Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Testemunhos de Vida Missionária
ENTREGA TOTAL Estamos todos profundamente chocados com o que aconteceu. Embora a morte de nossa irmã tenha sido preanunciada há tempo, nós não acreditávamos que fosse esse o desfecho de uma vida carinhosamente dedicada aos mais pobres da Transamazônica. Agora Dorothy fala com Jesus do alto da cruz: “Tudo está consumado” (Jo 19,30). Sua vida e sua morte são o testemunho inequívoco do amor levado até as últimas conseqüências. “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos” (Jo 15,13). Sim, Dorothy deu sua vida! Deu o testemunho mais eloqüente de seu amor: derramou o seu sangue! QUEM FOI Dorothy nasceu em 7 de junho de 1931, em Dayton, nos E.U.A. Ela entrou para a comunidade das Irmãs de Notre Dame de Namur em 1948 e fez os votos perpétuos em 1956. Sua congregação conta atualmente com mais de duas mil religiosas espalhadas nos cinco continentes. Irmã Dorothy foi professora por quinze anos e iniciou sua vida missionária no Brasil em Coroatá, no estado do Maranhão. Filha de uma grande família, a religiosa deixou oito irmãos chorando sua morte, mas conscientes de que a sua posição ante aos grileiros podia levar a esse desfecho brutal. CONSAGRADA À VIDA
ENTRE NÓS Quando em 1982 Dorothy veio a Altamira, pediu-me, com aquela vozinha macia conhecida por todos nós, que a aceitasse na Prelazia do Xingu. Pediu que a destinasse ao lugar mais pobre e mais abandonado, onde vivia o povo mais necessitado. Sugeri que fosse para a Transamazônica Leste, pois eu sabia que naquele trecho da rodovia viviam os mais pobres entre os pobres. Dorothy aceitou entusiasmada a indicação e, para selar o seu compromisso com a Igreja do Xingu, entregou-me uma relíquia de São Gaspar, que ela havia recebido de seu irmão nos Estados Unidos. Disseme que fazia questão de doar-me esta relíquia, pois era do apóstolo do Sangue de Cristo. MISSIONÁRIA Dorothy nasceu nos Estados Unidos, mas sentiu em seu coração o grande apelo de ir além das fronteiras de seu país e doar sua vida de religiosa a povos menos favorecidos. Trocou sua terra de bem-estar e conforto pela Transamazônica da poeira e dos atoleiros. Não é a mudança geográfica que importa, o que vale é a fantástica decisão de doar a vida. Ela fez sua opção pelos povos da Amazônia, de modo especial pelos pobres e excluídos. Nunca admitia que uma pessoa, pelo fato de ser pobre, pudesse ser prejudicada e desrespeitada em sua dignidade e em seus direitos. Rezou com a gente humilde e participou de reuniões ajudando o povo simples a organizar-se na busca de seus direitos. Mas foi mais adiante: ela mesma levou as reivindicações das famílias da Transamazônica às autoridades em Belém e Brasília. Nada para ela podia tornar-se impedimento ou obstáculo. E advertida de que estava correndo perigo e até risco de vida, ela simplesmente sorria. Não acreditava. E nós também não acreditávamos que alguém pudesse ser tão cruel e detonar uma arma contra uma mulher tão indefesa, já anciã. MÁRTIR
SUA ARMA
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