Revista "MUNDO e MISSÃO"
Cultura - Culturas
A Palavra de Deus foi um dos objetos de maior empenho para minuciosos artistas, anônimos e devotos, que se esmeraram em ilustrar suas páginas, iluminando-as com motivos decorativos e desenhos tão sintéticos quanto belos e coloridos. As primeiras iluminuras, denominação geral para pintura de iniciais ou miniaturas, datam do século 6 e dão a primazia dessa arte aos bizantinos. Mas o gosto por esse tipo de ilustração espalhou-se pelos centros monásticos europeus e desenvolveu-se exclusivamente neles até o século 12. Com a criação das universidades e a necessidade de maior produção de livros, esse tipo de trabalho alcançou o mundo leigo e expandiu-se ainda mais. A invenção da imprensa no século 16 esmoreceu a arte e os artistas do detalhe. Não se pode esquecer, todavia, que as iluminuras davam vida aos textos que eram zelosamente copiados, inicialmente, pelos monges. Dos documentos disponíveis sobre o assunto, sabe-se que um monge, trabalhando sozinho, levava mais de um ano para copiar a Bíblia inteira. Alguns copistas chegaram a testemunhar os “tormentos” que padeciam: as dores nas costas, as cãibras, os dedos adormecidos pelo frio, os olhos cansados pelo longo trabalho de horas e horas, por semanas e semanas. Consolava-os a idéia de que era possível, também, “combater o diabo com pena e tinta” e que “por uma letra, linha e ponto, um pecado era apagado”. Da mesma forma, se o interior iluminava-se de beleza, o exterior se revestia de preciosidades: pedras, pérolas, engastes poderosos, decorações vistosas, cruzes triunfantes. As capas das Bíblias anunciavam o esplendor de seu conteúdo e a Vida que perpassa em cada linha.
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