Revista "MUNDO e MISSÃO"
Direitos Humanos
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Todos os povos indígenas do mundo lutam para obter o pleno controle de suas próprias terras. Na realidade, o conceito de direito de propriedade da terra é um termo ocidental que não tem sentido para os povos indígenas. Quando são obrigados a aceitá-lo, é para se defender da ingerência e da prepotência da civilização ocidental em seu projeto de vida. O direito à terra é algo diferente de uma exigência política. É o desejo de conservar a própria e profunda identidade cultural. Para os povos indígenas, a terra é Mãe: cuida de todos os filhos seus, os veste, os alimenta, doa a vida. Nela é conservada a história do povo, o eixo que dá sentido a suas culturas. Assim, quando os Himba, do norte da Namíbia, na África, fizeram notar que o projeto de construção de uma usina hidrelétrica destruiria uma série de cemitérios sagrados, sua mensagem era, na realidade, que toda sua estrutura social estava ameaçada. Um túmulo não é somente um espaço religioso, mas um ponto central de identidade que define as relações sociais dos grupos humanos e das pessoas com a terra. O relacionamento dos indígenas com sua terra assemelha-se ao modo como o povo hebreu concebia a terra prometida. Para eles, a Palestina não era igual às outras terras, porque era a terra da Promessa. Fora daquela terra era impossível celebrar a liturgia, as festas e até mesmo cantar um dos cânticos de Sião (2 Reis 5, 17). Hoje, a Igreja missionária é decididamente solidária à luta dos povos indígenas pela terra. Como Frei Bartolomeu De Las Casas um dia proclamou os direitos dos indígenas sobre a terra, contra a brutal colonização espanhola (1552), assim hoje a comunidade cristã é chamada a levantar sua voz para a defesa da terra contra a cobiça avassaladora da civilização ocidental, em parceria com as sabedorias de todos os povos do planeta, em busca de uma terra sem males. |
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