Revista "MUNDO e MISSÃO"

Espiritualidade e Missão

ão vagas as referências históricas à pessoa de José, esposo de Maria, a mãe de Jesus. Marcos e João nem o citam em seus Evangelhos. De Lucas, que narra a infância de Jesus, e de Mateus, temos escassas informações sobre o humilde carpinteiro de Nazaré. José teria nascido em Belém de Judá, próxima de Jerusalém. Era descendente pobre da nobre família de Davi, o grande rei que dera aos filhos de Israel um longo período de paz e de esplendor (1010-970 a.C.). José, porém, residia em Nazaré, na Galiléia, a aproximadamente 150 quilômetros ao norte da terra natal.

Seu pai chamava-se Jacó (Mt 1, 16). A informação mais preciosa que a Bíblia nos fornece sobre José é a de que ele era “um homem justo” (Mt 1, 19). Padre José A. Besen esclarece que a palavra “justo” é tsadiq, em hebraico, e designa “o homem justo e devoto, apegado aos mandamentos de Deus. De tsadiq provém tsedeq, palavra fundamental na vida dos judeus e que, ao mesmo tempo, designa justiça-justeza e caridade, princípios de vida que conduzem o homem à verdade. (...)

Como pai, José transmitirá a Jesus o que recebeu:

- uma espiritualidade cujo fundamento é o amor a Deus e ao próximo, através da observância amorosa da Lei e dos mandamentos” (São José Esposo e Pai, Editora Mundo e Missão, 2000, pág. n.º 8). Quando o anjo anunciou a José que, do seio de Maria, sairia aquele “que foi gerado pelo Espírito Santo e que salvará o povo de seus pecados”, ele “agiu conforme o anjo do Senhor lhe ordenara e recebeu em casa sua mulher. Mas não a conheceu até o dia em que ela deu à luz um filho. E Ele o chamou com o nome de Jesus” (Mt 1,24-25). Assim era José: uma vida simples e reta, humilde, de obediência irrestrita a Deus.

E assim continuou: quando obedeceu o decreto romano para se apresentar na sua cidade de origem; quando entendeu a recusa dos homens em acolher sua família, pois a esposa estava prestes a dar à luz; quando ele e Maria apresentaram o menino ao Templo, em obediência à tradição; quando, em plena noite, o anjo lhe ordenou:

“Toma o menino e sua mãe e foge para o Egito,... porque Herodes vai procurar a criança para matá-la” (Mt 2, 13); quando, no Egito, o anjo lhe disse:

“Toma o menino e sua mãe e vai para a terra de Israel, pois os que buscavam tirar a vida ao menino já morreram” (Mt 2, 20); quando ele e Maria, angustiados, perderam de vista a Jesus, em Jerusalém, com doze anos de idade, para encontrá-lo, três dias depois, “ouvindo e interrogando os doutores da Lei no Templo” (Lc 2, 46). Daquele episódio em diante, os Evangelhos silenciam-se completamente a seu respeito. Deduz-se que ele tenha morrido durante a vida “escondida” de Jesus, talvez em seus braços. Certamente, não se achava mais entre os vivos quando Jesus morreu na cruz; do contrário, não se explicaria porque Jesus recomendou sua mãe ao discípulo João.

São João Damasceno escreveu que Deus “deu a José o afeto de um pai, porque ele cuidou de Jesus com a maior ternura; deu-lhe a solicitude de um pai, porque nada deixou faltar a Jesus; e, enfim, deu-lhe a autoridade de um pai, porque foi obedecido por Jesus”. Em 1870, no Concílio Ecumênico Vaticano I, o papa Pio IX proclamou-o Patrono da Igreja Universal. Bento XV inseriu no missal um prefácio próprio do santo. Mas a devoção popular a ele é antiqüíssima para as obras de conversão, de caridade e de promoção humana, através de dezenas de orações diferentes e de uma ladainha própria. É o padroeiro dos operários e dos trabalhadores em geral.

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