Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Missão
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O objetivo fundamental das reflexões e das celebrações do Mês Missionário é ajudar os cristãos e as comunidades para que abram seus horizontes e reconheçam, todos os homens e mulheres deste planeta, os irmãos e as irmãs de uma mesma família. Para esta conscientização, ajuda-nos o texto-base da campanha missionária desce ano que, dando continuidade à reflexão da Campanha da Fraternidade, oferece-nos uma interessantíssima visão da situação passada e atual dos povos indígenas presentes nos, diversos continentes. Dom Erwin KIäutler, bispo referencial da CBB para a Pastoral Missionária, insiste dizendo que é preciso que façamos nossas as angústias e as esperanças de todas raças e nações, solidarizando-nos os seus sonhos e anseios. O desafio do Ressuscitado a seus discípulos, "Ide e fazei discípulos todos os povos" (Mateus 28,16), é um convite que jamais deixa de ser atual para todos os cristãos e cristãs, homens e mulheres de boa vontade: Não se fechem em si! Ultrapassem o seu mundo particular e individualista!
O documento citado oferece uma panorâmica dos povos indígenas dos cinco continentes, evidenciando suas vidas, suas culturas, suas reivindicações, seus apelos, sua fé e suas práticas religiosas. Nisso tudo, surge à pergunta: Qual é atualmente a atitude dos missionários e das missionárias em relação às minorias indígenas? Sem dúvida houve muitas mudanças. Hoje eles se situam como parceiros desses povos, sem fazerem questão de aparecer, já que a missão verdadeira é aquela que revela o rosto de Deus e dos outros, não o próprio. Os missionários não querem ser porta-vozes dos povos indígenas, mas apenas ajudá-los a manifestar a opção de todos eles por uma terra sem males.
As diversidades culturais entre os povos indígenas sempre foram motivas de curiosidade para os chamados povos civilizados. A atração por plumagens e pinturas de urucum, por rituais e danças ancestrais, por hábitos "primitivos" e costumes da floresta, levou o mundo ocidental a ter uma crescente curiosidade e simpatia para com as tradições e as sabedorias dos povos indígenas.
Contudo, mais do que nunca, a missão cristã está descobrindo o imenso valor cultural e o tesouro de sabedoria que há nos diversos povos indígenas. Naturalmente, deve haver um grande esforço para que tudo isso seja preservado e valorizado. Deve crescer em todos a consciência de que o "outro" não é estranho ou inimigo, ao contrário, o outro aponta para o encontro com Deus e para a construção de um mundo novo, no qual há lugar para todos, cada um do seu jeito, convivendo com o diferente.
Todos os povos indígenas do mundo lutam para obter o pleno controle de suas próprias terras. Na realidade, o conceito de direito de propriedade da terra é um termo ocidental que não tem sentido para os povos indígenas. Quando são obrigados a aceitá-lo, é para se defender da ingerência e da prepotência da civilização ocidental em seu projeto de vida. O direito à terra é algo diferente de uma exigência política. É o desejo de conservar a própria e profunda identidade cultural. Para os povos indígenas, a terra é Mãe: cuida de todos os seus filhos, veste-os e aIimenta-os, doa-lhes a vida. Nela é conservada a história do povo, o eixo que dá sentido a suas culturas. Assim, quando os Himbra do norte da Namíbia fizeram notar que o projeto de construção de uma usina hidrelétrica destruiria uma série de cemitérios sagrados, sua mensagem era, na realidade, que toda sua estrutura social estava ameaçada. Um túmulo não é somente um espaço religioso, mas um ponto central de identidade que define as relações sociais dos grupos humanos e das pessoas com a terra. O relacionamento dos indígenas com sua terra assemelha-se ao modo como o povo hebreu concebia a terra prometida. Para eles, a Palestina não era igual às outras terras, porque era a terra da Promessa. A Igreja missionária é decididamente solidária com os povos indígenas em sua luta pela terra Como Frei Bartolomeu De Las Casas um dia proclamou os direitos dos indígenas sobre a terra, contra a brutal colonização espanhola (1552), assim hoje a comunidade cristã é chamada a levantar sua voz para a defesa da terra contra a cobiça avassaladora da civilização ocidental, em parceria com a sabedoria de todos os povos do planeta, em busca de uma terra sem males.
Todos os povos têm direito de decidir sobre sua própria
vida comunitária, suas leis, suas regras, suas instituições,
símbolos e seu próprio destino político. É
um princípio que decorre do direito à existência inerente
a cada Estado. Isso tem com o conceito de soberania do próprio
povo. A Década dos Povos Indígenas (1994-2005) tem como um dos principais objetivos a promulgação da Declaração Universal dos direitos dos Povos Indígenas, onde consta o direito fundamental à autodeterminação. "Em virtude deste direito -diz o esboço da declaração - os Estados nos quais vivem, num espírito de coexistência com outros cidadãos, livremente procuram seu desenvolvimento econômico, social, cultural e espiritual, em condições de liberdade e dignidade".
Na obra de evangelização de várias Igrejas, os povos indígenas nem sempre tiveram suas culturas respeitadas. Ao longo dos séculos, militares, mercadores e muitas vezes os próprios missionários foram aliados numa sangrenta colonização de exploração e imposição religiosa dos primeiros habitantes dos cinco continentes. Não raramente acontecia que com a conquista pela espada, as populações eram obrigadas a tornar-se cristãs. As vozes proféticas que se levantaram corajosamente em defesa dos indígenas tiveram pouco sucesso na mudança da prática missionária e causaram escândalo no meio da sociedade branca. Hoje as coisas mudaram. A ação evangelizadora e a reflexão de muitas Igrejas chegaram à convicção de que é urgente percorrer decididamente outros caminhos para anunciar a Boa Nova de Jesus.
O Evangelho não deve ser imposto, mas semeado e descoberto na sabedoria dos povos. A Igreja não deve mais ser implantada, mas brotar da terra fértil das diferentes culturas e das tradições milenares. Por isso, a palavra "inculturação" tornou-se importante para expressar a presença radicalmente renovada da Igreja missionária. Cresce a convicção de que o Evangelho é anunciado para se tornar uma força que anima, guia e unifica as culturas, transformando-as e renovando-as a partir de seu interior até produzir uma nova criação. O trabalho dos missionários, junto aos diferentes povos, é marcado não mais pela superioridade cultural e espiritual, mas pela proximidade, pela gratuidade e pela solidariedade com as lutas e os projetos de vida de todas as comunidades.
Os povos indígenas não sofrem apenas com a violação dos direitos humanos e Com a invasão de Suas terras, mas também pelo cerco da "civilização" ocidental que se fecha progressivamente ao seu redor. A ameaça de extinção física e cultural é permanente e se faz sempre mais agressiva. Às vezes expressa-se como opressão constante, mascarada e anônima contra minorias étnicas de um território, visando sua integração na sociedade. Outras vezes, os indígenas servem de cobaias para pesquisas científicas de todos os tipos. Outras vezes ainda, o ataque às suas sociedades é explicito e cruel, e tem como intuito destruí-las, total ou parcialmente, assassinando seus membros, causando-lhes grave lesão à integridade física ou mental. A extinção de suas línguas é um dos exemplos mais claros de ameaça à sobrevivência dos povos indígenas. Quando uma língua falada desaparece, morre um povo, uma cultura, uma sabedoria. Os estudiosos dizem que existem 6.100 idiomas no mundo inteiro, 100 dos quais são falados por 90% da população mundial. Isso significa que 6.000 línguas são faladas apenas por 10% dos povos da Terra e, destas, apenas 600 têm boas garantias de sobrevivência porque faladas pelo menos por 100 mil pessoas. Todos as outras estão ameaçadas de extinção, porque os povos estão se extinguindo, sendo "sugados" por uma "civilização" que pouco respeita as diferenças.
Os povos indígenas do mundo inteiro são expostos, mais do que os outros, à violação dos direitos humanos e das liberdades fundamentais. Tratados freqüentemente com desprezo por causa de sua diversidade étnica e cultural, os indígenas são vítimas de discriminação e de constantes abusos como torturas, perseguições, homicídios, chacinas, massacres, genocídios, enfim, violências de todos os tipos. Além da violação dos direitos individuais, sofrem também contínuos desrespeitos aos direitos coletivos: direito à diversidade, à autodeterminação, à terra, à preservação de sua própria cultura, língua, costumes, tradições e projetos de vida.
A precária existência dos povos indígenas é devida à chegada criminal de colonos e multinacionais em seus territórios. Muitas comunidades desaparecem por causa das matanças e das enfermidades importadas. Os abusos mais graves dos direitos coletivos dos povos indígenas se dão hoje nos países mais pobres. Depois da Segunda Guerra Mundial, muitos países, sobretudo da Ásia, usaram a independência para oprimir suas próprias minorias ou grupos étnicos. É o caso da Indonésia, da Mianmar, de Bangladesh, do Sudão, da Guatemala e da Colômbia. Uma grande esperança para esses, povos está depositada
na "Declaração Universal dos Direitos dos Povos lndígenas"
que está sendo estudada nas Nações Unidas. Fonte: Texto base do Mês Missionário 2002 |
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