Revista "MUNDO e MISSÃO"
Cultura - Culturas
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Lenda sobre o êxodo da tribo baulé
Muitas foram as aventuras vividas durante essa fuga e os inimigos sempre ao seu encalço. Depois de muito tempo de caminhada, enfim chegaram às margens do rio Komoé. Quando lá chegaram, não puderam atravessar, porque as águas do rio tinham invadido suas margens. E os inimigos estavam sempre ao seu encalço. Então, o chefe da tribo foi consultar o chefe do feitiço e este último, depois de consultar os gênios, disse que, para acalmar a fúria das águas e assim atravessarem, tinham que sacrificar uma criança. De imediato, a rainha da tribo relutou em sacrificar o seu filho e sua atitude colocou ainda mais em perigo a vida do povo, porque os inimigos continuavam a avançar. Assim, sua irmã Abla Poku ofereceu seu filho para ser sacrificado e, de imediato, os hipopótamos se enfileiraram um ao lado do outro, formando assim uma ponte, por onde os baulés puderam atravessar o rio sem molhar os pés. Quando, mais tarde, chegaram os inimigos, já não puderam atravessar e assim deixaram de perseguir os baulés. Como a irmã da rainha ofereceu seu filho em sacrifício para libertar seu povo, ainda hoje, a tribo baulé tem regime matriarcal, isto é, o herdeiro não é o filho legítimo, mas o sobrinho. Quando morre um chefe, a sua morte não é anunciada imediatamente, às vezes, passam meses para o anúncio oficial, dando assim tempo para se fazerem os devidos preparativos. Então, para atenuar a morte, usam a expressão: "O chefe está com dor no pé". Assim, todo mundo sabe que ele já faleceu, mas ainda é proibido falar ou chorar a sua morte. No dia do anúncio oficial, todo mundo deve chorar um pouco, para compadecer-se da morte do chefe. Para exprimir a compaixão de todos os habitantes da aldeia pela morte do seu chefe, os idosos dizem em linguagem proverbial: "A árvore que dá frutos doces, dá também frutos azedos". |
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