Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Jovens

Se você é um adolescente deve compreender bem frases deste tipo: “Pula fora mané; tu queimou meu filme; agora a parada é outra!”, ou algo como: “Tá limpo!”, para algo que diríamos em nosso português mais culto: “Tudo bem!”.

Um adulto, a não ser que estivesse bem inteirado da linguagem juvenil, passará trabalho para entender o que dois adolescentes conversam enquanto comem um lanche.

Levando em consideração este abismo entre o modo de vocês falarem e o modo com que seus pais e professores compreendem um “bom português”, poderão surgir alguns conflitos de ordem relacional que, se não forem resolvidos com um bom diálogo, poderão criar barreiras no relacionamento familiar ou no processo educacional.

Com o intuito de respondermos até o final do artigo, abro aqui um questionamento: É possível “adultos cultos” e “adolescentes da moda” dialogarem sem agressão ou incompreensões?

O USO DA GÍRIA

O uso da gíria, até pouco tempo atrás, era uma linguagem dos malandros e marginais, mas, com a ajuda dos meios de comunicação, que abrandou sua negatividade, e a tolerância na educação escolar, hoje o uso da gíria já é comum até na classe média alta, que sempre prezou pelo padrão culto.

Contudo, embora possamos encontrar muitos adultos que se apossam da gíria para a comunicação diária e informal, seus promotores continuam sendo os adolescentes e jovens. Eles criam, transformam e perpetuam expressões, tornandoas, em alguns “grupos de iguais”, um “dialeto do português”, às vezes até incompreensivo, quando não irreverente, pelo uso freqüente de palavras que o nosso dicionário chama de “palavrões”.

Imaginem uma família, cujos pais observam uma linguagem mais formal, obterem uma resposta chula do filho ao ser perguntado como está indo na escola: “Tá foda pai, este ano eu tô ferrado!”.

Perdoem-me o uso deste linguajar tão grosseiro e ofensivo moralmente, mas, não raramente, ele está presente nos próprios adultos que deveriam se preocupar em oferecer bons exemplos.

LINGUAGEM DIFERENTE: POR QUÊ?

Para serem diferentes? Defesa? Conflito com os adultos? Criatividade? Sigilo? Cometeria um erro se apontasse uma causa e afirmasse ser isso o que faz com que os adoles-centes utilizem um vocabulário próprio. Prefiro, portanto, pensar que é mais uma forma de comunicar, de inserir-se no grupo e ser compreendido e aceito. Embora todos sintam a necessidade disso, são os adolescentes os mais carentes de uma identificação.

Querem perceber como eles não são os únicos que, depois de falarem, acabamos perguntando: “O que você disse?”.

Vejamos por exemplo um médico ao dar o diagnóstico ao paciente: “O senhor tem uma ptose gástrica, mas como não é anoréxico e tampouco sofre de astenia, receitar-lhe-ei um medicamento que, sem alterar o seu estado hipoglicêmico, irá minorar sua intoxicação psíquica”.

Entendeu? Entendo melhor as gírias da garotada, sabendo tratarse de uma forma de se comunicar que, mesmo que muitas vezes não compreendida, no mundo dos adolescentes representa algo de muito mágico.

Um fator que não poderia deixar de mencionar é que a gíria usada pela nossa galerinha também enriquece o nosso vocabulário. Algumas palavras que só eram ouvidasnum papo juvenil descontraído, hoje já se encontram em nosso dicionário.

FALANDO A MESMA LÍNGUA

Os pais se sentem muito inseguros quando o filho ou a filha chega à adolescência. Logo vão trocando o apelido carinhoso de “papaizinho” por “velho” ou “coroa”. E depois tentar entender uma frase onde metade dela é composta por “tá ligado”, “parada” e “só”, não é tarefa para qualquer um, principalmente quando o diálogo não deve ferir nenhuma das partes.

O apóstolo Paulo nos ensina que há uma linguagem universal, a do amor. A linguagem do coração aproxima as pessoas e acaba com qualquer tipo de preconceito em relação ao modo de ser e de se expressar. Ele diz: “Ainda que falasse a língua dos anjos e dos homens, sem amor, nada seria.”

Ainda que você fale a língua dos adolescentes ou a dos adultos, sem amor, nada adiantaria. O amor nos convida a abolir a única linguagem que fere mesmo com um português impecável, a do preconceito. Essa, nenhum adolescente deveria aprender e todos os adultos, que a tenham usado, deveriam esquecer.

Dinamica

Objetivo: refletir sobre percepções e preconceitos.
Material: Texto "O Hóspede" (ao lado).

Passos:

1.º Distribuir o texto "O Hóspede" para todos os participantes.
2.º Efetuar a leitura.
3.º Levantar, ao final, o questionamento: "Quem é essa pessoa?" ou
"Que tipo de pessoa é essa?"
4.º Ao final, o animador revela (caso ninguém tenha descoberto quem é):
é um bebê.
5.º Concluir com uma reflexão sobre a necessidade de compreender as pessoas em todos os seus aspectos.

Quem mora em cidades praianas raramente sente falta de visitantes, principalmente durante a temporada de férias. Na maioria das vezes este fato é uma experiência agradável para os donos da casa. Há pouco, porém, recebemos uma visita que foi o fim.

Ele apareceu com uma comitiva não inferior a três pessoas, cuja missão na vida era atender a todas as suas necessidades. Fomos informados que teríamos que acomodar toda essa gente. Assim o fizemos.

Ele chegou trazendo (imaginem só!) a sua própria coleção de ferramentas e, nos momentos de folga, começava a desmontar quase tudo o que havia na casa.

Gostamos de levar as pessoas que nos visitam pela primeira vez para almoçar num belo restaurante na serra, onde se tem uma vista maravilhosa. A paisagem geralmente deixa as pessoas fascinadas. Pois o cara nem ligou: chegava a bocejar de sono.

Como se não bastasse, fez uma cena na hora do almoço, recusando comer o que fora pedido para ele, jogando o prato longe. Além disso, antes de sairmos do local, peguei-o beijando a garçonete.

Revelou-se um verdadeiro desmancha prazeres. Enquanto ele dormia, a sua comitiva cuidava para que o seu sono não fosse interrompido, obrigando todos a andarem na ponta dos pés e a falar baixinho.

Quando acordava, por volta das cinco horas da manhã, era propenso a fazer com que todos acordassem também, monopolizando a conversa em tom de voz bastante elevado. Enfim, todos tinham que estar à sua disposi ção, atendê-lo nas suas necessidades todas e do jeito que ele queria.

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