Revista "MUNDO e MISSÃO"
Cultura - Culturas
por Patrizia Bergamaschi
Multiplicam-se as buscas de retratar o Filho de Deus, como se, por um especial favor divino, algum artista, num raro momento de favorecimento ou de êxtase espiritual, pudesse conseguir flagrar um pálido vislumbre de seus olhos. Nunca se chegou a uma imagem ideal, como a provar que Deus se reparte de todas as formas e em todas as culturas. Mas sondam também a Mãe. Talvez, de uma mulher, totalmente humana e frágil, seja possível captar o fulcro da divindade encarnada. Talvez, numa mulher do povo ou numa grande dama, numa menina cândida ou numa mulher sofredora, estejam os traços da Virgem. Talvez, nos gestos das mães de todos os continentes e povos, estejam reunidos – como singular tesouro – os sentimentos da Mãe do Salvador. Assim, percorrem os pintores as telas e as próprias almas para encontrar a essência do feminino, a pureza sempre virginal da maternidade, o seguro regaço psicológico. Maria torna-se ponte a nos unir ao divino, ao mistério. Sob seu olhar, em todas as telas, é a nós mesmos que vemos, transformados em seus filhos, abrigados em seu peito, sustentados em seus braços. Mérito de geniais artistas ou de legítima inspiração mística... Nas linhas delineadas pelos homens, nas cores que eles imitam da natureza, um sopro do Espírito se ouve e nos consola com a beleza passageira a evocar a eterna.
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