Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Jovens

UM DIA NA ESCOLA...

Não poderia iniciar este artigo sem me lembrar da “Missão Jovem” que a Pastoral da Juventude de Porto Alegre realizou em 2004, na Restinga, uma região empobrecida da capital gaúcha. Entre tantos trabalhos que realizamos, visitamos uma escola especial para jovens e adolescentes com algum tipo de deficiência. Foi um desafio para os missionários realizarem o trabalho naquele ambiente. Sendo a única escola pública da região, destinada a alunos com deficiência, ela reunia pessoas de diversas regiões da cidade, algumas bem distantes. Por serem de famílias pobres, algumas mães acabavam esperando durante o dia inteiro os seus filhos, enquanto eles estudavam, conversando e partilhando a vida.

Aproveitamos então a oportunidade para realizar um encontro também com essas mães, na espera de nos encontrarmos sucessivamente com seus filhos com deficiência. Aquelas mães nos deram uma lição de vida e de amor, nos relatando preconceitos, discriminação, inúmeros problemas de acessibilidade, remédios caros e expondo toda a dificuldade do dia-a-dia de conviver com uma pessoa com deficiência. Ao mesmo tempo, nos contaram as lutas pessoais para fazer com que seus filhos tivessem uma vida digna e feliz, como todas as pessoas humanas têm direito. Ao final do encontro, carregávamos conosco uma grande lição de vida: a igualdade deve ser para todos, inclusive para os que são rotulados de “diferentes”.

UM ANO NA ESCOLA...

Como professor, já tive alunos com deficiência e que ampliavam os desafios para a escola e professores, pois é necessário pensar na inclusão destes alunos no sistema escolar, com avaliação diferenciada, processos de aprendizagem, inserção, respeito etc. Havia uma menina com deficiência mental que estava aos meus cuidados e com a qual eu trabalhava Ensino Religioso. Certo dia a orientei a fazer um trabalho sobre pessoas com deficiência. Ela entrevistou professores de escolas especiais, visitou um campeonato esportivo de pessoas com deficiência, realizando um trabalho diferenciado.

Este trabalho acabou lhe ajudando a se assumir, a aceitar e reforçar a sua identidade, o seu jeito de ser, a ser valorizada enquanto pessoa. Isso foi importante também para os demais alunos, ajudando-os a conhecerem um pouco mais sobre uma realidade que desconheciam, pois não se trata apenas de tolerar (aceitar) o deficiente, mas de pensar como eles podem ter acesso aos direitos que todos os cidadãos têm, e possam construir sua felicidade.Uma vida na sociedade... Tudo isso começou a me fazer refletir sobre como agir e quais as atitudes que devemos ter em relação à deficiência. Ouvimos muitos discursos que, se colocados na prática
cotidiana, perdem seu sentido.

Ouvimos falar em inclusão dos deficientes, mas:

• Até que ponto respeitamos as diferenças e necessidades das pessoas com deficiência para que possam ser incluídos na sociedade?

• Até onde pensamos nos seus direitos de educação, trabalho, acessibilidade, saúde?

• Como educamos nossos adolescentes para que incluam estas pessoas nos seus “grupos de iguais” e para que respeitem as diferenças?

O que acontece é que se fala da deficiência de muito longe, de quem “olha” a pessoa com deficiência, não de quem “vive” a deficiência.

SOMOS DIFERENTES

Um exemplo é o trabalho realizado pela Fraternidade Cristã de Doentes e Deficientes - www.fraterbrasil.org.br. São pessoas unidas que fazem valer seus direitos. São histórias de abandono, que se tornam realização pessoal. São pessoas que não precisam da nossa pena, mas sim do reconhecimento de suas lutas e também de compreensão, escuta e estímulo. É um outro mundo que se abre para nós e nossos adolescentes e jovens. É preciso reconhecer que a diferença não está diretamente ligada à deficiência, mas sim à forma como lidamos com ela e, por isso, é um grande desafio para pais e educadores, pois é preciso uma radical mudança de pen-samento e atitude, que leve a uma verdadeira inclusão de pessoas com suas necessidades e especificidades próprias na sociedade. Os adolescentes vivem um momento em que estão firmando sua identidade, o que torna essencial refletir sobre os preconceitos e diferenças, e a forma como a sociedade encara isso. É hora de fortalecer a autoestima, de criar oportunidades, de se assumir e reconhecer os direitos daqueles que são “diferentes”.

VAMOS REFLETIR

  1. Na educação dos adolescentes, qual nossa postura ante as seguintes realidades: ditadura do corpo ideal, preconceitos, aversão ao diferente, frases do tipo “Deus quis assim”, tratamento das pessoas aleijadas, defeituosas, etc.?
  2. Como podemos trazer para a nossa convivência as pessoas com deficiência?

O que Jesus diria?

Meus adolescentes, queria que vocês soubessem que quando assumi a condição humana também eu estava sujeito a deficiências. Sempre me chamou a atenção as pessoas que sofriam e precisavam de apoio. Ajudei as que me procuraram e fui atrás daquelas que já não tinham mais esperança. Minha vontade é que ninguém seja marginalizado.

Quando encontrarem algum adolescente que vive numa cadeira de rodas, que não fala, que não tem um corpo igual ao da maioria dos seus amigos, que não enxerga..., não tenha pena dele, pois a grandeza dapessoa está no seu coração e não na sua aparência ou na capacidade de realizar coisas. Sei que vocês fazem amizade com aqueles com os quais têm mais afinidades, pois eu também fui adolescente.

Mas não se esqueçam que um adolescente com deficiência pode ser tão interessante e amigo como qualquer outro. Pensem nisso. Quando eu disse “levanta-te e vem para o meio” para aquele homem de mão atrofiada, queria mostrar a todos que a acolhida e a valorização da pessoa é o caminho para sermos mais felizes. O que você diria sobre isso?

Visite as outras páginas

[P.I.M.E.] [MUNDO e MISSÃO] [MISSÃO JOVEM] [P.I.M.E. - Missio] [Noticias] [Seminários] [Animação] [Biblioteca] [Links]

Voltar