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O DEUS DA PAZ (1 Ts 5,23-24)
Sergio Bradanini
A longa série de exortações visando ao crescimento
da comunidade cristã (1 Ts 5,12-22) termina com a oração
do apóstolo, pedindo a Deus que santifique aqueles que ele mesmo
chamou. Esta breve oração não é a conclusão
só da segunda parte da carta (cap.4-5), pois é possível
notar que retoma a súplica no fim da primeira parte (1Ts 3,11-13),
mas é a conclusão final do escrito inteiro. De fato, é
muito significativo que a carta termine deixando aberto o espaço
para a invocação, para iluminar o itinerário de fé
de qualquer comunidade cristã. Sendo a Igreja uma realidade histórica
construída simultaneamente por Deus e pelos homens, é natural
que permaneça aberto o espaço onde acontecem as relações
entre os dois parceiros. Toda a tradição bíblica
é testemunha disso. Paulo invoca o "Deus da Paz" porque
é Ele que doa a seu povo a salvação no sentido de
plenitude de harmonia e de felicidade, tão bem expressa pelo termo
hebraico "shalom" e pelo termo grego "eirene". Pode
ser que o Apóstolo, mediante esta súplica, lembre as belíssimas
expressões dos profetas e dos salmos. Com efeito, é Deus
que "faz correr a paz como um rio e a glória das nações
como torrente transbordante" ( Is 66,12; cfr. Is 48,17-18). O salmista
assim se exprime: "Vou ouvir o que Yhwh -Deus diz, porque ele fala
de paz a seu povo e a seus fiéis" (Sl 85,9-14).
Profundamente marcado pela tradição bíblica, Paulo
pede a intervenção divina a fim de que, ele mesmo, o Deus
Santo, leve à plenitude a sua obra de santificação
nos Tessalonicenses????. Trata-se de reconhecer, como sempre, a iniciativa
divina na história humana, como já foi assinalado no início
da segunda parte da carta (4,3.4.7) onde a questão da "santidade"
e da "santificação" exprimem a vontade de Deus.
De um lado, trata-se de um processo de aperfeiçoamento que leva
a comunidade ao encontro com Deus e, de outro, da tarefa da comunidade
em ser testemunha da santidade divina no mundo. Neste sentido, a comunidade
cristã recebe do Deus Santo a missão de "santificar"
não só a própria vida, mas também o mundo
e a história. Por este motivo, Paulo mostra que a eficácia
desse processo de santificação só pode ser efetiva,
se houver participação humana integral ("corpo, alma,
espírito"). Mediante essa trilogia (em todas as cartas aparece
só aqui), Paulo quer indicar a pessoa humana em sua totalidade,
como destinatária da obra santificadora de Deus. Tudo isso para
os membros da comunidade acaba se transformando em compromisso de permanecerem
preparados ("guardados de maneira irrepreensível") para
o encontro com o Senhor.
Todos os encontros são importantes e significativos ao longo da
história, desde que não se perca de vista o "encontro
conclusivo" não só da própria vida, mas da história
inteira: "o dia da 'parusia'(= vinda) do Senhor nosso Jesus"
A motivação dessa exigência de preparação
permanente, integral e total da comunidade, está alicerçada
na fidelidade divina: "Fiel é quem vos chama e fará
tudo isso" (5,24). Podemos ver nesta expressão, um convite
para que a comunidade cristã tenha uma profunda confiança
em Deus, porque ele não só chama "ao seu reino e à
sua glória" (2,12) ou "à santidade" (4,7),
mas também sustenta e anima a vida dos fiéis, mediante a
sua própria Palavra "que age em vós, os fiéis"
(2,13). Através dessa súplica, fortemente evocativa da fidelidade
de Deus, Paulo mostra à comunidade que ela está profundamente
inserida no projeto divino de salvação. O "Deus da
Paz" é o "Deus fiel" que chama constantemente a
comunidade cristã a levar uma vida íntegra, pois a fidelidade
e a ação divina são a garantia de sua Presença
permanente e, ao mesmo tempo, exigente na vida dos tessalonicenses.
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