IGREJA HOJE
OS SANTOS, OBRAS-PRIMAS DO EVANGELHO
"Sede perfeitos como vosso Pai do céu é perfeito"
(Mt 5, 48)
Antes da Idade moderna, os homens sonhavam ser nobres,
sábios ou santos. Melhor ainda: ser nobre, sábio e santo
ao mesmo tempo. O ideal da afirmação humana ia além
dos limites do dia-a-dia. Os pobres, homens e mulheres, crianças
e jovens, buscavam a perfeição aos olhos de Deus. Reis e
rainhas,
príncipes e princesas, não se contentavam em fazer parte
da aristocracia terrena: queriam ser aristocratas aos olhos de Deus. O
homem perfeito era o homem santo.
O mundo moderno empobreceu
o sonho humano: o grande ideal é ser rico. Ser rico, eis o máximo
que nos apresentam! Os pais querem ser ricos para oferecerem riqueza aos
filhos. Profissão boa não é a que realiza o jovem,
mas a que lhe garanta conforto. Ser rico passa a ser um prazer em si,
o homem rico se satisfaz enumerando
suas riquezas. Infelizmente chegamos a essa pobreza: querer apenas ser
ricos! E o máximo a que se aspira é ser uma “celebridade”,
uma cabeça oca com muita
badalação...
O cristianismo oferece a plena realização
humana
Se, aos olhos do mundo, isso é suficiente e compensador, o cristão
é chamado a sonhar mais alto: buscar a santidade.
“Os santos são a aristocracia cristã”, disse
o Papa Paulo VI.
Ser santo não é ser pessoa esquisita, alheia ao mundo e
às suas obrigações. Ser santo é ser normal,
e os santos foram as mais normais das pessoas. Evidentemente
que foram diferentes,
pois amavam mais o próximo do que a si mesmos, beijavam seres cheios
de feridas, repartiam tudo o que possuíam, esqueciam-se de si para
servir aos outros, tinham intensa intimidade com Deus, retribuíam
com afeto as ofensas recebidas, eram pessoas tomadas pelo amor. Eram diferentes
dos outros, porque eram mais humanos.
Os santos foram pessoas humanas
porque não pecaram. Pecar não é humano, o pecado
nos torna desumanos:
ambiciosos, violentos, vingativos, egoístas, avarentos,
orgulhosos, erotizados.
Com essas “qualidades”,
alguém pode ser “humano”?
Os santos são pessoas felizes
e realizadas
Os santos não foram pessoas frustradas que se refugiaram na religião.
Encontramos santos
nos palácios reais e nas choupanas, entre ricos e pobres, doutores
e analfabetos, crianças e jovens, adultos e velhos, na cidade e
no campo, entre casados e solteiros.
A santidade floresceu em todas as profissões. Cada profissão
tem o seu santo padroeiro porque há santos
em cada profissão.
Não se fica santo fazendo coisas
raras, estranhas. A santificação consiste em fazer bem,
com amor e por amor, aquilo que se precisa fazer a cada dia. Importa não
“o que” se faz, mas o “como” se faz. Para Deus,
o Papa governando a Igreja ou a mãe de família lavando louça,
têm a mesma
importância. A diferença está no amor colocado em
suas ações.
Os santos, heróis
inesquecíveis
Os poderosos passam e sua memória
fica registrada apenas nos livros
de história. Os santos, porém, deixam marcas profundas na
história
e são inesquecíveis: tiveram uma vida de tal modo rica em
qualidades, virtudes, bondade, doação que sua vida parece
ainda estar acontecendo diante de nós. Francisco,
Antônio, Clara, a Virgem Maria, José, Pedro, Sebastião,
Teresinha
viveram há tanto tempo, mas sua memória é viva, é
atual
porque sua obra e exemplo tocam o ser humano naquilo que tem de mais profundo:
a necessidade
de ser bom, de ser perfeito, de ser à imagem e semelhança
de Deus.
Nós apreciamos os heróis, os jovens mais ainda. Pois o Cristianismo
tem milhares, milhares, milhões de heróis, crianças,
jovens,
adultos, anciãos. Gente que deu a vida para continuar a professar
a fé em Jesus Cristo, gente que entregou a vida no campo missionário,
deixando pais, pátria,
tudo, para ganhar outros para a felicidade de crer em Cristo.
Gente que consagrou a vida em favor dos doentes, leprosos, aidéticos,
proferindo uma palavra
de carinho a tantos doentes antes de morrerem, talvez a única
palavra amorosa que escutaram em sua vida. Há alegria maior?
O trabalho desses heróis tem um único preço: o preço
do amor. Dinheiro nenhum pagaria o que fazem,
mas o fazem gratuitamente, pois querem sentir a felicidade de amar sem
nada receber em troca, além da felicidade daqueles que Deus colocou
em seus caminhos.
Os santos,
pessoas sempre mais atuais
É verdade que a cultura
moderna é a do prazer, do consumo, da moda, do individualismo.
Começa
na festa e termina na ressaca. Mas é também verdade que
muita gente escapa dessa pobreza e mergulha no discipulado
de Jesus Cristo: amar, dar a vida, consagrar-se a um ideal, ser feliz
fazendo
feliz, buscando a transformação da própria existência
numa grande aventura conduzida pelo Espírito Santo, o artista dos
santos. Sua vida é sempre festa, festa de amor, de ver o outro
feliz.
Nosso tempo gerou
muitos santos: podemos citar Irmã Dulce da Bahia, Madre
Teresa de Calcutá,
Dom Hélder Câmara,
Roger Schütz, Edith Stein, Santa Paulina e assim por diante. O Cristianismo
terá sempre a marca da generosidade,
por isso não conseguirá existir sem os santos.
Por último: só nos realizaremos plenamente atingindo a perfeição.
Alguém pode se achar normal se não decidir ser perfeito?
Alguém pode ser feliz e realizado sem um ideal pelo qual dar a
vida? A santidade
é o ponto final da perfeição humana, é quando
a criatura se assemelha
a seu Criador
PARA REFLETIR
1. Quais são as principais características
de quem almeja a santidade?
2. Das pessoas que você conhece, quem você considera mais
“santa”?
Por que?
BOX
Para sermos santos, não precisamos abandonar
a rotina da vida. Precisamos é mudar o modo como a enfrentamos:
por amor e não por interesse pessoal, buscando a glória
de Deus e não a glória pessoal, colocando-nos ao serviço
dos outros
e não os outros a
nosso serviço. |