparamo-nos com o difícil cotidiano do sertão pernambucano, especificamente a área conhecida como o polígono da seca, que abrange toda a região de Pajeú – localidade que circunda o rio Pajeú, atualmente seco, vitimado pela estiagem. Através dos projetos coordenados pelo bispo dom Luiz Gonzaga Silva Pepeu, a Igreja realiza um importante trabalho na diocese de Afogados da Ingazeira (compreende toda a região de Pajeú), formada por 19 municípios. A AIS visitou os projetos da região e trouxe na bagagem duas certezas: 1.) sem os projetos pastorais que dom Pepeu realiza na diocese, o cotidiano das famílias seria desesperador; 2a) é preciso, urgentemente, por meio dos projetos pastorais, aumentar o auxílio financeiro àquelas pessoas. Relatos de um Brasil distante, árido, pobre, porém, com muita Fé - “A nossa diocese está localizada numa região conhecida pelos seus desafios, dificuldades e, sobretudo, pela seca. Há tempos que essa área passa por grandes desafios. Às vezes, chegamos a ficar sem chuvas durante um ano inteiro. A nossa população, que já é pobre, vive de sacrifícios e com muito esforço. Sofre com a falta de trabalho, habitação, saneamento, saúde e educação. Contudo, trata-se de um povo generoso e com muita fé. Uma gente fervorosa, de oração, que acredita na proteção dos santos, e mesmo diante do sacrifício da seca, não perde a esperança”. Lídio da Silva (morador do município de Queimada Grande, em Afogados da Ingazeira): - “O problema aqui é sério. Quando ficamos com toda essa carência de chuva, o pessoal sofre muito. A criação (de animais) e a roça morrem, pois, sem água não há vida. O nordeste sempre foi castigado pela seca e esquecido pelos políticos. Enquanto não chove, a gente vai tentando sobreviver de todas as formas. A Igreja sempre traz uma esperança porque, quando ouvimos sobre as coisas de Deus, a gente se inspira mais na vida. A participação dos padres e da igreja na comunidade é fundamental, porque, às vezes, a pessoa está desesperada e o padre chega e fala sobre coisas maravilhosas, tirando aquele pensamento ruim da nossa mente. Então, só pensamos nas coisas boas. A fé do povo nordestino é muito grande, porque é o que mais sofre no Brasil, talvez no mundo, mas ele nunca perde a fé. Sem Deus a gente não é nada”. “Na época do inverno, que é a época da chuva, nossa situação é melhor porque, pelo menos, temos um pouco mais de alimentos para dar aos nossos filhos. Mas quando chega a seca, a dificuldade é muita e a água, pouca. Agora mesmo nós estamos em dificuldade. A gente tem água somente em três dias na semana. A gente depende de Deus mesmo. Pra nós, que somos idosos, a única alegria que temos é a igreja, porque os jovens se reúnem nos forrós, nos bares, nos jogos, mas para nós, idosos, somente a Igreja traz alegria. A única esperança que temos é em Deus”. - “O nosso trabalho de evangelização é muito difícil, porque é um trabalho realizado na zona rural, com difícil acesso e com um povo muito pobre, porém, um povo que tem muita fé, que participa, que anda 4, 5 e até 6 km a pé para participar das celebrações. É uma demonstração de fé muito grande do povo da zona rural. Não é o padre quem espera o povo, é o povo que espera o padre. São crianças, jovens, adultos e senhoras, que cantam e participam calorosamente da missa, e colocam-se numa atitude de muito respeito e demonstração de fé. A gente fica emocionado com a participação dessas pessoas. É algo realmente fantástico. Antes, a gente celebrava embaixo de uma árvore, de um umbuzeiro, mas em determinada época do ano cai toda a folhagem, expondo-nos completamente ao intenso sol nordestino. Dessa forma, a comunidade começou, juntamente comigo, a se mobilizar para construir uma capela. Um rapaz doou um pedaço de terra, outros doaram objetos, como utensílios domésticos, e até mesmo um bode, com o intuito de realizar um bingo. Mesmo aqueles que ganhavam os prêmios do bingo, deixavam na comunidade para realizar um próximo bingo. Foi assim que começamos a angariar recursos. Mas assim mesmo era pouco, pois nossa comunidade é muito pobre. Foi quando um padre amigo me informou sobre o auxílio da Ajuda à Igreja que Sofre e me orientou a formular um projeto, para que a entidade pudesse financiar a construção de nossa capela. Após um período, recebemos a resposta positiva da AIS, com o auxílio para concluir a capela. Nosso povo ficou muito feliz e eternamente grato pelo apoio recebido. Com a capela, houve uma participação ainda maior da comunidade, pois ela também se sente responsável pela capela, como se sente responsável pela própria casa, porque, de fato, a capela é verdadeiramente da comunidade”. Projetos que dependem do apoio da AIS - Reforma de uma edificação com mais de 60 anos, onde funcionará o Centro Pastoral, com assembléias, reuniões, retiros, movimentos, pastorais, enfim, todos os encontros da diocese. A restauração é urgente, pois toda a estrutura está comprometida, tendo a necessidade de reconstituir todo o sistema hidráulico, elétrico, telhado e restituição de novas salas, banheiros, auditório e biblioteca. A intenção é transferir todo o centro pastoral e atividades da diocese para esse espaço. Formação de seminaristas: - O grande desafio na Diocese de Afogados da Ingazeira é a formação de novos padres. Atualmente, a diocese conta com nove seminaristas cursando Teologia; seis, Filosofia, e ainda oito candidatos que iniciaram no propedêutico. A Ajuda à Igreja que Sofre contribuiu com a compra de 2 veículos (Kombi) para auxiliar no transporte dos seminaristas. O problema é que esses seminaristas vêm de famílias muito simples, com todas as despesas sendo pagas pela diocese: - alimentação, transporte, além de todo material didático. É neste grande desafio que a Ajuda à Igreja que Sofre destina sua máxima atenção em atender aos apelos lançados pelos cristãos distantes dos grandes centros. Auxiliar padres e leigos, catequizar crianças, apoiar seminaristas, financiar material didático religioso, além de reconstruir igrejas e centros pastorais é o apelo que a AIS faz à grande comunidade católica brasileira. Nossos irmãos da Diocese de Afogados da Ingazeira aguardam esperançosos e confiantes a nossa contribuição. AIS
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