Juventude
Dia Nacional da Juventude - 2006
Queremos um Brasil popular
Diante de tantas problemáticas
que afetam a vida dos jovens de hoje, é preciso
que o jovem, em particular aquele que se considera discípulo
de Jesus, com a coerência da vida se comprometa na transformação
dos sistemas sociais, políticos e econômicos de sua nação.
No Dia Nacional da Juventude 2006, com o lema “Juventude que ousa
sonhar, constrói um Brasil popular”, a equipe do MJ foi à
bela cidade balneária de Itapema-
SC onde estavam reunidos cerca de 800 jovens da Pastoral da Juventude
da Arquidiocese de Florianópolis.
Era uma ótima oportunidade para entrevistarmos alguns jovens que
participavam ativamente daquele
congresso.
A eles dirigimos algumas perguntas:
1. Quais são os maiores desafios que a juventude enfrenta para
construir
um Brasil melhor?
José Rodrigo: O primeiro e principal desafio é a falta de
oportunidades.
As pessoas acham que os jovens não têm consciência
ou maturidade suficiente para fazer algo. A sociedade precisa acreditar
nos jovens.
Francine: O nosso País pouco ajuda e valoriza a juventude. A gente
pode ver a qualidade de ensino que nos é oferecido! É urgente
que o governo nos ofereça uma educação
aprimorada, moderna e digna, não só no sentido acadêmico,
mas também para enriquecer a nossa vida com os valores que formam
o cidadão autêntico.
Isabel: Correr atrás dos próprios sonhos. A mídia
aliena demais a cabeça da juventude que acaba descartando
a capacidade de sonhar. Também vejo o desafio da educação
à que poucos têm acesso, à saúde de qualidade,
como também ao respeito
às diferenças. Uma educação orientada aos
grandes valores da vida é a base de tudo.2. O que significa construir
um Brasil popular?
José Rodrigo: Construir um Brasil
popular, para mim, é dar oportunidades
a todas as pessoas. A gente fala tanto em direitos iguais, mas a realidade
é bem diferente. Construir um Brasil popular é fazer com
que as instituições
e os políticos ouçam e atendam
realmente às necessidades e aos desejos legítimos da população.
Francine: Construir um Brasil popular é construir um Brasil para
todos, um país onde todos tenham acesso à saúde e
à educação de qualidade.
E isso, hoje, está muito difícil de se alcançar.
O problema não está em sonhar, mas em se ter a liberdade
de sonhar e realizar livremente
os sonhos. Muitas vezes a realidade apresentada
aos jovens étão cruel que os impede de sonhar. Muitos jovens
só vêem miséria, desigualdades,
preconceitos. Há muitas barreiras que os impede de ver além,
de buscar alternativas.
Isabel: Criar políticas públicas que tornem a sociedade
mais igualitária,
e ofereçam condições concretas
para que as pessoas possam viver bem, viver melhor.
3. O jovem se considera e é protagonista
da história do país?
José Rodrigo: Sem dúvida nenhuma
a juventude exerce um grande
papel. Sabemos da grande força que a Pastoral da Juventude do Brasil
tem. A gente vê muitos jovens ligados a ONGs e a projetos sociais.
Há uma grande parcela da juventude que quer um Brasil melhor e
luta por isso, que deseja mudar a “cara” do Brasil. Aolongo
da história os movimentos juvenis
lutaram pela liberdade na política
como já aconteceu na luta contra a ditadura, nas Diretas já
e no “impeatchman”.
A juventude precisa crer que é capaz de mudar a história
do nosso Brasil. Ela precisa agir, não segundo o interesse de alguns
políticos, mas para conseguir seus direitos e para o progresso
do país. Acredito porém que se existem jovens acomodados,
muitas das vezes é devido à falta de oportunidade ou de
incentivo.
Francine: Eu acredito que sim, no entanto, constato que são poucos
os jovens comprometidos, que sonham, que tem objetivos, que lutam por
um ideal e que se importam realmente com o que está acontecendo.
Quando acontece um encontro como esse (DNJ), a gente fica até feliz
por ver que há jovens que estão seguindo os caminhos de
Cristo e se importando
com o nosso Brasil.Isabel: Penso que realmente o jovem deve ser protagonista
de sua própria história e, em parte, isso acontece. Veja,
por exemplo: muitos
jovens de dezesseis anos fizeram questão de retirar o Título
de Eleitor
e de votar por querer um Brasil melhor. Infelizmente, boa parte da juventude
está bastante acomodada, omitindo-se em defender o que é
importante não só para si, mas também
para a comunidade.
4 - A Igreja oferece espaço suficiente para a voz dos jovens se
fazer ouvir?
José Rodrigo: A meu ver, a partir da realidade em que vivo, sim.
Hoje, pelo fato da Igreja estar se renovando, os jovens estão sendo
mais ouvidos. A Igreja está dando grande oportunidade
à juventude. É verdade que já vi um grupo de jovens
terminando pelopouco suporte que o padre lhe dava. Ele chegou a me dizer
que o jovem não tinha “nada na cabeça”. Mas
com o passar do tempo, conhecendo melhor
a juventude e seus grandes anseios,
mudou de opinião e agora é um grande parceiro!
Francine: Eu já acho que a Igreja não procura se moldar
aos jovens. A Igreja é tradicionalista e os padres não procuram
falar numa linguagem que incentive os jovens a ficar. Acho ser esta a
razão pela qual pouquíssimos
jovens vão à Igreja. Precisa que a Igreja caminhe em direção
aos jovens
e se molde de forma que os jovens
gostem de participar. É preciso uma maior dinamização.
Isabel: Pelo que tenho visto, no ambiente eclesial a gente tem oportunidade
de conversar, de estar
construindo, de partilhar com outros jovens nossas idéias, formulando
assim novos pensamentos pra gente chegar a mudar de verdade. A Igreja
está agora se moldando à juventude,
ela está ficando mais com a “cara” da gente mesmo.
É só ver que um tempo atrás, nas celebrações,
não havia a animação que tem hoje, quase não
havia espaço para a juventude. Agora mudou bastante!
5. Considera importantes encontros
como este?
Francine: Com certeza! É muito
bonito e comovente ver tantos jovens reunidos em nome de Deus, gente que
quer mudar e fazer alguma
coisa. Encontrar-se é muito importante,
pois trocamos experiências e vemos que não estamos sozinhos.
Isso nos dá forças e nos motiva ainda
mais a construir um país melhor.
Isabel: Deveria haver mais encontros
assim, pois são muito importantes
para a nossa formação. É muito bom ver jovens que
pensam como a gente e querem lutar por um Brasil melhor! Jovens que tem
seus sonhos pessoais, mas que tem o sonho comum de uma vida melhor para
todos. É construir uma mística, é alimentar a esperança
de que podemos
mudar de verdade.
PARA DIALOGAR
1. Você concorda com as colocações
desses jovens?
2. Qual é a sua Opinião?
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