Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Vocação

OBJETIVO

O Ano Vocacional veio para ajudar a Igreja a perceber-se como “assembléia dos vocaciona-dos e vocacionadas”. O próprio nome “Igreja”, Ecclesia: “convocação”, “assembléia dos chamados”, contém em si um sentido essencialmente vocacional. Se crescer a consciência de que todos somos pessoas chamadas para a missão, o nosso agir, sem dúvida, será mais concreto, corajoso, animado e constante.

TODOS SOMOS RESPONSÁVEIS

Um elemento fundamental para a vitalidade da Igreja é a convicção de que todos os batizados, sem exceção, são responsáveis pelo cuidado das vocações. Falando mais concretamente, podemos afirmar que o protagonista, o sujeito ativo da animação vocacional é a própria comunidade eclesial enquanto tal e não apenas algumas pessoas. É a comunidade e na comunidade que deve-se criar o clima necessário para que brotem e se firmem as diversas vocações.
É nesse protagonismo vocacional que surge também a paixão pelo anúncio da Palavra, suscitando na Igreja uma nova missionariedade que não poderá ser delegada a grupos de “especialistas”, mas assumida por todos os membros do povo de Deus.

DIMENSÃO CONATURAL E ESSENCIAL

O resultado desse processo é que as dioceses, paróquias e comunidades deixem de considerar a dimensão vocacional como um elemento secundário, um acessório, uma pastoral a mais, um momento isolado, uma “simples parte” da pastoral global.

A partir deste Ano Vocacional, sonha-se com a graça de chegarmos à convicção, traduzida numa prática concreta, de que a dimensão vocacional, mais do que uma pastoral entre outras, é uma dimensão conatural e essencial para a vida da Igreja e para a sua ação evangelizadora.

TEMA E LEMA

O TEMA - Batismo, fonte de todas as vocações - pretende ressaltar o fato de que todas as pessoas batizadas são chamadas para a missão.

Pela água da fonte batismal todas as pessoas são enxertadas em Cristo (cf. Rm 6,3), inseridas no seu Corpo (cf. 1Cor 12,13) para, na diversidade de carismas (cf. 1 Cor 12,4-31), servirem à comunidade e à humanidade.

A graça recebida no batismo faz-nos pertencer a Cristo, rompendo com qualquer pretensão de desigualdade no interior da comunidade (cf. Gl 3,25-29).

O que importa, em primeiro lugar, não é ser bispo, padre, freira, diácono, leigo, leiga, mas discípulo, discípula de Jesus. A vocação é, antes de tudo, chamado para o seguimento de Cristo. Mas, ao mesmo tempo, esta graça batismal permite e exige a diferença e a diversidade de carismas, ministérios e funções (cf. 1Cor 12,14-21). Por isso, a animação vocacional deve ter a preocupação de ajudar cada pessoa batizada a descobrir-se como alguém que foi chamado por Deus para uma vocação específica bem concreta. O LEMA - “Avancem para águas mais profundas” - é inspirado no texto de Lc 5,4. Sua finalidade é provocar a Igreja a “fazer-se ao largo”, isto é, avançar, ousar, rompendo com toda estagnação ou acomodação.

A forma no plural quer evidenciar também a diversidade, falando a todas as vocações específicas. Todas devem avançar, ir além, respondendo com prontidão ao chamado de Deus. É um convite a viver o momento presente com paixão, mas tendo a coragem de abrir-se para o futuro, para o novo, para o diferente, para as surpresas do Espírito.

PROPOSTA ENCORAJADORA

Portanto, a proposta do Ano Vocacional de 2003 quer ser bastante encorajadora. Ela deseja promover, em toda a Igreja do Brasil, um novo e promissor despertar vocacional, para que todos os cristãos e cristãs, a partir do compromisso batismal, assumam, na comunidade e nas diferentes realidades da sociedade, sua própria vocação e missão. Tudo isso para que não faltem evangelizadores que anunciem com entusiasmo a Boa Notícia do Reino.

Ao longo do ano vocacional ressoará forte o convite da Igreja para avançarmos para águas mais profundas, transformando as nossas pias batismais em fontes de todas as vocações. É preciso que o Batismo passe a ser, de fato, a raiz e o significado da vocação e da missão dos cristãos e cristãs.

O convite de Jesus é um desafio a nos lançarmos para o futuro, traduzindo o entusiasmo vocacional em ação, capazes de dar novo impulso e novo dinamismo ao que já estamos realizando.
Ao dizer que os pescadores abandonaram as barcas, “deixaram tudo e seguiram Jesus” (Lc 5,11), o evangelista chama a atenção para um outro elemento importante. O seguimento de Jesus comporta determinadas rupturas tantas vezes radicais (Lc 18,18-27). Sem elas é praticamente impossível viver como discípulos do Mestre (cf. Lc 14,25-33). Deixar as barcas, para Pedro e seus companheiros, significava deixar tudo, inclusive o estabelecido, o rotineiro, o costumeiro, mas também o mais agradável e o mais seguro. A resposta à vocação exige esta coragem.

VOCAÇÃO E BATISMO

A correta teologia da vocação brota de uma autêntica teologia do batismo. Por isso, antes mesmo de falar das diversas vocações, precisamos ter presente a teologia do batismo e a vocação batismal. A partir do batismo, todos somos chamados à santidade, à fé, ao seguimento do Senhor, à graça. Todas as outras vocações nascem da vocação batismal. O batismo é a base que sustenta todos os ministérios.

VOCAÇÃO HUMANA

A vocação humana à vida é anterior à dimensão eclesial. O primeiro e fundamental chamado divino é a “grande vocação à vida”, o chamamento à existência. Deus nos chama antes de tudo a sermos pessoas humanas realizadas e felizes. Este é um aspecto do chamado que diz respeito a toda a humanidade.

A animação vocacional deverá, antes de tudo, promover “a vocação natural” do ser humano: do chamado à comunhão, das relações interpessoais. Isto significa que a animação vocacional começa com o despertar para a vivência plena da natureza social do ser humano em todas as suas manifestações e exigências.

VOCAÇÃO CRISTÃ

Dentro desta perspectiva humana, a vocação cristã precisa ser apresentada sempre como serviço ao mundo (cf. GS, 41-43). Na Igreja, todos são chamados a um determinado serviço. Somos um povo de servidores.

Porém, a perspectiva de uma Igreja ministerial não é possível quando um único cenário de Igreja tende a se impor. É preciso pensar numa animação vocacional que desperte para a diversidade.

E não esqueçamos que a preocupação com as vocações deve ser de toda a comunidade cristã. Portanto, todos somos animadores vocacionais, ou seja, responsáveis uns pela vocação dos outros.

Se cada pessoa batizada tem a responsabilidade de viver bem o chamado, deve também contribuir para que as demais tenham condições de responder ao chamamento divino para ser gente e para seguir Jesus.

ESPIRITUALIDADE

Aos cristãos de hoje, além de uma experiência do sagrado, precisamos propor uma autêntica espiritualidade, capaz de lhes dar ânimo e coragem para continuar firmes na missão, mesmo diante dos inúmeros desafios que aparecem.

Nos tempos atuais, não é possível seguir Jesus Cristo sem contarmos quotidianamente com a sua graça e sem o esforço para permanecermos coerentes com as exigências do discipulado.

Fonte: Texto-Base do Ano Vocacional
Mauri Luiz Heerdt

PROPOSTAS
PARA O ANO VOCACIONAL

1.º Realizar com a comunidade um estudo do texto-base.

2.º Conhecer e refletir sobre a situação da comunidade (contexto sócio-político-econômico, vida eclesial, animação vocacional). Decidir sobre o que deverá ser feito.

3.º A partir dos dados obtidos, elaborar um grande painel com um rosto humano, no qual se possa colocar esses dados. colocar este painel em um lugar bem visível, explicando para toda a comunidade o que ele significa.

4.º Colocar junto ao painel uma caixa, pedindo às pessoas da comunidade para que acrescentem outras luzes e dificuldades.

5.º Acrescentar ao painel as sugestões da comunidade. Na Quarta-feira de Cinzas colocar o cartaz da CF-2003 no painel vocacional, incentivando a participação e o comprometimento com a grande vocação à vida.

6.º Na primeira semana da Páscoa, retomar, com a equipe vocacional, os dados do painel e confrontá-los com a segunda parte do texto-base (reflexão bíblica). Buscar na reflexão bíblica inspiração para enfrentar os desafios apontados pelo painel.

7.º Elaborar um grande painel com a “pesca milagrosa” (cf. Lc 5,1-1 1).

8.º Sobre os peixes que estão na rede, escrever as inspirações suscitadas pela reflexão bíblica.

9.º Sobre as ondas das águas do mar, escrever a programação da comunidade para o Ano Vocacional 2003.

10.º Colocar este painel ao lado do primeiro e convidar a comunidade a participar das atividades programadas para o Ano Vocacional.

11.º Antes da conclusão do Ano Vocacional (23 de novembro de 2003), realizar uma grande Assembléia com toda a comunidade. Fazer uma avaliação do Ano Vocacional.

12.º Traçar uma programação vocacional para 2004, tendo como objetivo principal a preparação para o 2º Congresso Vocacional do Brasil (setembro de 2005).

13.º Pensar em estratégias para a divulgação do Ano Vocacional e numa metodologia que envolva todas as comunidades, grupos, pastorais, movimentos nesta ação vocacional (ajudar a comunidade a ter uma “fisionomia vocacional”).

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