Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Pobres

Dia 17/10 - Dia mundial para a erradicação da pobreza

O ESCÂNDALO DA POBREZA
Queremos um Brasil com Justa distribuição de renda!

Recentemente, ao ler as mensagens
eletrônicas da minha
caixa postal, eu me deparei com
um e-mail que tinha uma pergunta
bastante interessante em seu cabeçalho:
“Você acha justo que a escola
pública seja pior que a particular
mesmo com a enorme quantidade
de tributos que nós pagamos?”.
Tratava-se de uma ONG bastante
conhecida e que alguns amigos
já haviam me relatado sobre a
grande quantidade de pessoas que
estavam aderindo a esta organização
em função das propostas que
ela apresentam.
Pois bem, ao ler todo o conteúdo,
uma imensa sensação de frustração
e tristeza me invadiu: A tal
organização, para minha surpresa,
sugeria a redução drástica da carga
tributária como solução da pergunta
que encabeçava o e-mail, justificando
a ineficiência do Estado em
gerir os recursos públicos na melhora
de questões básicas como a
Educação e a Saúde.

“A opção preferencial
pelos pobres”
Naquele exato instante eu me
recordei de um episódio que aconteceu,
no início da década de 80,
em uma importante universidade
pública brasileira. Existia no campus
desta universidade uma árvore
muito rara, quase em extinção, que
era fruto de estudos por diversasinstituições de biologia e botânica do
Brasil. A sua raridade e antigüidade,
chegaram a trazer diversos pesquisadores
internacionais para estudar
os aspectos de sua conservação, idade
e outras características
científicas. Afinal de
contas, aquela árvore era,
sem sombra de dúvidas,
uma ótima oportunidade
de estudos e pesquisas
em nosso País. Entretanto,
ela tinha uma peculiaridade
que causava
diversos transtornos ao
Reitor daquela universidade: Ela ficava
bem ao lado de um dos muros
e, desta forma, era utilizada como
escada por alguns ladrões que ingressavam
ao campus para roubarem
equipamentos e materiais
de laboratório da universidade.
Sem tempo para avaliar
com calma o problema
e tentar resolvê-lo da
melhor forma possível, o
Reitor toma uma decisão
drástica: Manda cortar a
árvore.
Situação bastante semelhante
é a que vivemos
atualmente no nosso país.
A grande concentração de
renda que ainda existe
no Brasil, apesar de uma
melhora na distribuição de renda
entre os anos de 2002 e 2004, ainda
existe um longo abismo nestes indicadores:
cerca de 75% da renda nacional
ainda está concentrada
nos 10% mais ricos da nossa
sociedade.
Isso é evidente e todos
sabem que este é o principal
causador da miséria, da fome
e da falta de oportunidades.
Aliás, é bastante comum cobrarmos
dos nossos governantes
políticas claras para
promover uma maior distribuição
de renda, entretanto,
qual a renda que pretendemos
distribuir? A do pobre ou
a do rico? Será que a nossa elite
detentora de boa parte da renda e
da riqueza nacional está realmente
disposta a abrir mão de alguns
“privilégios” para que
os mais pobres possam
viver com um pouco
mais de dignidade?
“Coragem para
evangelizar
com a vida”
É inaceitável, sob
o ponto de vista ético e cristão, o
contraste entre a situação de miséria
e degradação do povo sofrido,
refugiado nos cortiços, favelas e periferias
das cidades e o luxo e sofisticação
de condomínios fechados,
construções suntuosas e desperdício
de riquezas, sem consideração
pela miséria que está ao redor.
O mais triste disso tudo é que
essa desigualdade acontece pela
falta de testemunho e vivência
evangélica, criando friezas, “cegueiras”
e alienação diante do
sofrimento humano. Enquanto
a violência aumenta nas grandes
cidades, aumenta também a indiferença
e o descaso pelos graves
problemas sociais do nosso país.
Nestes momentos, é urgente relembrar
a opção preferencial de
Cristo pelo excluído, definido por
Ele como o menor dos irmãos.

“Venha a nós
o Vosso Reino de amor”
É urgente, ético e cristão priorizarmos
e valorizarmos as políticas públicas
e as ações cidadãs que buscam a erradicação
da miséria e o fim da exclusão
social. A educação pública de qualidade
é, por exemplo, um dos mais efetivos e
importantes meios de transformação da
realidade socialmente perversa em que
vivemos. Abrir mão disso, em função da
preocupação egoísta e individualista do
consumo desenfreado promovido pelos
meios de comunicação social, é afastar o
homem de sua dignidade humana e, conseqüentemente,
de Deus.
Se queremos realmente ter um país
mais digno, humano e menos desigual,
precisamos urgentemente agir em prol da
promoção do bem comum. Para isso, é
fundamental que todas as nossas
atitudes como, por exemplo,
não trocar o nosso voto
por favores pessoais durante
as eleições ou agir com ética
não sonegando impostos, sejam
pautadas e direcionadas no
amor ao próximo.
Somente assim é que estaremos
caminhando definitivamente
para trazer o “Reino dos
Céus até nós”. Ou mudamos a
nossa atitude nesta direção ou,
infelizmente, assistiremos passivos
e inertes ao sepultamento
da nossa sociedade, que não
tem a coragem de abrir mão do individualismo
em prol da coletividade, da partilha
e do Bem Comum.
Um forte abraço a todos e a Paz de
Cristo!

PARA DIALOGAR E AGIR:

1. Você vê alguma solução, a curto prazo,
para melhorar o Brasil? Qual seria?
2. Qual seria a ideal postura do cristão
e do cidadão frente à erradicação
da pobreza?
3. O que você vai fazer de
concreto para ajudar?

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