Jornal - "MISSÃO JOVEM"
Educação
Há cerca de dois anos, durante uma palestra sobre “cidadania”, um episódio envolvendo uma indagação de um jovem me marcou muito. Ele me perguntou se eu não achava que Deus era muito perverso ao permitir que o seu povo sofresse tanto com a fome e a miséria no mundo. Quem Deus manda para resgatar o seu povo? Logo em seguida a pergunta do jovem, veio em minha mente o ensinamento de um grande professor de Física que tive: Respondi, sem vacilar, que Deus fazia isso porque, conforme havíamos aprendido na física, o som não se propaga no vácuo. Algumas pessoas que também participavam da palestra riram, outras me olharam com estranhamento e a grande maioria, provavelmente, achou que eu tinha ficado louco. Depois da confusão inicial que a minha resposta provocou, eu fiz questão de aprofundar o tema, seguindo fielmente os ensinamentos daquele grande professor que tive em minha vida secundarista. Ao analisarmos a forma como a Graça de Deus se manifesta em nossas vidas, perceberemos que ela, assim como o som, precisa de um “meio” para se difundir. Sem as moléculas do ar, o som não teria como se propagar. De maneira análoga, o meio de propagação da Graça Divina somos todos nós. Cabe lembrar aqui a forma como Deus resgatou o seu povo da escravidão do antigo Egito: Ele enviou Moisés para essa importante missão. E hoje? Quem Deus manda para resgatar o seu povo da miséria e do sofrimento? Nós. Somos, sem sombra de dúvida, o meio de pro pagação e manifestação da Graça de Deus ao próximo. De quem é o papel de valorizar a educação e o educador?
Consciência essa que me conduz hoje a uma relevante e indispensável reflexão: Como anda a importância que damos aos nossos mestres, tão desvalorizados principalmente na iniciativa pública? Será que nós, quando escolhemos os nossos governantes, priorizamos as propostas e ações práticas de valorização da educação e, principalmente, deste profissional de imensa responsabilidade na construção e formação da consciência crítica das nossas crianças e jovens? E o papel dos mestres? Por outro lado, os nossos mestres também precisam assumir o seu grande papel de construtores da cidadania. E isso transcende o paradigma da disciplina lecionada: Matemática, Física, Química e Português também podem ser ferramentas para a formação Cidadã. Nós, educadores, temos uma grande responsabilidade nesse projeto de edificação da sociedade. Precisamos também ter o cuidado para não cairmos na armadilha do pessimismo e, desta forma, permitirmos que os baixos salários e a desvalorização do ensino, principalmente do público, nos impeçam de cumprirmos com o nosso compromisso ético e moral de formadores de bons cidadãos. A nossa participação é a chave da mudança Para terminar, eu deixo outro ensinamento desse mesmo professor que citei: Ao ensinar sobre “Abalos Sísmicos”, ele tentou convencer um aluno a fazer com que o sismógrafo da escola registrasse um tremor utilizando apenas os seus próprios pés ao saltar. Depois de muito tentar e, sozinho, não conseguir, ele sugeriu que esse aluno repetisse a experiência, mas com toda a turma e depois com todo o colégio juntos. Depois de muito treino e organização, nós conseguimos fazer com que o sismógrafo finalmente registrasse o tremor causado pelos nossos saltos juntos. Foi assim que eu aprendi, além dos conceitos básicos da geologia, a importância da organização, do coletivismo e do engajamento popular na formação da sociedade.
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