Jornal - "MISSÃO JOVEM"
História da Igreja no Brasil
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DAI-NOS DE VOSSA POBREZA!
Amazônia abrange nada menos do que 3.581.189 quilômetros quadrados, território que corresponde a 29 países europeus, a quase metade do território nacional (42,07%) e a 21% de toda a superfície da América Latina. Constata-se também que, se a Amazônia, até tempos recentes era vista apenas como região de selvas e águas, hoje, é disputada por empresas nacionais, nternacionais e progressivamente destruída. O povo que mora e trabalha nesta região não é tão numeroso, mas está espalhado numa área enorme, e isso acarreta suas conseqüências. Façamos uma comparação: se para encontrar mil pessoas no Rio Grande do Sul um sacerdote tem que percorrer uma área de 30 Km2, no Amazonas tem que percorrer uma área de 735 Km2. Diante de tal desafio, assim escreveram os bispos
da Amazônia: Enquanto es treitamos nossa comunhão
com todas as Igrejas no Brasil, comunicando-lhes as riquezas de nossa
caminhada, reiteramos o nosso apelo aos outros Regionais para que venham
em socorro à Igreja da Amazônia, motivados pelos seus desafios
pastorais, pela sua extensão e importância no cenário
mundial.
Trata-se de um apelo por uma ajuda efetiva, sistemática
e estruturada. O povo está ávido de evangelização, mas a Igreja não está dando conta de saciar a fome e a sede de todos. Diante de tal situação, não perdemos a esperança de que o grito da Amazônia surja efeito. Sabemos muito bem que todos estão enfrentando dificuldades nas suas dioceses. Nunca se tem resbíteros, religiosos e irmãs em número suficiente para atender a todo o povo. Mesmo assim apelamos: Dai-nos de vossa pobreza!, reiteram os bispos. A messe é grande, mas...As Dioceses e Prelazias da Amazônia são de superfícies vastíssimas. Das 29 circunscrições eclesiásticas que compõem os Regionais Norte 1 e Norte 2, nove têm mais de 100 mil km2, cinco mais de 200 mil km2 e uma tem quase 350 mil km2. Sua área ultrapassa a de estados brasileiros e de países da Europa.
A ação evangelizadora não pode depender somente do número de pessoas. Comunidades de 50 famílias, na cabeceira de um igarapé, não podem ser ignoradas sem mais nem menos. O Bom Pastor deixou 99 ovelhas para ir procurar uma! A solidão e o isolamento em que vive este povo, unido ao abandono do governo, fazem esta gente humilde e pobre exultar de alegria quando chega um padre ou uma irmãs. Mas, quantos sacerdotes, religiosos e religiosas há na Amazônia? Em 1997, eram estes os números: 255 sacerdotes diocesanos, 558 sacerdotes membros de diversas ordens e congregações religiosas, em sua maioria estrangeiros. Em toda a Amazônia, hviam 1610 irmãs e 203 irmãos religiosos para servir a 10.362.316 pessoas.
Nos últimos 30 anos, a Amazônia passou por grandes
transformações. A construção de estradas
atraiu milhares de famílias do sul para o centro, Norte e Nordeste.
Cidades com 1.000 habitantes ou menos dispararam para até 100.000.
Para agravar ainda mais a situação, na Europa e na América do Norte diminuiu o número de vocações missionárias e, conseqüentemente, o fluxo de missionários para a Amazônia. Nos últimos anos constata-se também que o número e a percentagem dos católicos da Amazônia decresceu de modo assustador. Esta imensa região em que, durante séculos, mesmo com a falta de um atendimento pastoral e sacramental regular, o povo se destacou por seu meigo amor à Virgem de Nazaré e aos Santos, venerados nas novenas e nos festejos tradicionais, transformou-se num campo fértil de pregações fundamentalistas. Homens e mulheres, que tinham abandonado familiares e parentes na terra natal, sentem-se, de repente, desenraizados e, em terra estranha, abandonam a fé de seus antepassados. Dom Antônio Possamai, bispo de Ji-Paraná (RO), afirma que milhares de famílias foram para a Amazônia nas décadas de 70 e 80 sem terem sido acompanhadas por padres ou religiosos(as) de suas dioceses de origem. As seitas, porém, enviaram centenas de pastores. O bispo denuncia: Para Rondônia, as seitas tem um projeto bem definido: a criação de um Estado evangélico. De fato, hoje os evangélicos dominam a educação, os meios de comunicação e a política, já que a Igreja católica não foi capaz de cobrir estes espaços. Na Amazônia, há regiões em que o povo tem apenas uma ou duas vezes por ano a graça de participar da Eucaristia. O mandato do Senhor: Fazei isto em memória de mim! (Lc 22,19), não pode ser cumprido nas comunidades porque não há quem presida a Eucaristia. Católicos que, em sua terra natal, iam à igreja todos os domingos, não têm mais acesso à mesa da comunhão. A Amazônia representa, no Brasil deste novo milênio, a realidade mais gritante quando tratamos de áreas e situações missionárias. A Amazônia pede e exige respostas urgentes, proféticas e corajosas.
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