Jornal - "MISSÃO JOVEM"

História da Igreja

partir da Revolução Francesa (1789), que decretou o fim das escravidões, diversos povos adquiriram consciência nacional buscando a independência política, como foi o caso da América Latina, onde as colônias se libertaram constituindo Estados independentes. No final do século XIX, porém, o ideal nacional se corrompeu, passando a animar ambições imperialistas e glorificando o uso da força. Foi o que aconteceu com a França, Alemanha e Itália.

As causas principais desta corrupção do nacionalismo:

  • ver o Estado como fonte dos direitos e a pessoa como instrumento dele;
  • o capitalismo à procura de novos mercados e de matérias primas;
  • o amor à pátria transformou-se em culto,
  • a guerra como fábrica de heroísmo e caminho para a solução de conflitos.

A Primeira Guerra Mundial (1914-1918) é conseqüência disso. De um lado estavam Alemanha, Áustria e Hungria e do outro, Rússia, França e Inglaterra.

NACIONALISMO TOTALITÁRIO

Após a Primeira Guerra, o nacionalismo transformou-se no Nacionalismo Totalit ário: suprimiram-se as liberdades e um Chefe só reúne em si todos os poderes. Conseqüências: a descrença na democracia; o medo do comunismo; os ressentimentos após a guerra e, da parte dos políticos, o medo das massas. Uma conclusão impõe-se sempre mais: somente um governo forte, centralizador, poderia resolver os problemas. O apoio decidido do capitalismo, dos políticos e do exército garantiu a vitória do totalitarismo.

Os Chefes, novos Césares, passaram a ser vistos como necessários, verdadeiros messias: Lênin na Rússia (1921), Benito Mussolini na Itália (1922), Oliveira Salazar em Portugal (1923), Adolf Hitler na Alemanha (1933), Francisco Franco na Espanha (1936) e, no Japão, um secular militarismo simbolizado no Imperador.

Uma organização autoritária substituiu todas as estruturas democráticas, enfeixando no Chefe do estado todos os poderes. O terror foi o caminho para o partido se impor e destruir todas as contestações. Características comuns a todos os totalitarismos: o Estado é livre de qualquer lei; intervenção em todos os setores da vida humana, privada e pública; união entre Estado e raça; o culto ao chefe.

O SÉCULO XX E O TERROR TOTALITÁRIO

O totalitarismo não foi igual em todos os países, com exceção na crueldade. Sua aplicação mais dramática ocorreu na Rússia de Stalin a partir de 1924 e na Alemanha quando, em 1933, Adolf Hitler recebeu carta branca para aplicar seu programa de redenção do povo alemão.

Na Alemanha vingaram formas extremas de racismo e de imperialismo. Isto levou à anexação da Áustria e de parte de Tchecoslováquia, à esterilização dos fisicamente incapazes, homossexuais, ciga-nos e dos débeis mentais em 1933, à eliminação física da ala radical do partido e da oposição de direita (1934), ao anti-semitismo (assassinato de 6 milhões de judeus), à eutanásia aplicada aos doentes e à tragédia da Segunda Guerra (1939-1945).

A prática fascista foi mais moderada na Itália. Naquela nação, além da perda das liberdades políticas, foi alimentada a teoria do Grande Império, isto é, chegar a reconstituição do apogeu do antigo Império Romano.

A IGREJA DIANTE DOS REGIMES TOTALITÁRIOS

Trata-se de um tema muito delicado, pois os católicos viram nos regimes de força o fim da anarquia e a possibilidade de progresso. A primeira reação foi de compromisso: buscando legitimidade nacional e internacional, os regimes de direita ofereciam à Igreja condições muito privilegiadas, nelas incluindo aportes financeiros. Na Itália, em 1929, resolveu-se a Questão Romana que se prolongava desde 1870. Mediante indeniza-ção e reconhecimento da Igreja católica como religião oficial dos italianos, foram assinados os Tratados Lateranenses.


Mussolini assinando o "Tratados Lateranenses"

Nascia assim o Estado do Vaticano e a Igreja passou a gozar de liberdade para a sua missão no mundo. Na Alemanha, em 1933, Hitler reconheceu a Igreja como personalidade jurídica, garantiu a liberdade de ação e a faculdade de manter escolas católicas. Em Portugal, em 1940, Oliveira Salazar, profundamente católico, garantiu uma Concordata extremamente favorável à Igreja, incluindo até um Tratado Missionário, pelo qual o governo de Lisboa financiava as missões.

Na Espanha, em 1953, o regime espanhol, necessitando de legitimidade aos olhos das nações, viu na Igreja uma aliada providencial. Reconheceu portanto a Igreja católica como a do povo espanhol, garantiu-lhe foro especial e financiamento para todas as suas obras, como imprensa, rádio, seminários, televisão, etc. Quando esses regimes caíram, o preço a ser pago - e que está sendo pago - é alto: o anticlericalismo, a aversão à Igreja como aliada dos regimes de força e o desencanto das novas gerações.

A IGREJA NA ALEMANHA E SANTA SÉ

A ascensão do nazismo na Alemanha foi conseqüência da derrota de 1918 e das crises política e econômica. O regime de Hitler trouxe, de fato, um bem-estar ao povo alemão. O doloroso é perceber a insensibilidade tanto dos católicos como dos protestantes perante o anti-semitismo e o posterior extermínio dos judeus e das minorias. O orgulho nacional parecia obscurecer a visão da realidade.


Campo de concentração

Os bispos, em sua maioria, viam na nova realidade uma situação ideal para o anúncio do Evangelho e a cúpula da Igreja evangélica chegou a justificar teologicamente a teoria ariana da superioridade racial. Evidente que o nazismo, ao assinar a Concordata com a Igreja, moveuse no interesse de silenciá-la. O plano seguinte de Hitler seria exterminar a Igreja, o Cristianismo e fazer retornar o alemão ao paganismo.

A Igreja alemã, quando se sentiu violentada em seus direitos e viu a violação dos direitos humanos, soube colocar-se do lado do povo. Multiplicaram-se os mártires entre os que denunciavam a loucura pagã do nazismo. O grande questionamento é feito ao "silêncio" de Pio XII com relação ao extermínio dos judeus.

De um lado, colocou a estrutura eclesial em apoio aos judeus perseguidos. De outro, faltou-lhe a voz profética da denúncia direta dos campos de concentração. A mesma voz faltou às democracias da França, Inglaterra e Estados Unidos que sabiam dos deslocamentos das populações judaicas e nada fizeram. Em linha geral, os europeus não viram com dor o massacre de tantos milhões de pessoas.

CONCLUSÃO

As feridas do totalitarismo ainda não foram cicatrizadas. Mas servem como grande lição: para a Igreja, o privilégio nunca é positivo, pois amordaça a profecia e compromete o futuro. A segurança da Igreja não repousa num regime, mas no poder de seu Senhor e fundamento, Cristo Jesus.

PARA REFLETIR

1.º Que avaliação podemos fazer sobre os regimes totalitários do século XX?

2.º Qual foi o comportamento daIgreja e dos países democráticos diante de Hitler?

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