Revista "MUNDO e MISSÃO"

Espiritualidade e Missão

Pedro Miskalo

dolfo nasceu em 1813 em Kerpen, perto de Colônia, na Alemanha. O pai, analfabeto, era pastor de ovelhas, cujos cinco filhos “se apertavam numa salinha, a ponto de estorvar as moscas nas paredes”, escreveria Adolfo sobre a própria infância. Após os primeiros estudos em Kerpen, as duras condições econômicas da família transformaram Adolfo em sapateiro, inicialmente na sua região, depois em Colônia, um ambiente hostil a seus princípios religiosos.

Aos 20 anos, a morte da mãe lhe daria novo sentido à vida. Escreveu:

- “Seu coração conservou o meu, meigo e agasalhado... seu amor nos ensinou a nos amarmos... e esse amor foi o melhor que nos restou ao longo da vida”.

Naquela época, a “máquina entrava impiedosa e inexorável em toda parte. Em sua passagem, expulsava trabalhadores. A onda de desemprego, de exploração do operário, crescia mais e mais. Começou a formação do proletariado”, escreveu pe. Arsênio J. Schmitz em “Obra Kolping Estadual de Santa Catarina” (OK p. 16). Resistindo à tentação de herdar os negócios do patrão, que ansiava pelo casamento da filha única com o jovem sapateiro, Adolfo dispunha-se a ajudar os jovens sem presente e sem futuro. Depois de grave doença, que o devolveu a Kerpen, decidiu ser padre. Aos 24 anos voltou à escola, ao lado de adolescentes de 14, em Colônia.

Esse período foi-lhe espiritualmente fecundo, enquanto a saúde oscilava:

- “Torrentes de sangue, que me brotavam do peito, pressentiam a morte próxima” (Diário).

Concluiu o colegial em 1841. Com uma bolsa de estudos, obtida com antigos patrões de seu pai, iniciou a teologia em Munique, onde se tornou um líder entre seus pares. Estudou em Munique, Bonn e Colônia. Foi ordenado em Colônia, em 13 de abril de 1845, aos 32 anos. Foi nomeado auxiliar de uma paróquia em Elberfeld, no vale do rio Wupper, onde a revolução industrial entrara com maior ímpeto e “as camadas inferiores da população estavam mergulhadas em miséria total” (OK p. 20).

O livreto “Adolfo Kolping” (AK), de Sebastian G. Schaeffer, transcreve um texto de Kolping na “Folha da Igreja da Renânia”:

- “Os operários vagueiam, em grandes grupos, pedindo ajuda, trabalho e comida, sem que ninguém possa atender suas necessidades” (p. 20).

Mas uma Associação de Jovens Trabalhadores católicos de Elberfeld serviu de inspiração a Kolping para a fundação de sua própria obra, sonhada desde os tempos de sapateiro. Nos estatutos da referida associação, Kolping “coloca a fé cristã na base de tudo, recomendando a união e a ajuda para o alcance das metas e a alegria como expressão da sadia vitalidade do grupo” (AK p. 21). Em Colônia, em 6 de maio de 1849, nasceu a sua primeira Associação de Profissionais Autônomos, embrião da Obra Kolping.

Sete jovens ouviam Kolping “presos a seus lábios. Nossos corações ardiam. Chorávamos como crianças. Sentíamos algo e não sabíamos o que era” (OK p. 21). Na mesma hora e cidade, pouco adiante, Marx lançava, num discurso, o Manifesto Comunista, conclamando o povo à luta de classes. A época era, pois, tumultuada. Um ano depois, os sete jovens se transformaram em trezentos. Logo depois, em mil. Kolping não se poupava.

Foi recebido duas vezes por Pio IX. Viajou muito, discursou e escreveu, deixou vasta correspondência, insistindo sempre que “caridade ativa cura todas as feridas” e que “a fé em Deus nos faz acreditar no homem”. Quando morreu, esgotado por intenso sofrimento, aos 52 anos, já eram 24.600 os membros e 418 as comunidades da associação. A Obra adota o princípio democrático de participação. Não é confraria religiosa, mas associação que apóia a auto-organização de jovens artesãos.

Sua meta é a promoção integral da pessoa, principalmente do jovem, tornando-o cristão autêntico, trabalhador competente, pai (mãe) de família responsável, cidadão consciente e recriador culto (para “recriar” a vida). Encontra-se em mais de 50 países de 4 continentes. O Pe. Adolfo Kolping foi beatificado em 27 de outubro de 1991, por João Paulo II.

Leitura
“Adolfo Kolping” Modelo para muestra vida – Heinrich Festing – Santiago de Chile 2002

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