Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Voluntarios


Jovens vítimas das minas anti-pessoal enquanto a corrupção se generaliza, o povo sofre

Há quase 20 anos que o Pe. Joarez, natural de Peabiru-PR, está trabalhando, como missionário, em Angola.

Nestes poucos anos, o missionário assistiu à tragédia pela qual passou a Angola. Um país que já foi conhecido como um dos mais desenvolvidos da África, atualmente está quase que totalmente destruído.

A causa de tudo isso é a disputa pelo controle político que continua alimentando uma guerra civil que iniciou em 1975, ano de sua independência de Portugal.

Os grupos em conflito são: a UNITA (grupo guerrilheiro que detém o controle da maior parte do país) e o MPLA (forças do governo que dominam as quatro maiores cidades e que concentram quase 90% da população).

DIVISÃO E SOFRIMENTO

Trata-se de uma verdadeira ideologia de guerra, sem que se perceba sinal de renovação sócio-política que ofereça uma esperança de paz. Por este caminho, infelizmente, o país vai se destruindo.

Escola em um campo de refugiados

Enquanto a corrupção se generaliza, a população sofre com o analfabetismo, a desnutrição, a mortalidade infantil e o desemprego. A violência e a insegurança são realidades do dia-a-dia. Deslocados de seus lugares de origem, muitos vivem na mais horrível miséria. O abandono do campo é geral.

Não havendo projetos por parte do governo, para sobreviver, a maior parte da população fica dependendo da ajuda de instituições internacionais como: ONU, ONGs, Cáritas, etc. Nosso trabalho é ajudar para que a ajuda chegue à população.

Atualmente trabalho com os deslocados na periferia de Luanda. Trata-se, em muitos casos, dos meus antigos paroquianos que, por causa da guerra, fugiram de suas aldeias. Dessa forma, as missões, inclusive a minha com 153 aldeias e 96 comunidades, todas no interior, ficaram abandonadas. Como pretender que o povo fique continuamente sob o fogo cruzado?

JOGO DE INTERESSES

Em 1998, houve uma tentativa de acordo de paz, mas não durou muito tempo. De lá para cá a violência não parou de aumentar.

É sabido que, por trás dessa guerra, há um jogo de interesses particulares. De um lado, o governo controla a produção de petróleo e diamantes, do outro, a UNITA controla a mineração artesanal.

E o povo ficou na pior. Primeiro, levaram-lhe os animais e a colheita, não havendo assim mais condições para plantar. Depois, acabaram levando até as telhas, os móveis, as portas e as janelas. Pior ficava quem reclamasse: levava chumbo.

Preparação do pão para os refugiados

A região de Kakulama, onde estava a nossa missão, sempre foi uma área estratégica por causa da produção de diamantes e minérios. A situação tornou-se insustentável. Nós tentamos ficar na missão para não abandonar o povo. Porém, aos poucos, as famílias tiveram que fugir para as cidades, e nós fomos atrás delas. O lugar do missionário é onde está a sua gente e, neste caso, acompanhá-la até à cidade, onde, não tendo nada e nem oportunidades de moradia e trabalho, amontoa-se como pode.

É um verdadeiro caos! O sofrimento que se abate sobre nós, faz com que soframos mais solidários com o povo que é vítima de um sistema terrível, em que cidadãos nada contam para o governo e menos ainda para os rebeldes. Isso é evidente em todos os meus irmãos padres da Angola. O que nos resta fazer? Pouquíssimo, a não ser confortar, transmitir coragem, trabalhar para que a reconciliação e a paz voltem a reinar no coração de todos os angolanos, e lutar para que as poucas ajudas internacionais cheguem até os mais famintos.

Pe. Joarez Duarte de Oliveira
Caixa Postal 1326
Luanda - R. P. de Angola

Angola

Durante os séculos XVII, XVIII e começo do XIX, a antiga colônia portuguesa de Angola foi, entre as regiões africanas, uma das mais agredidas pelos traficantes de escravos. País rico em recursos naturais, viu seu desenvolvimento obstruído pelas contínuas guerras civis ocorridas desde a independência, em 1975.

A população urbana, no final do século XX, não chegava a 30% do total. Seus habitantes, em sua maioria, são negros (mais de 90%).

O português é o idioma oficial, mas a maior parte da população fala suas línguas nativas que não dispõem de escrita. Por isso, é muito difícil solucionar o problema do analfabetismo.

Embora haja muitas missões católicas e protestantes, as religiões tribais animistas ainda congregam a maioria dos angolanos.

A agricultura e a mineração, junto a uma importante atividade pecuária no sul e no sudeste, sustentam praticamente a economia de Angola. Contudo, a principal riqueza do país está nos importantes depósitos de petróleo e nos diamantes das minas do noroeste do país.

PARA REFLETIR

1.º Em que consistem os maiores problemas da Angola atual?

2.º Como você avalia a atuação do Pe. Joarez?

3.º O que você faria numa situação assim?

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