Jornal - "MISSÃO JOVEM"

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Dia 18 de Dezembro: Dia nacional dos migrantes

Migrantes: um fenômeno mundial!
"Para o migrante, a pátria é a terra que lhe dá o pão!"

A Assembléia Geral das Nações
Unidas proclamou, em 2000, o dia Internacional dos Migrantes
com o objetivo de sensibilizar
a comunidade internacional para a necessidade de proteger os direitos dos emigrantes e imigrantes
em todo mundo. Foi escolhida a data de 18 de dezembro porque no ano 1990, naquele dia e mês, a ONU aprovou a “Convenção Internacional
para proteção de todos os trabalhadores migrantes e suas famílias”.

Os seres humanos sempre migraram.
Migrar sempre fez parte
da estrutura bio-psíquica do ser humano, mas, no século XIX a industrialização provocou um grande movimento de massas humanas.
Os historiadores falam de 100 milhões entre 1830 e 1930. Esse fenômeno migratório é fruto do capitalismo emergente que coloca
a lei do mercado como base da convivência humana.
Os migrantes vão assim forjando
a construção de “outro mundo
possível” que supere as nefastas
estruturas sociais num mundo
globalizado, comandado pelo egoísmo individual que privilegia a economia de mercado neoliberal,
criando assim um sistema de depredação da natureza, da sociedade
e do próprio ser humano.
Em busca de um mundo melhor, de um mundo possível.
Após a II Guerra Mundial,
as migrações se acentuaram
face à necessidade
de equilibrar o mundo destroçado pela guerra e caminhando rumo à descolonização.
Mais recentemente, o avanço da informática facilitou a comunicação
e a locomoção entre os povos, oferecendo notícias e propostas de possibilidade de vida melhor em outras terras e estimulando uma mobilidade humana caracterizada pela instabilidade.
Interliga-se assim, no fenômeno
migratório, a dimensãoglobal com as esferas econômicas, sociais, políticas, culturais e religiosas.
Fatores como a distribuição
desigual da riqueza e da renda, guerras, desemprego crônico, fome e desagregação ambiental, forçam todos os dias milhares de pessoas
a abandonarem seus países em busca de um futuro melhor para si e suas famílias.
No Mundo, de 90 milhões de migrantes, em 1990, passou-
se para mais de 200 milhões, em 2006. Nesse contexto, o Brasil participa
com mais de 4 milhões de imigrantes que residem
no exterior.
Quem são
os Migrantes?
São consideradas migrantes
as pessoas forçadas a deixar o seu país ou que o deixam voluntariamente; as que buscam uma vida melhor ou as que procuram apenas uma vida diferente; as que dispõem de autorização de residência e as que vivem na clandestinidade.
Não se pode deixar de sublinhar
a feminilização do fenômeno migratório: aumenta o número de mulheres independentes que procuram
uma vida melhor para si e sua família.Outro aspecto a ser considerado
é o número de jovens que deixam sua terra para estudar e trabalhar.
Os refugiados pertencem a outra
categoria. São as pessoas que abandonam sua pátria para fugir da perseguição por motivos políticos ou religiosos. Seu número ultrapassa
os 35 milhões.A presença da Igreja
junto aos migrantes
Desde os primórdios da migração,
a Igreja esteve presente de uma maneira concreta: acompanhandoos migrantes e lutando para que houvesse uma legislação adequada. João Batista Scalabrini é o exemplo do Pastor que, visitando sua diocese na Itália e pedindo aos párocos um levantamento das famílias, se apercebeu
que 28 mil pessoas (sobre 300 mil), havia deixado sua diocese. Decidiu
então iniciar uma campanha de conscientização para conseguir sacerdotes que acompanhassem
os migrantes. Não existindo legislação sobre migrações, o Bispo observou: “o fato de migrar não é prejudicial. Torna-se tal pela falta de leis”.
A assistência
se aprimora
Em 1912, a Igreja cria o Secretariado Especial da Imigração, o Secretariado
Pontifício para as Migrações dentre muitos outros órgãos em favor dos migrantes.
Em 1952 é publicada a Constituição
Exsul Família (A Família Peregrina),
que é a carta magna da pastoral dos migrantes. Também João Paulo II demonstrou um cuidado especial através de mensagens anuais, criou o Conselho Pontífico da Pastoral para os Migrantes e Itinerantes e, por fim, o documento: “A Caridade de Cristo para com os Migrantes”.A Igreja do Brasil, que se desenvolveu com a presença das correntes migratórias,
deu um destaque especial ao fenômeno migratório na campanha
da Fraternidade de 1980, cujo tema era “Fraternidade no mundo das migrações: exigência da Eucaristia” e com o lema “Para onde vais?”.
Em 1985, a CNBB institui o Serviço Pastoral
dos Migrantes (SPM). Nas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora, dá-se também destaque especial ao empenho da Igreja na realidade migratória:
“É dever da comunidade
cristã, acolher o migrante
e ajudar sua inserção nela, no trabalho e na sociedade. Regionais, Dioceses e Paróquias colaborem entre si a fim de que os migrantes encontrem apoio e solidariedade desde o seu lugar de origem até o seu destino” (123, i).
“Dêem atenção especial aos migrantes
em busca de trabalho e moradia.
Igualmente merecem atenção os novos imigrantes estrangeiros, em busca de sobrevivência, sobretudo latino-americanos sem documentação
que se encontram em situação de não-cidadania e discriminação, e os inúmeros brasileiros e brasileiras que buscam sobrevivência em outros países.
Neste sentido valorizem as iniciativas já existentes”
(184).

PARA PENSAR E AGIR

1. O que significa o migrante em nossa vida? O que o migrante
questiona na sociedade e na Igreja?
2. Como são percebidos, na nossa paróquia, os migrantes que vêm de outros municípios, estados e do exterior?
3. Que práticas de acolhida desenvolvemos?
Quais as dificuldades
encontradas para caminhar com o migrante em nossa comunidade?

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