Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Jovens
O TEMA É JUVENTUDE Demasiado pessimismo ou demasiado otimismo não são interessantes porque ambos levam para uma fuga da realidade e, conseqüentemente, para desvios de conduta. Atualmente temos visto que o tema juventude veio à tona e está em destaque na maioria dos grandes meios de comunicação. Inúmeras entidades e instituições nacionais e internacionais promovem debates, cursos, festivais e outros eventos em torno dessa temática. Porém, os interesses pela juventude são muitos. Por um lado, temos a economia de mercado que coloca em destaque a juventude como consumidora de bens e serviços. Neste caso, só tem valor a parte da juventude que tem dinheiro e pode consumir. Por outro, temos a juventude sendo sujeito da nova sociedade. Criativamente, e por meio de múltiplas formas de organização e mobilização, nas periferias e nas escolas, no campo e na cidade, a juventude está construindo alternativas, reivindicando políticas públicas, participando de iniciativas solidárias, sendo sujeito na edificação de comunidades fraternas. PREOCUPAÇÕES Em nível mundial, as recentes mudanças na economia e na sociedade provocaram grandes preocupações para a juventude. Entre outras, podemos destacar a globalização, o acelerado aumento do uso de tecnologias de comunicação e informação, a propagação do vírus da AIDS, a participação de jovens nos conflitos armados e o envelhecimento da sociedade. Estas preocupações mais recentes não subtraem outras que já vinham se acumulando desde há muito tempo, tais como: - o empobrecimento, a fome, o desemprego, a educação, a saúde, as drogas, a discriminação, entre outras que, na maioria dos casos, tem na juventude o primeiro grupo prejudicado. A juventude se encontra entre os primeiros grupos a sentir as conseqüências de um modelo de sociedade que coloca em primeiro lugar o consumo e não a pessoa, o poder e não a cidadania, o lucro e não a partilha, a competição e não a cooperação, a produtividade e não o bem comum, a violência e não a concórdia e a solidariedade, as drogas e não a saúde e a vida. TRABALHO E RENDA
Calcula-se que hoje, no mundo, 45% dos jovens ganham menos de dois dólares por dia e, entre esses, os mais prejudicados são aqueles que vivem no campo, como os pequenos agricultores e sem-terras. Sendo assim, uma política pública para a juventude deveria levar em conta, em primeiro lugar, essa parte da juventude empobrecida do campo. Um fator prioritário nas políticas públicas para a juventude é o emprego. Entre os anos de 1993 e 2003 o índice de desemprego juvenil aumentou de 11,7% para 14,4%. Sendo que o índice de desemprego e a menor remuneração salarial continuam mais altos entre as mulheres jovens que entre o homens. Não dá para pensar no trabalho para o jovem menosprezando a questão dos estudos.
Porém, entre trabalho e estudo, há pelo menos quatro tipos de conflitos enfrentados pelos jovens:
EDUCAÇÃO Na educação se constata que vem aumentado, em todo mundo, a taxa de jovens que ingressam no ensino médio. Na última década, o índice aumentou de 56% para 78%. É claro que não podemos ser ingênuos ao ponto de pensar que o aumento das taxas de matrícula, nos diversos níveis do ensino, signifique também aumento da qualidade de ensino. Tem-se proposto que a educação é um fator essencial para a superação da pobreza. Caso isso seja verdade, há que se considerar então que os mais pobres devem ser os destinatários da melhor qualidade de educação. Ao pensar em políticas públicas para a juventude deve-se ter presente que a educação é um direito de todos, sem nenhum tipo de discriminação e exclusão. Logo, é preciso perguntar se todos tem igualmente garantido o direito e o acesso ao ensino. Lembramos aqui não somente os jovens mais pobres, mas também os portadores de deficiências, os negros, os índios, os que moram mais longe das instituições de ensino. IMPORTÂNCIA DA PARTICIPAÇÃO Reconhecer a importância da participação dos jovens nas decisões políticas significa devolverlhes o direito à democracia e permite que compreendam o valor da mesma. Ao participarem nos processos de decisão dos rumos da política e da sociedade, os jovens deixam de ser apenas o “futuro da nação” e se tornam sujeitos do tempo presente. Porém, incluir os jovens nas instâncias de decisão, implica em reconhecer suas diferentes formas de organização. Se é verdade que os jovens não demonstram muito interesse em participar das decisões políticas de um determinado país, também se deve olhar para as causas de tal fato. Como poderão ter interesse em participar, se ao tentarem sempre encontraram as portas fechadas? MOVIMENTOS E PJ’S No Brasil, os movimentos estudantis e as Pastorais da Juventude, especialmente nas últimas décadas, têm desempenhado um papel fundamental tanto no processo de democratização do país quanto em iniciativas pela defesa do meio ambiente, da paz, de reformas educacionais, contra o racismo, pela democratização dos meios de comunicação, contra os trangênicos, pela ética na política, pela erradicação da miséria e da fome, entre outros. Isso tudo tem feito dos jovens participantes ativos no “Mutirão por um novo Brasil” e verdadeiros agentes de transformação social. Desconsiderar isso significa entrar no jogo do imperialismo cultural que, além de manipular e massificar os jovens, procura fazer deles seres incapazes, impotentes, acomodados, individualistas e meros consumidores e receptores de bens e serviços. PARA REFLETIR
2- Quais as problemáticas mais próximas da dimensão política dos jovens? 3- Você geralmente luta pelos direitos dos menos favorecidos? |
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