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tualmente,
é preciso constatar que não podemos deixar de falar de religião.
O assunto está na moda:
- é discutido e apresentado no horário
nobre da televisão, nos jornais, nos livros mais vendidos, nas
barraquinhas de símbolos religiosos, nas lojas de produtos esotéricos,
nos panfletos que são distribuídos nas ruas e em nossas
casas. Isso porque vivemos em tempos em que a pluralidade religiosa é
tamanha que, “se fecharmos a porta, a diversidade entra por todas
as janelas”.
No entanto, não é fácil falar de
religião. Até poucos anos atrás, predominava o pensamento
de que “política e religião não se discutem”.
Logicamente que, por detrás desta ideologia, alguém (ou
alguns) defendia seu status e privilégio, ocultando todo o poder,
esperança e sentido da vida do povo.
RELIGIÃO:
CENTRO DE INTERESSE
Hoje,
todo esse panorama está em transformação, e a religião
continua sendo centro de interesse para todos aqueles que se preocupam
com o mistério da vida, com o futuro e com o sentido do caminhar
humano. Parece-nos que, mais do que nunca, as pessoas, por contradição
ao mundo moderno, materialista e científico, tentam entender os
enigmas da vida, buscando saber como tudo começou, querendo transcender
os limites e obstáculos que se interpõem aos passos humanos,
entre eles, a grande barreira intransponível da morte. Isso é
algo marcante de nossa época. Todos buscam a seu modo, de acordo
com sua maneira de sentir e agir, respostas às suas interrogações
existenciais. Percebe-se isso nos mais jovens, que levam a sério
o misticismo e encaram a religião com olhos diferentes dos mais
velhos. Para outras pessoas, isso se revela na leitura diária do
horóscopo, na consulta de magos, adivinhos e benzedeiras, na ida
a reuniões em casas de oração, aos diferentes tipos
de cultos, visitas a templos sagrados, procissões, promessas, novenas,
festas religiosas, entre outros tantos meios.
COMPREENSÃO DO FENÔMENO
RELIGIOSO
No entanto, poucos são os que sabem ler essa realidade,
que fazem uma leitura crítica e coerente, que desmistificam tabus,
abusos e os preconceitos, a fim de que isso tudo contribua para o crescimento
humano e religioso de toda a sociedade. Nesse sentido, é tarefa
da escola auxiliar seus educandos na compreensão dos fenômenos
e dos movimentos religiosos que constituem esta sociedade plural a que
pertencemos. Felizmente, a partir das novas concepções presentes
na Lei de Diretrizes e Bases n.º 9.394/96, criaram-se oportunidades
legais e educacionais para sistematizar o ensino religioso como disciplina
escolar, desde que não seja doutrinação religiosa
e nem se confunda com o ensino de uma ou mais religiões.
Hoje,
em sua nova formulação, o ensino religioso visa o estudo
e à compreensão do fenômeno religioso. Desse modo,
a escola com a disciplina de ensino religioso, reconhecida como parte
integrante da formação básica dos educandos, deve
disponibilizar o acesso à compreensão desse fenômeno,
bem como o conhecimento de suas manifestações no campo social
e nas diferentes denominações religiosas. Esse conhecimento
aberto, não - doutrinário, nem catequético, em meio
à pluralidade cultural brasileira, leva o discente a se descobrir
como ser de relações (consigo, com os outros e com o universo),
numa atitude de respeito, aceitação e tolerância que,
somados a outros valores, constituem a base da cidadania. Dessa forma,
é que o ensino religioso, como área de conhecimento, se
torna tão necessário para que se possa compreender os fenômenos
e os
movimentos religiosos que constituem esta sociedade plural da qual fazemos
parte.
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