Revista "MUNDO e MISSÃO"

Educação

Jonathan Constantino* - jhokairos@yahoo.com.br

No bicentenário do nascimento de Charles Darwin colocamos
Em Debate a questão: evolucionismo ou criacionismo?

m 12 de fevereiro de 1809 nascia, em Shrewsbury, Inglaterra, Charles Robert Darwin. No ano em que se completam 200 anos de seu nascimento e 150 anos da publicação de sua mais famosa obra – A Origem das Espécies – volta à tona o debate acirrado que suas idéias e de outros cientistas causaram, ao se confrontarem com as explicações cristãs a respeito da criação da natureza e do homem. Em Debate apresenta elementos e argumentos levantados por Evolucionistas (adeptos da Teoria da Evolução) e Criacionistas (que atribuem o surgimento da vida à ação divina, direta, como se encontra hoje). Espera-se não cessar o debate, mas instigá-lo.

Teoria?

“Embora chamada de Teoria da Evolução, não são apenas hipóteses. São fatos embasados nas pesquisas dos naturalistas ingleses Charles Robert Darwin (1809-1882) e Alfred Russel Wallace (1823-1913) que, isoladamente, comprovaram a seleção natural – fenômeno biológico que favorece a sobrevivência de quem herdou combinações gênicas mais adaptativas a um dado meio ambiente. A descendência com modificações foi denominada ‘evolução’, declarou Fátima Oliveira, médica, escritora, feminista e uma das 52 brasileiras indicadas ao Prêmio Nobel da Paz -2005.

O Criacionismo

“A percepção criacionista, aplicada à origem da vida, dos seres vivos e em especial do ser humano, não é privilégio hebreu ou de pastores da Judéia, reafirmado pela posição cristã-católica. Princípios criacionistas são comuns em muitas outras culturas e crenças. Diria que são poucas as descrições dogmáticas da natureza que não atribuem a alguma ou várias divindades o poder da Criação, conferindo à Vida um caráter superior às coisas palpáveis e sensoriamente perceptíveis”. (Douglas Mascara, biólogo e professor da Universidade de Mogi das Cruzes-SP).

Críticas

“Na História, os inventos e descobertas da ciência ou da tecnologia que implicaram mudanças na sociedade de sua época, tiveram seus defensores e opositores ferrenhos. Os conhecimentos biológicos em todos os tempos engendraram profundas indagações e conflitos. Sempre estiveram relacionados a questões relativas do poder político, às rédeas da dominação. Informação, conhecimento e o saber em sua multiplicidade de dimensões, mantêm relações muito vinculadas ao poder através dos tempos” (Fátima Oliveira).

Dogma, dominação e ensino

“O dogma primitivo é fundamentado por ‘iluminados’ da sociedade que os impõem aos demais. O desafio ao dogma é também um desafio à superioridade dos ‘iluminados’. Coloca-se o ser humano em condição superior aos demais seres vivos do planeta. Em nome dessa superioridade – Deus criou as criaturas para servirem ao homem – o ser humano explorou, destruiu, escravizou e cometeu barbaridades. Afinal, de que outra maneira a Igreja ocidental teria abençoado as nações que escravizavam os povos pelos mundo?

O que me parece pior no ensino criacionista e mais deplorável para a formação humana é a condição de superioridade concedida ao homem superior (isto é, branco e civilizado)” (Douglas Mascara). “A educação confessional, tradicional e reconhecida por sua qualidade, oferecida pela rede Adventista, rede mundial, inclusive, já formou milhões de pessoas em suas mais diferentes unidades, do infantil ao universitário e em seus diversos campos de atuação. Das áreas humanas às biológicas ou exatas, estes profissionais estão por aí, contribuindo com o crescimento social, ambiental e comunitário. (Darwin e escolas confessionais - rivalidade ou mal entendido? – www.aprendaki.com.br)

As Igrejas

“É realmente impressionante que essa teoria tenha progressivamente se enraizado nas mentes dos pesquisadores, seguindo uma série de descobertas feitas em diferentes esferas do conhecimento. (...) Parece ser mais que apenas uma hipótese. (...) [Mas] se o corpo humano tem sua origem na vida que existia antes, a alma espiritual é criada imediatamente por Deus” (João Paulo II, mensagem à Academia Pontifícia de Ciências, em 1996).

“A Igreja aceita a teoria de evolução, se comprovada cientificamente, mas não abre mão de duas premissas:

1. se houve a evolução, como tudo indica, esta foi querida e guiada por Deus até o surgimento do ser humano na Terra;

2. este recebeu de Deus a alma imortal; esta não foi fruto da evolução”. (Dom Gianfranco Ravasi, presidente do Pontifício Conselho para a Cultura).

Em Regensburg, Alemanha, o Papa Bento XVI declarou a 250 mil pessoas que “cientistas se empenham em demonstrar que Deus é inútil ao ser humano”. Sobre a origem da vida, disse que “ou ela surgiu através de uma Razão criadora que faz tudo e fomenta o desenvolvimento; ou da irracionalidade que produz um cosmos ordenado de maneira matemática, ao homem e à razão, resultado casual da evolução, ‘no fundo, uma coisa irracional’”. (Bento XVI afirma que teoria da evolução é irracional, 12/09/2006, por Montfort Associação Cultural). “Não há provas conclusivas de que haja qualquer indício na natureza de que uma espécie possa gerar outra espécie. (...) A teoria evolucionista também depende de as pessoas acreditarem em um milagre.

O surgimento da vida a partir de uma ameba traz questionamentos como:

- a ameba surgiu de onde?” (Bispo Marcelo Crivella, da Igreja Universal do Reino de Deus).

*biólogo e prof., membro do Entre Jovens

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