Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Educação

Sabemos que somos únicos e irrepetíveis. Por isso, o esforço para se relacionar torna-se uma das condições indispensáveis para a vida em sociedade e para que haja complementação.

Há quem diga que relacionar-se é muito difícil, que sempre foi um dos grandes problemas em todos os tempos. Outros pensam diferente, chegando a afirmar que o bom relacionamento não é tão difícil.

Um dos grandes desafios, ao abordarmos o tema do relacionamento, é saber entender as pessoas com suas limitações. Muitas vezes, olhamos apenas para os defeitos ou limitações da pessoa, exigindo um comportamento de um modelo fabricado.

Mas isso não é possível. Não é justo desejar e exigir que a outra pessoa seja 100% de acordo com a nossa vontade, que seja feita à nossa “imagem e semelhança”.

Esta é uma premissa importante quando falamos de relacionamento, seja lá de que tipo for. O próprio relacionamento com os pais não escapa disso.

E por falar nisso, vem aí o Dia dos Pais! Basta olhar para qualquer lado: anúncios, outdoors, homenagens... tudo mostrando pais e filhos no maior amor, num relacionamento ideal!

Mas será que isto corresponde à realidade? Muitos são os filhos que têm dificuldades para se entender com seus pais. Aí, a data, que era para ser de comemoração, acaba forçando aquela barra.

Melhor mesmo é tentar resolver os problemas para poder curtir esse dia numa boa, ou melhor, não somente esse dia, mas curtir a vida numa boa.

Muitos filhos gostariam que seus pais fossem como os de seus amigos, ou que fossem mais liberais, mais presentes, mais compreensivos, mais companheiros, enfim, quantas vezes pensamos em mudar alguma coisa, ou muitas, em nossos pais!?

Mas, olhando para o outro lado da medalha, será que também os pais não sonham com filhos mais calmos, mais atenciosos, mais inteligentes e amorosos?

O Dia dos Pais, assim como o Dia das Mães, não é só esta data inventada, mas todos os dias. Pelo menos nesta ocasião, somos convidados a uma reflexão e a um confronto mais sério. É oportuno nos olharmos nos olhos e, com muita sinceridade nos perguntarmos: Será que “nós” (pais e filhos) somos perfeitos?

Será que, junto ao esforço para nos aperfeiçoar, não deveríamos usar também uma boa dose de misericórdia para melhorar nossa relação tão complicada? É indispensável e fundamental:

• aceitar limitações e dificuldades;
• cobrar atitudes ou posturas sem que haja comparação com outras pessoas;
• chamar a atenção, quando necessário, sempre em particular;
• trocar afeto sincero;
• incentivar;
• aceitar, entender e crescer com os erros.

Ser pai, nos dias atuais, implica em desenvolver habilidades antes sequer pensadas pelos homens. Pai moderno dialoga com seus filhos, discute possibilidades, demonstra seu afeto, preocupa-se com os cuidados necessários e com a educação adequada.

Há bem pouco tempo estas funções eram de competência materna, ao pai cabia prover financeiramente. Diga-se porém que a mudança que hoje se exige dos pais não é somente uma necessidade dos tempos modernos, mas do simples fato de ser pai.

Numa reunião de pais, a professora incentivava o apoio que os pais deveriam dar aos filhos, e não só isso, os mesmos deveriam se fazer presentes constantemente na vida dos filhos.

Em poucas palavras, ela queria dizer que, embora a maioria dos pais e mães daquela comunidade trabalhasse fora, deveriam achar um tempinho para se dedicar e atender os filhos.

No meio da conversa, a professora ficou surpresa quando um pai se levantou e, na sua maneira humilde, explicou que ele não tinha tempo de falar com o filho, nem sequer de vê-lo durante a semana, pois quando ele saía para trabalhar era muito cedo e o filho ainda estava dormindo, e quando voltava do trabalho o garoto já havia deitado, porque era muito tarde.

O pai explicou que não havia saída, já que tinha de trabalhar assim para poder prover o sustento da sua família. Isso o deixava angustiado e tentava se redimir, indo beijá-lo todas as noites quando chegava em casa.

E para que o filho soubesse de sua presença, ele dava um nó na ponta do lençol que o cobria.

Isso acontecia, religiosamente, todas as noites quando ia beijá-lo. Quando o filho acordava e via o nó, sabia que o pai havia estado ali e o havia beijado. O nó era o elo de comunicação entre eles.

A professora ficou ainda mais surpresa quando constatou que o filho desse pai era um dos melhores alunos da sala.

Esta história faz-nos refletir sobre muitas maneiras de um pai ou uma mãe se fazer presente, de se comunicar com o filho. Esse pai encontrou a maneira dele. O mais importante é que o filho percebeu isso.

É fundamental que os pais se preocupem com os filhos, mas é importante também que estes saibam e sintam isso.

Daí a importância de os pais se exercitarem nessa comunicação e encontrarem a própria maneira de mostrar o amor e a presença!

1. Conversar sobre a figura do pai. Incentive todos a relatar experiências pessoais. Pode ser que alguém não tenha a figura paterna presente (ou porque faleceu, ou os pais se separaram ou até nem o conheça). Trabalhe as questões que envolvem os sentimentos que surgiram nos depoimentos.

2. Promover um pequeno debate. Quais os tipos de problemas que mais afetam a relação pai/filho? Quem se identifica com esses casos? Quais as possíveis soluções existentes para solucionar o problema?

3. Refletir sobre estes temas:

• Conversar é sempre bom!
• Não pode faltar confiança. Em que/quem não pode faltar confiança? Por que não pode faltar confiança?
• Meu herói. Estimular o grupo a pensar: quem é meu herói? O pai? Um tio? Um personagem de TV? etc.

Os filhos, mesmo que o tempo seja reduzido, percebem quando são amados. Isto lhes oferece aquela segurança e tranqüilidade, indispensáveis para um relacionamento sadio.

Mas vejam bem os pais: é fundamental “estar presente quando presente”. Muitas vezes o pai está junto do filho, mas não consegue se desligar de seu papel profissional, político, de outros compromissos etc. Está em casa, mas ninguém se atreve a “incomodá-lo”, desviá-lo de seu foco de atenção.

É necessário fazer com que o filho sinta que o pai está presente, de corpo, alma, coração e intelecto, valorizando e integrando o filho às suas atividades. Da mesma forma o pai também se sentirá valorizado quando integrado à vida do filho.

Pais e filhos, tentemos nos acertar e sermos mais pacientes uns com os outros. E se alguma coisa estiver errada, não deixemos para conversar ou pedir desculpas amanhã. Amanhã pode ser tarde...

Na hora de resolver os pepinos, o diálogo é fundamen-tal. E se o pai não for de muito papo, a criança, ou o jovem precisa ter a coragem de tentar.

Não percamos tempo com mágoas ou rancores. Procuremos resolver as diferenças. A vida passa muito rapidamente e poderemos, mais tarde, lamentar por não termos aproveitado esse tempo.

Mauri Heerdt

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