Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Educação

ducar é formar pessoas verdadeiramente humanizadas e felizes. Isso significa formar pessoas com muita ética, princípios e projeto de vida. Sem isso não é possível ser humano e ser feliz.

Que educação é essa:

• que forma um mundo de desigualdade?

• que forma um mundo em que a competitividade é um valor acima da solidariedade?

• que, ela própria, é fator de estímulo à competitividade, na forma de provas, prêmios, humilhação dos que não passaram de ano, dos que não avançaram e que são a maioria?

A maioria não tira o primeiro lugar. Lembro do quanto sofri no curso secundário, no ensino fundamental, por não ser premiado, não ter meu nome no quadro de honra, não receber medalha, não figurar entre os primeiros da classe. Considerava-me um perdedor. A educação me ensinava a engolir a minha humilhação de ser um perdedor. Ora, que educação é essa que não consegue trabalhar a formação de princípios éticos?

MEU CASO

Criança em Belo Horizonte, eu ia ao centro da cidade comprar prego para os meus carrinhos de rolimã ou para as manivelas que eu mesmo fabricava. Naquela época, felizmente, não existia a palavra griffe, a gente montava os próprios brinquedos.

Meu pai alertava: “Não passe em determinadas ruas do centro”. Era onde ficava a zona boêmia da cidade. Hoje, como um pai vai dizer isso a um filho se, ao ligar o televisor, a zona boêmia, o bordel inteiro, é despejado dentro de casa? Um dos desafios mais difíceis e urgentes a ser enfrentado é, sem dúvida, a formação sexual e afetiva das crianças e dos jovens. Passei 22 anos nos bancos escolares e nunca as escolas que freqüentei abordaram as situações-limite da vida, pelas quais todos passamos, ou haveremos de passar. A escola nunca falou em dor, perda, ruptura afetiva, falência, morte, espiritualidade. A escola nunca falou de sexualidade; hoje, fala de cuidados higiênicos, para evitar doenças sexualmente transmissíveis. E a educação afetiva? A educação para o amor? A relação afetiva é determinante na vida de todas as pessoas. Atualmente, a média brasileira de duração do matrimônio é de sete anos. É curioso que algo tão determinante não tenha um mecanismo educativo que concorra para essa formação.

OUTRO CASO

Certa vez, uma amiga me disse: “Betto, não vou batizar os meus filhos, nem educá-los em nenhuma religião. Eles, aos vinte anos, decidam se querem seguir alguma religião e qual. Eu disse, a ela: “Você, como mãe, e seu marido, como pai, têm todo o direito de educar os filhos como bem entenderem, mas não concordo com a sua ótica. Você não tem escolha: ou você educa, ou a Xuxa educa, não há alternativa. Se você não der educação religiosa a seus filhos - educação aqui entendida como valores evangélicos, princípios éticos, abertura ao transcendente..., a Xuxa vai ensinar a eles o que é certo e errado, o que é bom e ruim, quem é o bandido e o mocinho, qual é o jogo ético, aético ou anti-ético da vida social. Você não tem escolha, ou seja, a formação da subjetividade é uma questão educativa da maior importância”.

Frei Betto / Escritor e autor de vários livros

Para Refletir

1.º Educação, hoje:

• Quais os conceitos já superados?
• Quais as novidades a serem acolhidas?

2.º Que tipo de professor precisamos formar para o tempo atual?

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