Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Educação

Educação para o trabalho

No mês em que celebramos o dia do trabalho, apresentamos uma reflexão sobre a educação necessária para enfrentar com mais segurança e ter mais sucesso no mercado de trabalho.

NOVOS PARADIGMAS

Vive-se numa época de grandes transições. Modos já consolidados de compreender e de atuar na história estão perdendo eficácia. Surgem novos enfoques e novas linguagens.

Fala-se em pós-modernidade, sociedade pós-capitalista e outros "pós" como tentativa de mostrar que esta é uma época de transição e sem definições sobre o caminho que está sendo gestado.

Fala-se em crise de paradigmas: antigos padrões de reflexão e de ação encontram-se em crise e um novo padrão ainda não se afirmou.

A educação, nesse quadro, deve favorecer uma formação abrangente que se traduza na síntese entre a formação geral, a formação profissional e a formação política.

Isso permitiria o enfrentamento das alternativas de tecnologias e diferenciadas possibilidades de trabalho em um contexto de rotatividade de empregos e ameaça de desemprego.

Alargaria também os horizontes das pessoas que, ultrapassando as dimensões do mundo do trabalho seriam preparadas para a totalidade da vida.

FORMAÇÃO GERAL

A formação geral propicia os conhecimentos científicos que formam e modificam a estrutura mental e os instrumentos do pensamento e de raciocínio lógico e científico. Promove, assim, o espírito científico, pelo qual os educandos podem compreender o mundo tecnológico, inserindo-se nele e na realidade que o circunda.

A integração entre a formação geral e a profissional, amplia as possibilidades de convergência entre a concepção (trabalho intelectual) e a execução (trabalho manual), permitindo a discussão das relações sociais que estão na base da ruptura entre estas duas esferas.

DIMENSÃO PROFISSIONAL

Nessa base de educação geral, está uma dimensão profissional que se amplia em diferentes conhecimentos e habilidades que constituem as competências intelectuais e técnicas:

Competências intelectuais:

reconhecer e definir problemas, equacionar soluções, pensar estrategicamente, introduzir modificações no processo de trabalho, atuar preventivamente, transferir e generalizar conhecimentos.

Competências organizacionais/metódicas, ou de gestão:

capacidade de planejamento, organização, gerenciamento do tempo e espaço de trabalho...

Competências comunicativas:

capacidade de expressão e comunicação com seu grupo, superiores hierárquicos ou subordinados, de cooperação de trabalho em equipe, de diálogo, de exercício da negociação e de comunicação...

Competências sociais:

capacidade de transferir conhecimentos da vida cotidiana para o ambiente de trabalho e vice-versa...

Competências comportamentais:

iniciativa, criatividade, vontade de aprender, abertura às mudanças, consciência da qualidade e das implicações éticas do seu trabalho.

COMPETÊNCIAS POLÍTICAS

Entretanto, se essas competências são necessárias ao mercado, não são suficientes quando se tem como perspectiva a concretização de uma sociedade socialmente justa, economicamente igualitária, culturalmente pluralista e politicamente democrática.

Para concretizar esta sociedade é preciso proporcionar uma formação que permita às pessoas agirem como cidadãs: produtoras de bens e de serviços e atores da sociedade civil.

Neste sentido, ao conjunto das competências profissionais, acrescem-se as competências políticas, que permitem aos indivíduos de refletir e agir sobre as relações sociais, políticas e econômicas da sociedade.

EDUCAÇÃO E DESEMPREGO

No atual contexto de globalização econômica, reestruturação produtiva e mudanças tecnológicas em que o desemprego estrutural, a precarização do mesmo e o crescimento da informalidade ampliaram o contingente de excluídos da economia e do saber, a educação não pode se converter em propriedade de alguns ou um bem que tem somente um valor mercantil.

Mais do que nunca, ela deve possibilitar aos indivíduos a participação na sociedade científica e tecnológica, não como objetos, mas como sujeitos ativos, também na vida social.

Educar para o trabalho não é uma tarefa simples: pressupõe uma vontade coletiva para enfrentar os problemas que hoje são planetários.

Mauri Luiz Heerdt

Para Refletir

1.º As escolas do Brasil proporcionam esta educação?

2.º Por que há tantos desempregados?

3.º Dê umas sugestões para que haja um sistema de educação que atenda às necessidades do mundo do trabalho.

4.º Como os jovens recém-formados podem encontrar mais facilmente um trabalho? Experiências práticas.

Educação, Emprego e Qualidade de vida

A educação é realmente importante para o emprego e, conseqüentemente, para a qualidade de vida de uma pessoa? Para responder a esta questão, apresentamos os números de uma pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha, durante o ano de 1998.

O Brasil, em 1998, tinha 25 milhões de miseráveis com 16 anos ou mais. Eles representavam 24% da população dessa faixa etária.

Os miseráveis estão no patamar mais baixo da pirâmide social, sofrendo com os piores níveis de renda e escolaridade.
O perfil traçado pelo Instituto Datafolha revela que os miseráveis se concentram no Nordeste. A região abriga 28% da população, mas nele mora quase a metade dos chamados miseráveis: 45%. De cada 100 nordestinos, 39 são miseráveis.

A renda é o fator mais determinante da péssima condição de vida dos miseráveis. Na média, suas famílias sobrevivem com apenas R$ 234,00 por mês.
Individualmente, seus rendimentos são ainda menores: R$ 131,00.
A situação ainda piora se lembrarmos que a pesquisa não levou em conta a população com menos de 16 anos, ou seja, esses R$ 131,00 ainda têm de sustentar as crianças da família.

A solução de curto prazo seria um programa nacional de renda mínima, que complementasse os ganhos dessas pessoas. Mas isso não resolve as implicações mais profundas do problema.

A educação. Se a renda é o grande divisor de águas na pirâmide social, a educação é, como mostra a pesquisa, a principal causa da miséria.
Dos 25 milhões de miseráveis, 83% têm menos de quatro anos de estudo. Os outros 17% não completaram as oito séries iniciais do 1º grau.
Em resumo, os dados mostram que, se uma pessoa tiver 16 anos ou mais, e for analfabeto funcional, ela tem mais de 80% de chances de ser também miserável.

A ocupação mais comum entre os miseráveis é o bico. De cada quatro, um vive desse tipo de trabalho temporário, com renda mensal variável e sem nenhuma garantia. As estatísticas ainda demonstram que os trabalhadores menos qualificados são os primeiros a ser demitidos.

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