Revista "MUNDO e MISSÃO"
Atualidades no Mundo - Ásia
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por Alberto Garutti Entre eles, João Paulo II, Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-presidente da República Tcheca, Vaclav Havel, o Exército da Salvação, o cantor de rock Bono, dos U2. A atribuição do Nobel a Shirin representou uma injeção de confiança em todos os iranianos que, começando do presidente Khatami, desejam que aconteçam mudanças no país. À sua chegada, mais de 10 mil pessoas, na maioria mulheres, estavam no aeroporto para recepcioná-la, enquanto fontes de informação dizem que o clima em Teerã era extraordinário e de verdadeira euforia. Na motivação do prêmio, lê-se que o Comitê, com muita satisfação, entendeu premiar "uma mulher que pertence ao mundo muçulmano, para quem é importante que o diálogo entre culturas e religiões diferentes aconteça a partir de valores que todos compartilham". E a motivação continua: "Como advogada, juíza, professora, escritora e militante política, ela sempre levantou sua voz forte e clara em seu país, e além dos confins dele. Sempre batalhou pela defesa dos direitos fundamentais. Nenhuma sociedade pode ser definida civilizada, se os direitos das mulheres e das crianças não são respeitados". Quem é Shirin Ebadi Shirin, nome que significa "doce", é advogada e professora de direito na Universidade de Teerã. É casada e tem duas filhas, de 20 e 23 anos. Em 1974, foi a primeira mulher a se tornar juíza, ainda sob o reinado do xá Reza Pahlevi. Mas, depois da tomada de posse de Khomeini, os aiatolás decidiram que as mulheres eram muito emotivas para serem responsáveis por um tribunal e ela foi obrigada a deixar o cargo. Voltou a exercer a profissão de advogada, aceitando casos bastante difíceis pois se tratava de defender pessoas perseguidas pelo regime. Três anos atrás, ficou detida durante 22 dias, acusada de divulgar um vídeo contendo as declarações de um membro arrependido da organização extremista Hezbollah. Ele admitia que o grupo recebera instruções para impedir e dissolver, pela força, as manifestações de contestação ao regime que, então, se multiplicavam no país. Em vista disso, Shirin foi impedida de exercer a advocacia durante cinco anos. Há bastante tempo, ela luta para combater os abusos contra as crianças, tanto na família como no trabalho. No campo dos direitos da mulher, está lutando para que as mulheres possam ficar com os filhos, em caso de separação do marido, que não sejam prejudicadas pelo divórcio, não sofram violências na família, tenham o direito de herdar e testemunhar em juízo, exatamente como os homens. Shirin Ebadi e o Prêmio Nobel
O Prêmio Nobel da Paz consiste num diploma, numa medalha de ouro e num cheque de 10 milhões de coroas suecas (1,3 milhão de dólares). A cerimônia se realiza todos os anos no dia 10 de dezembro, aniversário da morte de Alfred Nobel, um sueco que deixou um fundo para que todos os anos fossem premiadas as pessoas que se destacassem nas ciências, na literatura e no campo dos direitos humanos. Todos os Prêmios são entregues em Estocolmo, capital da
Suécia. Somente o da Paz é entregue em Oslo, capital da
Noruega. Eis aqui algumas declarações de Shirin, após ter sido informada da premiação. "Estou ainda atordoada", disse a uma agência francesa. "Esse prêmio vai também para todos os iranianos que lutam pela democracia". "Este prêmio é bom para mim, bom para os direitos do homem, bom para a democracia no Irã". Mas Shirin falou também de cristianismo: citou as felicitações que recebeu de João Paulo II, que foi um dos primeiros a se congratular com ela. "Sempre admirei João Paulo II, especialmente porque condenou a intervenção americana no Iraque". Disse, ainda, que entre islã e cristianismo não pode haver conflito. "Tudo isso pode ser coisa do passado. Agora cristãos e muçulmanos deixaram de lado as cruzadas; é importante o diálogo entre as diversas religiões. O Islã não é uma religião do terror, uma religião em nome da qual se possa matar". Sua posição a respeito da invasão do Iraque também foi clara: é contrária à ocupação pelos americanos e disse que os direitos humanos não podem ser levados a um país por meio de bombas e tanques de guerra. Algumas declarações feitas à imprensa, antes de ganhar o Prêmio Nobel, mostram claramente o que ela pensa do islamismo e do Irã: "Qualquer pessoa que começa a trabalhar pelos direitos humanos, no Irã, deve viver com medo, desde o nascimento até a morte, mas eu aprendi a superar esse medo", declarou à revista americana The Christian Science Monitor. |
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