Revista "MUNDO e MISSÃO"
Espiritualidade e Missão
OOVocação
cristã por ir. Miguel de Maria Milanez Chamado de Deus e resposta do homem
Nós, Irmãos Beneditinos de Maria Mãe de Deus, fomos “chamados a viver a vocação monástica beneditina, como resposta ao Pai que em Cristo nos consagra e nos reúne”. Somos uma comunidade beneditina de jurisdição Diocesana e estamos a aproximadamente 300 quilômetros de São Luís, capital do estado do Maranhão. Formamos a única comunidade monástica em todo o Estado. Deus nos chama, a decisão é nossa Deus, em sua infinita liberdade, chama, de modo concreto, cada homem, cada mulher pessoalmente a uma forma particular de vida cristã, e mostra – por uma ação anterior de seu Espírito (Cf. 1 Cor 11, 2-12) – o caminho que cada um deve seguir. Por esta razão, a resposta do homem à “santa vocação” deve tomar um rumo decisivo, procurando definir conscientemente de que maneira este chamado deve se concretizar em sua vida. Um desses caminhos é a vida beneditina, suscitada pelo Espírito Santo de Deus, em determinado momento histórico; uma vida inserida nas tradições monásticas precedentes, fielmente vivida por São Bento e descrita em sua Regra, e perpetuada pela vontade de Deus no decorrer dos séculos, que a ela quis chamar uma multidão de homens e mulheres. Desafios na vivência do chamado
O nosso mosteiro está inserido em uma realidade desafiadora, onde procuramos ficar atentos aos sinais visíveis que o Senhor nos apresenta, todos os dias, através dos fatos e situações, para que possamos viver a nossa vocação de sacerdote, profeta e pastor. Vivemos em uma região onde a missão e a ação são palavras-chave, de maneira que a vida contemplativa não deixa de ser um desafio, mesmo porque ela é praticamente desconhecida pelo povo que vive ao nosso lado e, de maneira particular pelos jovens, mais voltados para a vocação diocesana e missionária. É preciso que a juventude descubra também o sentido e a beleza da vocação contemplativa. Além disso, nossa vida simples é praticamente rural. Vivemos rodeados de um povo sofrido e carente, porém cheio de alegria, esperança e sede de Deus; que encontra no mosteiro um refúgio de paz e acolhimento. E, para que possamos “ser sal da terra e luz do mundo” a todos os que batem à nossa porta, precisamos nos reabastecer todos os dias da sagrada Eucaristia, do Opus Dei (Ofício Divino), da Lectio Divina e da oração pessoal. Só assim encontramos forças para continuarmos firmes na vocação para a qual fomos chamados. Um sinal no mundo
As dioceses, as paróquias, os movimentos e o mundo em geral precisam descobrir, cada vez mais, o valor da vida consagrada e religiosa e, de maneira especial, a vida contemplativa. Ela é um pilar que sustenta – através da oração comunitária e pessoal – a Igreja missionária, aquela que se lança na direção do pobre e do sofredor, exercendo a caridade de Cristo na sua essência, evangelizando e levando a Palavra de Deus para o mundo todo. Hoje, no mundo moderno, para muitas pessoas, a vida religiosa está fora de moda; consagrar a vida a Deus e optar pela conversão dos costumes, pela pobreza e pela obediência, é pura alienação. Lamentavelmente, essa idéia é fruto de um mundo competitivo, de satisfação dos desejos, do sucesso, do individualismo e da falta de conhecimento da Palavra do Senhor. Por isso, rezamos pelo mundo e pela conversão dessas pessoas, que não valorizam a vocação de quem foi chamado ou chamada a doar-se em favor do Reino de Deus. Rezamos ainda, pelos jovens, para que não se tornem indiferentes ao chamado do Senhor, e, assim, possam colocar sua vida a serviço de muitos.
Porque o Maranhão Em toda a Região Norte e Meio-Norte do país, não havia nenhuma comunidade de vida contemplativa masculina, de modo que achamos conveniente e necessário começarmos a nossa fundação em terras onde o carisma beneditino ainda não tivesse chegado. Em vista dessa realidade, confiando na Providência Divina, na proteção de Maria Imaculada e nosso pai São Bento, lançamo-nos neste desafio de expandir o Reino de Deus, através da Oração e do Trabalho, vivendo os ensinamentos da Santa Regra, reflexo fiel da Sagrada Escritura, e lei “sob a qual o discípulo de São Bento quer militar”. Louvor e gratidão Neste ano de 2004, vivemos, louvamos e agradecemos ao Senhor, por uma década de fundação e presença em terras maranhenses. No dia 18 de dezembro de 1994, saímos de Pernambuco, com destino a São Luís do Maranhão, onde fomos acolhidos pelo arcebispo, dom Paulo Ponte, que nos conduziu ao convento do Carmo, dos frades Capuchinhos, onde nos hospedamos provisoriamente, até que se concluíssem as reformas do local a ser transformado em mosteiro. Aí permanecemos até o ano de 2000, quando, então, dom Reinaldo Pünder nos convidou a fundarmos uma comunidade monástica na sua diocese de Coroatá. O convite foi aceito com alegria. Naquela diocese já nos encontramos há quatro anos.
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