Revista "MUNDO e MISSÃO"
Evangelização - Anúncio
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Na minha missão de Bissorá, os cristãos ainda são raros, uma ou duas famílias por vila; os demais estão a caminho e quem narra o início, fá-lo para reforçar os que ainda relutam. Portanto, o que os impele a aderir ao Evangelho? Tem razão São Paulo quando diz: “Como podem ouvir, se não há quem lhes anuncie?”. A irmã Maria passava, de moto, toda semana, pelo povoado de Blassar. O pessoal do povoado se perguntava aonde ia aquela “branca”. Aí, ouviram dizer que ela ia falar de um novo caminho, um caminho para Deus. Também eles, sem entender bem o que era aquilo, reuniram-se e pediram à irmã que fosse visitá-los. Agora, já há três famílias cristãs entre eles. O povoado de Cossebá conheceu Jesus através do professor da escola. Foi ele quem falou algumas coisas acerca do Evangelho. Em Bunghara, o anúncio é mais recente e as dificuldades para acolhê-lo são muitas. Um ancião, durante um encontro de catequese, disse-me: “Ainda que tenhamos dificuldade para entender o caminho de Cristo, não devemos deixá-lo, porque, quando estive doente, as irmãs cuidaram de mim; é este o caminho certo”. Em Quinden, um senhor de quarenta anos percorre à pé, já há dois anos, vinte quilômetros para assistir à Missa dominical. Ele disse que um dia será batizado. Sua perseverança nos obrigou a iniciar os primeiros contatos com sua vila. Mais ainda: perto da vila de Quinden há o povoado de Intcherte. Um dia, seu líder nos visitou e, insistindo para que fôssemos lá, disse: “Já temos uma escola, uma pequena farmácia e agora queremos conhecer a Deus, desejamos esse caminho para nossos jovens”. Assim, nós, missionárias, temos o privilégio de ver a obra do Espírito Santo que, criativamente, promove o encontro das pessoas com Cristo. A alegria do missionário é ver, na obra do Espírito, que Ele, chamado a ser nosso mediador, sustenta-nos e nos encoraja com o dom da perseverança e da paciência. Após os primeiros contatos, o que fazer para conhecer, criar amizade e confiança recíprocas? Não há uma receita universal, mas anuncia-se a Palavra de Deus, fala-se de Jesus. As pessoas que não fazem elucubrações complicadas, aceitam rapidamente os exemplos concretos do Evangelho e, depois, lentamente, vão agregando a Palavra à sua vida. A experiência nos mostrou que no início há entusiasmo, do qual a população participa em massa, esperando que, junto com a Palavra de Deus, venham outras coisas. Além disso, como se diz por aqui, há a fase da malagueta. A malagueta é uma pimenta ardida. A Palavra de Deus é como a pimenta que queima e, lentamente, purifica, fazendo brotar novos comportamentos, selecionando e chocando-se com alguns aspectos das culturas locais. Assim aconteceu em nossas vilas mais “antigas”. Hoje há um pequeno rebanho, no qual o Evangelho vai lentamente mudando a vida. Ele é uma pequena luz que resplandece, uma árvore em cuja sombra os outros descansam. São pessoas que não abandonaram a vila para se tornarem cristãs; mas vivem ao lado e junto de seus parentes, que ainda fazem cerimônias aos espíritos, mas que, se ocorre um problema na vila, procuram-nos para uma solução diferente da vingança tradicional. Os cristãos mostram aos demais que marido e mulher podem encontrar a melhor solução para a família através do diálogo. Demonstram que é possível existir apenas um caixa em família e administrá-lo responsavelmente, sem desconfianças recíprocas. A vila estranhou que Seidu, o pai, limpasse a casa e desse banho nas crianças, mas sua família é serena e, reunidas ao redor de Sima, a mãe, muitas jovens se preparam a ser futuras mamães. É o Evangelho que entra na vida das pessoas, em seus hábitos culturais e as transforma, criando uma realidade mais bela, mais humana. Também aqui surgem fragilidades, períodos obscuros, dúvidas, para eles e para nós; mas os sinais de vida são tantos, maiores que tudo. Muitas vezes, nas reuniões de formação dos catequistas, elevam-se frases do tipo: “É o caminho certo, estamos felizes”. Então, para ver se o Evangelho é verdadeiro, é preciso começar a vivê-lo. Qual é a relação de nós, missionárias, empenhadas em tempo integral e pela vida inteira, na aventura do primeiro anúncio do Evangelho?
Quem faz o primeiro anúncio deve ter fé firme e profunda serenidade nas relações, para indicar que está sobre a rocha e que descobriu o sentido da sua vida. Tal disposição e humildade são necessárias para se achegar à cultura africana sem pressa, escutando muito, pedindo explicações para não se arriscar a fazer falso juízo. O primeiro anúncio do Evangelho deve ser límpido, sem promessas implícitas para atrair para si. O missionário não pode mais anunciar o Cristo sozinho, como antigamente. A comunidade, embora reduzida, é adulta e pode expressar a novidade do Evangelho com linguagem e símbolos africanos mais compreensíveis. Os nossos cristãos, se bem acompanhados, apresentam modelos de vida, exemplos, soluções para as dificuldades de maneira mais compreensível, a partir do seu próprio testemunho de vida. Como missionária, tenho o dever de crer na eficácia da Palavra; tenho a obrigação de suplicar para que o Espírito Santo desperte disposições adequadas no coração de quem anuncia. Também na Guiné-Bissau a Igreja aprofundará raízes, ajudará os guineenses a mostrarem o rosto africano de Cristo, será sinal de esperança e de vida entre este povo que, em meio a tantos sofrimentos e privações, invoca o nome de Deus e o procura. Missionárias
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