Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Educação

A Educação em tempos modernos

Qual a relação que existe entre sociedade, escola, professor e aluno? Como um influencia e pode ajudar o outro?

Educação e sociedade

O ser humano nunca pode contentar-se com o trivial, com o comum do dia-a-dia, com o rotineiro... em qualquer área da vida. Quando o assunto é educação, grande responsável em dar dinamismo à sociedade e à história, isso se torna praticamente uma regra.

Cleverson Bastos e Vicente Keller, no livro Aprendendo a aprender, fazem a seguinte observação: "A história humana é a história das lutas pelo conhecimento da natureza, para interpretá-la e para dominá-la. Cada geração recebe um mundo interpretado por gerações anteriores. Esta história está constituída por interpretações místicas, proféticas, filosóficas, científicas, enfim, por ideologias. Cada indivíduo que vem ao mundo já o encontra pensado, pronto: regras morais estabelecidas, leis codificadas, classificações preparadas. No entanto, tal estruturação do mundo não justifica que alguém se sinta dispensado de repensar este mundo, porque, caso contrário, tem-se o lugar comum, a mediocridade e, o que é pior, a alienação".

A educação deve evoluir porque a sociedade evolui. No entanto, a educação pode acelerar, qualificar... esta evolução, dependendo da maneira de como ela se insere no contexto geral da sociedade.

Evidentemente, o objetivo primeiro da educação deve ser o de qualificar a vida da sociedade, a fim de os cidadãos terem de fato uma vida digna.

Sendo assim, para que a educação possa exercer com competência esta tarefa, ela deve estar intrinsecamente ligada, inserida dentro da sociedade.

Um grande desafio

As transformações em curso na sociedade são facilmente perceptíveis e são do conhecimento de grande parte da população.

Jacques Marcovitch nos oferece um exemplo: "As novas tecnologias são facilmente captadas pelos jovens. Quando um novo equipamento é levado para casa, os filhos abrem a caixa e já começam a usar. Os pais descobrem a tecnologia com a leitura do manual e os avós se distanciam da nova máquina, que os assusta e incomoda".

O grande desafio, sem dúvida, não é o de estar ciente destas transformações, mas sim integrá-las e contemplá-las no trabalho educacional.

Isso traz um questionamento e uma responsabilidade muito grande para a prática escolar. A questão é: Como construir uma teoria e uma prática que proporcionem respostas qualitativas e significativas para o ser humano do próximo século?

Os alunos estão querendo algo mais: envolvimento, movimento, sons, sentimento, alegria, símbolos, gestos, participação... e, assim, sentir que são gente, participantes ativos de um acontecimento e não meros figurantes que apenas respondem a fórmulas prontas.

Há mais um desafio: De que forma os educadores comunicam sua mensagem e até que ponto sabem comunicá-la tendo presente esta nova cultura?
Isso deve fazer e está fazendo os professores refletirem seriamente. A escola deve formar lideranças, agentes de mudanças. Homens e mulheres dispostos a assumir riscos para construir um futuro melhor. Nesse sentido, a tarefa do professor é cada vez mais difícil, já que a geração dos anos 80 e 90 foi intensamente estimulada pelos novos meios de comunicação de massa.

Se por acaso o aluno não está sintonizado ao que está sendo apresentado, ele aciona um "zap" mental. Ele muda de canal, "desliga" o professor que está na frente dele. Continua fisicamente na sala de aula, mas a sua mente circula por uma série de outras referências adquiridas lá fora.

O professor e a escola

A escola está ainda muito centrada na expressão escrita e trabalha com dificuldade esta nova realidade em que os alunos estão inseridos. Como então educar, de maneira eficiente e vital, na realidade da nova cultura, onde as pessoas não estão interessadas em dogmas, ensinamentos e sermões? Como se aproximar dos jovens que buscam uma educação menos racional e mais humana e envolvente?

Com absoluta certeza, é necessário pensar, juntamente com os alunos, em formas que ajudem a responder aos anseios e necessidades dos alunos de hoje, observando-se a integralidade (as dimensões) do ser humano e da realidade circundante.

Esta participação deve levar a um maior comprometimento de todos na busca da qualidade, beneficiando, dessa forma, a escola, os professores, os alunos e a sociedade.
Evidenciam-se, assim, uma série de desafios, alguns inéditos, que precisam ser assumidos e incorporados na prática docente. A mudança, o novo, o questionamento, o diferente... quase sempre são causa de insegurança e medo. Mas é necessário ousar e enfrentar.

Paulo Freire já dizia: "Não é possível viver, muito menos existir, sem riscos. O fundamental é nos prepararmos para saber corrê-los bem".

Aluno, professor e escola: Todos por um...

A pessoa que vai à escola entre outras coisas, também está, principalmente, em busca de uma referência para a vida futura, procurando alcançar metas para sua sobrevivência.

A escola, em primeiro lugar, deve ser entendida não como construção material, mas como lugar privilegiado de construção do saber. A tarefa de "fazer" escola não acaba quando o aluno deixa o pátio escolar e não recomeça apenas no dia seguinte quando ele retorna.

O aluno tem, da mesma forma que o professor, compromisso com a qualidade da educação. Nesse sentido, atitudes como criatividade, participação, cooperação, esforço... são essenciais para que se consiga efetivar uma educação de qualidade. Não há sentido em se falar de mudança, qualidade, interdisciplinaridade... se o único esforço para alcançar estas características for dos professores. Cabe aqui também destacar o papel institucional da escola.

O primeiro responsável pela formação do educando é ele próprio. O professor deve dar-lhe orientação, estímulo, acompanhamento, oferecer conteúdos... mas a disciplina, entendido como exercício de uma séria prática intelectual, tem de ser construída e assumida também pelos alunos. E isso não se faz apenas no espaço físico da escola.

Cada professor deve deixar pelo menos sua "marca registrada" numa turma, num curso, na sociedade...

É trágico constatar quando alunos lembram vagamente, após um ou dois anos, do professor e não conseguem identificá-lo com nenhum conteúdo, trabalho, disciplina...
A recíproca também é verdadeira: é triste ver alunos passarem pela escola sem ter contribuído em praticamente nada para sua qualificação.

...Um por todos!

Vive-se no limiar de um novo milênio, que apresenta não apenas uma passagem cronológica. Esta passagem exige uma nova abordagem da educação: a visão integradora do ser humano e a cooperação entre todos os atores envolvidos no processo educacional.

Como diz Marcovitch, "O processo cumulativo de idéias trará resultados sempre insuficientes, mas cada vez mais úteis. Uma boa proposição pode sair de outra e desse modo, sucessivamente, tentamos abrir um caminho para além do futuro imediato. Um futuro incansável - porque a existência humana tem limites - mas onde, afinal, restará alguma coisa, por ínfima que seja, do que pensamos e do que fazemos".

Acentuamos novamente a importância da participação de todos: se todos têm objetivos a buscar na escola, todos têm metas a cumprir e são responsáveis pelo processo global de educação.

Mauri Luiz Heerdt

PARA REFLETIR

1.º Quais os maiores problemas que a escola enfrenta atualmente?

2.º Como os professores passam sua "mensagem" aos alunos?

3.º Cite formas ou experiências que podem ajudar professores, alunos e escola a caminharem para uma educação mais integral e qualitativa?

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