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Fadiga e trabalho - (1Ts 2,9-12)
Sergio Bradanini
Após ter apresentado a atividade missionária sob os traços
da ternura e do carinho materno (1Ts 2,5-8), Paulo, através da
figura paterna, quer apresentar a necessidade do crescimento da fé
da comunidade cristã (1Ts 2,9-12). Maternidade e paternidade se
realizam plenamente, quando as duas dimensões, juntas, conseguem
gerar uma fraternidade de pessoas autenticamente livres. De fato, se a
figura materna desempenha a função de alimentar a fé
da comunidade, a figura paterna desempenha a função de educar
os fiéis para que alcancem realmente "o reino e a glória
de Deus" (2,12).
Para desenvolver esta dimensão, Paulo mostra a necessidade de uma
atitude ao mesmo tempo exigente e coerente. Com efeito, a expressão
"fadiga e trabalho" (2,9) não se refere ao esforço
físico, mas evoca a "fadiga do amor" do início
da carta (1,3). No nosso contexto, trata-se de um "amor/ágape"
que não se esgota nem nos sentimentos nem na ternura ou carinho
tipicamente maternos, mas que exige uma manifestação concreta
de maturidade, expressa na fadiga e no esforço rigoroso, que de
um lado tem que enfrentar a dureza da atividade missionária e,
do outro, a dificuldade de crer e de amar! Por este motivo, a 'fadiga
e o trabalho' se exprimem concretamente na vida dos mensageiros que "trabalham
dia e noite", com suas próprias mãos, para não
serem um fardo pesado para ninguém! Paulo nunca abriu mão
disso! Aliás, sempre fez questão de não exigir nada
de ninguém, para poder anunciar o Evangelho com a maior gratuidade
possível. Basta lembrar a expressão de 2Cor 12,14, para
se dar conta que o interesse dele é outro: "...não
vos serei pesado, pois não procuro vossos bens, mas vós
mesmos!" (cfr. também At 18,3;20,34; 1Cor 4,12).
É importante notar que, para o apóstolo, não é
suficiente trabalhar para não ser um fardo para a comunidade, mas
é necessário providenciar o próprio sustento, para
poder anunciar o Evangelho segundo a lógica da gratuidade. Paulo
nunca quis deixar a porta aberta para nenhum tipo de ambigüidade,
tinha horror de ser tratado como um mercenário! Por isso, a pregação
do Evangelho não exige nada em troca, nem mesmo o alimento (1Co
9). Paulo sabia que, com essa atitude, realizava as antigas tradições
bíblicas sintetizadas, de certa forma, pela expressão do
salmista: "Viverás do trabalho de tuas mãos" (Sl
128,1-2; cfr.Dt 14,29; 16,15). Ele sabia também que era preciso
assumir um comportamento que fosse "puro, justo e irrepreensível"
(2,10), comportamento confirmado pela comunidade e pelo próprio
Deus: "Vós e Deus sois testemunhas!" (2,10).
Para expressar essa atitude profunda, o apóstolo evidencia, mediante
a figura paterna, a árdua tarefa da educação da fé
da comunidade. Como um "pai" profundamente envolvido no processo
educativo de seus filhos, o missionário "exorta" sua
comunidade, mostrando as exigências inerentes à fé;
"consola/encoraja" os fiéis para manterem viva a esperança
de poder superar temores e angústias ao longo do caminho; e enfim
"admoesta" (= testemunha) as pessoas para que tomem uma decisão
de fé que seja efetivamente livre e se mantenham fiéis nela.
Sem essas atitudes de gratuidade, o "Evangelho de Deus" não
pode penetrar no coração das pessoas. A ternura, o calor
humano, a gratuidade aproximam muito mais as pessoas do que todas as teorias
e os sistemas mais sofisticados de evangelização. A 'fadiga
e o trabalho' apostólico não querem amenizar a dureza da
existência humana dos outros, mas querem ser simplesmente um testemunho
autêntico da gratuidade do Reino para todos.
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