Revista "MUNDO e MISSÃO"
Atualidades no Mundo - Ásia
DESENVOLVIMENTO E POLUIÇÃO A necessidade premente fez com que se aproveitassem todas as minas existentes, as que oferecem segurança para quem nelas trabalha e as que não oferecem segurança alguma: calculam-se 20 mil mortes de mineiros por ano nas minas chinesas, pelas condições de insalubridade ou por falta das mínimas condições de segurança. Por causa da poluição, há dias em que, em Pequim, é impossível enxergar a 100 metros de distância. Todos os rios estão poluídos por dejetos industriais. O número de óbitos ocasionados pelo câncer não pára de crescer. Centenas de milhares de pessoas morrem anualmente em conseqüência das diversas modalidades de poluição. Nestas condições de crescimento, o futuro da China (e do mundo) desenha-se como uma grave incógnita.
As contradições na sociedade chinesa Muito pelo contrário, a China é o país das mais estridentes contradições. Os quase 30 anos de reformas econômicas fizeram com que passasse de uma economia stalinista e igualitária para uma sociedade inserida no comércio internacional. Se, no tempo de Mao, a sociedade chinesa podia ser considerada horizontal, agora ela é representada por uma pirâmide em cujo topo se encontram os chefes do Partido Comunista e seus filhos, junto a cerca de 3 milhões de pessoas consideradas ricas (cerca de 400 mil reais de renda cada uma). Mil dentre eles (os muito ricos) possuem de 30 a 40 milhões de reais, enquanto três quartos da população, os 900 milhões de agricultores, sobrevivem com cerca de cem reais por mês. Conforme muitos analistas, a situação atual é até pior do que aquela em que a China se encontrava no tempo de Chiang Kai-shek, quando os lavradores se rebelaram contra os proprietários de terras e os mandarins e apoiaram a revolução de Mao Tsé-tung e pior do que a vivida nos tempos de Mao. O evangelho comunista sempre ensinou que devem ser satisfeitos os três direitos fundamentais do homem: comer, vestir, morar. Mas, com menos de 100 reais por mês, um agricultor não pode fazer as três coisas ao mesmo tempo. Tudo isso acontece enquanto o preço das propriedades em Pequim e Shangai continua aumentando e os guindastes para a construção de prédios enormes enchem o panorama das cidades. Sabe-se que um dos motores da economia é a mão-de-obra barata. Mais de 70 milhões de ex-agricultores migrantes, acorrem – em busca de emprego – às grandes cidades. Fábricas e canteiros de obras estão cheios de operários remunerados com salários irrisórios. A China se tornou a nação que recebe os maiores investimentos do exterior (mais de 60 bilhões de dólares em 2004); mas as condições de trabalho não são das melhores: além de salários miseráveis, trabalha-se mais horas por dia e, em muitos casos, sem o dia de descanso semanal. Trabalhadores nas minas de carvão chegam a ficar 14 horas por dia sob o solo. Injustiça e opressão Os camponeses se tornaram fonte de renda para os chefes da aldeia e os secretários do Partido. Mais de 90 diferentes taxas são cobradas nas aldeias: - é taxado até o verde dos campos, a poluição produzida pelas chaminés das casas, fontes de água e há uma taxa até sobre as “atitudes” que alguém toma: se criticar ou contestar decisões das autoridades, pode ser taxado; se não pagar, pode ver penhorados os móveis, a casa ou o terreno. No campo educacional, a situação não é diferente: - pelo menos 80% dos filhos dos camponeses abandonam a escola antes do tempo para poderem trabalhar, ou porque o pai não tem como pagar as taxas, livros, cadernos. Envergonhados, muitos pais se suicidam. A universidade pública tornou-se um luxo de uma minoria, com anuidades de cerca de 2,5 mil reais. Há pais que vendem, literalmente, seu sangue ou seus órgãos, para que os filhos possam freqüentar a universidade. Enquanto isso, os filhos dos ricos emigram para os grandes centros ingleses ou americanos para completarem sua formação. Descontentamento e protestos Uma situação como essa produz descontentamento e protestos. Nos últimos meses, houve manifestações contra o governo em Henan, Sichuan, Shaanxi, Mongólia e Guandong. Agricultores, operários, minorias étnicas que sofrem sistematicamente violações de seus direitos realizaram violentas manifestações de protesto, sufocadas com brutalidade pela polícia. O governo está a par da situação. Está preparando uma legislação para abolir as taxas dos camponeses, aumentar as verbas para a saúde e para as escolas rurais. Mas, consciente da corrupção que existe no interior do Partido (todo ano desaparece cerca de 14% do PIB), resolveu aumentar também o orçamento do exército em até cerca de 10 bilhões de reais. O desafio para o PCC, que está no poder, já não vem de intelectuais e dissidentes, mas do próprio povo. Reforçar a polícia e o exército parece ser a única maneira de garantir a “harmonia” à sociedade chinesa. Avvenire O poder na China A China é uma república popular, na qual o poder é exercido por um partido único, o Partido Comunista Chinês (PCC). O poder no partido está concentrado nas mãos do Politburo: nove membros do PCC, que exercem o controle sobre todo ato administrativo, legal e executivo. A Assembléia Nacional do Povo, formada por 2989 delegados, eleitos pelas províncias e pelas forças armadas, com mandato de cinco anos (em seu interior existe um comitê permanente de 155 membros). Tem função legislativa e nomeia: • o Presidente, com mandato de 5 anos. É
também secretário do Partido Comunista. O atual Presidente
é Hu Jintao; A economia chinesa • População: 1,3
bilhão |
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