Revista "MUNDO e MISSÃO"
Espiritualidade e Missão
Madre
Cabrini: No
mês em que se comemora o Dia Internacional da Mulher,
Apoiada por dom Domenico Maria Gelmini, Bispo de Lodi, Francisca fundou, em antigo convento franciscano, as “Salesianas Missionárias do Sagrado Coração”, instituição aprovada pela diocese em 1881. Em 1888, a congregação foi aprovada pelo Vaticano com o nome de “Missionárias do Sagrado Coração de Jesus”. Irmã Francisca insistia com suas religiosas sobre a obediência evangélica, a mortificação, a renúncia, a vigilância do coração e o silêncio interior, como virtudes necessárias para conformarem a própria existência a Cristo e para cultivarem o anseio missionário. Sua obra extraordinária encontrava força na oração e, sobretudo, nas longas paragens aos pés do Tabernáculo. Cristo era tudo para ela. Sua constante preocupação era ler a vontade de Deus nas disposições do Magistério da Igreja e nos eventos da vida. Logo, floresceram vocações e a rápida expansão da congregação por toda a Itália, animando a fundadora a partir para a China, nas pegadas de Francisco Xavier. Mas o Papa Leão XIII foi-lhe incisivo: “Não ao Oriente, mas ao Ocidente!”. Na ocasião, em Roma, irmã Francisca encontrou-se com o bispo de Piacenza, dom Scalabrini, fundador dos Missionários de São Carlos (no Brasil, chamados de Carlistas), que a convidou para a missão em favor dos migrantes italianos que acorriam à América em busca de trabalho, arriscando-se a todo tipo de dificuldades, quase sempre em condições de extrema indigência. (Entre 1903 e 1913, 4.711.000 emigrantes italianos aportaram na América). Francisca embarcou com um grupo de religiosas para a América do Norte e se estabeleceu em Nova York. Amigos lhe trouxeram migrantes sem-teto, abandonados sob as pontes, acampados nas periferias, miseráveis. E a irmã chorou com os tristes, consolou aflitos, estendeu o coração à dor, tornando-se lentamente uma mãe: a Madre Cabrini. Partindo do nada e com frágil saúde, mas confiando na Providência e com singular audácia, construiu um grande hospital em Nova York e foi abrindo casas, escolas, hospitais, orfanatos, pelos estados americanos. E viajou muito. Ficou famosa uma viagem de Nova York a Buenos Aires, em barco, em trem, em lombo de jumento ao atravessar os Andes. Ela procurava os migrantes pobres em toda parte, aventurando-se sozinha onde a própria polícia não ousava entrar, e, para eles, multiplicava instituições. “O Coração de Jesus faz com que as coisas se realizem com tamanha rapidez que nem consigo acompanhar”, repetia e acrescentava: “Não somos nós que realizamos nada, quem realiza tudo é Jesus”. As trinta fundações que construiu, espalham-se por oito países que visitou, inclusive o Brasil, onde seu nome é repetido com respeito. Madre Cabrini morreu em Chicago, em 1917, após uma viagem. Beatificada por Pio XI em 1938, foi canonizada em 1946 por Pio XII. A Igreja atribuiu-lhe o título de Padroeira dos Emigrantes. |
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