Revista "MUNDO e MISSÃO"

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Sinal vermelho
para os jovens

da redação

oi divulgado, em Brasília, no mês de junho, o livro “O Mapa da Violência (4) – Os Jovens do Brasil”, de Júlio Jacobo Waiselfisz. Ele reproduz a quarta pesquisa da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) sobre a situação dos jovens, a mais abrangente e mais recente (2002). Também a mais alarmante. Entre 67 países pesquisados, o Brasil ocupa a 5.ª colocação entre as maiores taxas de homicídios de jovens na faixa dos 15 aos 24 anos.

A análise da evolução, entre 1993 e 2002, demonstra um aumento de 88,6% nas mortes de jovens. Um terço delas foi causada por armas de fogo. A maioria das vítimas era do sexo masculino (92,2%), negra (65,3%) e morreu nos fins de semana (64%). Em 2002 morreram 54,5 jovens em cada grupo de 100 mil habitantes. Na mesma época, morreram 21,7 do restante da população, no mesmo grupo de 100 mil habitantes. Os dados abaixo são bem claros.

O salto verificado no número de assassinatos na faixa jovem aconteceu na década passada. Waiselfisz alerta que 39,9% das mortes de jovens brasileiros em 2002 se devem a homicídios. Aliados a acidentes de trânsito e suicídios, são as principais causas de morte nessa faixa, a custo social altíssimo. A violência pode chegar a 10% do PIB (Produto Interno Bruto), enquanto os gastos aplicados em educação no Brasil chegam a 5,3% do PIB.

“Com isso, o custo da violência é o dobro do que se investe no ensino”, ressalta o pesquisador. Jorge Werthein, representante da Unesco no Brasil, insiste na necessidade de criar políticas públicas preventivas, “mantendo os jovens na escola. Uma bolsa ao aluno é mais barata do que manter Febens. Mais jovens no Ensino Médio são menos jovens morrendo”. A pesquisadora Edinilsa Ramos de Souza agrega o envolvimento com o tráfico de drogas e o contrabando de armas como outras causas da violência.

“É fundamental desarmar a população”, afirma. A taxa de homicídios entre negros no Brasil é muito superior à de brancos. Entre os jovens, chega a ser 74% maior. Acre, Roraima e Paraná são exceções (onde é levemente maior a proporção de vítimas brancas). Porém, no DF são cinco vítimas negras a cada branca.

Waiselfisz lembra que as vítimas de homicídios no Brasil geralmente são de famílias com renda mais baixa e vivem em locais mais pobres (mas não há dados exatos sobre isto). Outro dado assustador: a violência, pela primeira vez, cresce mais no interior (8%) do que nas capitais (1,6%) e nas regiões metropolitanas (2,4%). “A expansão econômica do interior atraiu pessoas em busca de emprego, mas também a violência. Além disso, a ampliação dos sistemas de segurança das capitais ajudou a empurrar a violência para o interior”, afirma Waiselfisz.

(Fontes: Unesco, O Estado de São Paulo, A Folha de São Paulo)

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